17 de set. de 2026
Anatomia do Afeto: nossas orelhas têm formato de coração
Se você fechar os olhos e imaginar as duas orelhas humanas unidas, vai perceber um design anatômico curioso: elas formam o desenho de um coração. Há quem diga que é apenas uma feliz coincidência da evolução biológica, para otimizar a captação de ondas sonoras. Mas eu prefiro uma perspectiva mais poética (e com uma pitada de neurociência): o nosso ouvido é o primeiro portal para o coração do outro. E se a anatomia nos deu "filtros" neste formato, talvez seja um lembrete concreto de que fomos desenhados para ouvir - e falar - com afeto.
A "Ciência" (Vozes da minha cabeça e psicologia real)
- Peça para se aproximar de alguém com quem tem intimidade.
- Fale o que você admira num tom de voz suave, bem de perto.
- Observe a reação: o relaxamento dos ombros, o sorriso involuntário.
Quero uma vida simples e tranquila...
Eu já quis ter mil vidas em uma só, como os filmes e séries mostram: a garota que trabalha, treina, viaja, cozinha e descansa dez horas. Num mesmo dia. Mas a pouco mais de um ano, venho admitindo pra mim mesma, que quero uma vida simples e tranquila.
Uma pesquisadora de Stanford, Jeanne Tsai, trabalha com "ideal affect", o estado emocional que a gente quer sentir, e não o que de fato sente. Ela identificou que no ocidente aprendemos a buscar os estados de alta ativação (empolgação, animação) enquanto em culturas do leste asiático, desejam baixa ativação (calma, tranquila, paz). É cultura programada, que já aparece em crianças de 3 a 5 anos: as americanas escolhem o sorriso empolgado muito mais do que as taiwanesas. Aparece também nos livros infantis, onde personagens americanos sorriem mais aberto e vivem fazendo coisas. Fomos criados dentro de um material didático que ensina, o tempo todo, que vida boa, é vida agitada, sempre produzindo algo.
Dizer em voz alta que você quer menos, mexe com as pessoas, principalmente se elas tem muito. E deixa eu ser bem clara sobre o que eu não estou dizendo, porque essa conversa desanda fácil. Não estou dizendo que você deve ter uma vida simples a ponto de penalizar tudo que te trás conforto e fazer tudo na base do esforço. Você ainda pode ter uma Lava-louças, uma máquina lava e seca, uma tv, wifi. O que acredito é que devemos normalizar querer uma vida menos agitada, com menos empolgação rasa, menos estímulos frequentes.
E praticar, pois ver beleza no comum e simples, é habilidade, não prêmio.
15 de set. de 2026
Carta 7 - Adultos também (se) aprendem brincando
Vejo nossas diferenças e suponho que se alguém passar dez minutos ao nosso lado, também verá. Mas construir uma relação, também é suportar as diferenças, rir delas depois e continuar escolhendo ficar, pra a vi(ver) a vida e transitar, delicadamente num outro jeito de seguir.
30 de ago. de 2026
Qual é o prêmio de querer PROVAR SER PRODUTIVA?
"A preguiça incomoda não apenas porque desacelera, mas porque ameaça uma ordem social baseada em controle do tempo." (Mariane Santana, em Quem dá conta de tudo não dá conta de si mesmo).
Muitas pessoas constroem toda a sua identidade em torno do trabalho, do relacionamento ou do esforço direcionado a outros. Quando uma dessas coisas muda, elas desmoronam completamente. Conhecer a si mesma, é uma riqueza que nenhuma circunstância pode tirar de você. Porque afundar é para navios, não para mulheres que transformam drama em histórias épicas. PRATIQUE O ÓCIO. Não romantize a exaustão.
Quanto mais você precisa, menos acha que tem tempo. Quanto mais cansada está, mais difícil é parar. Espera ter tempo livre para, então, descansar. Mas descanso não é recompensa, é manutenção, como escovar os dentes. Você não espera "ter tempo", Faz porque precisa. Seus momentos de descanso são tão importantes quanto sua escova de dentes. Quanto mais acelerado o dia, mais necessária a pausa. Trate o descanso como prioridade, não como luxo.
Aproveite seu tempo livre pra ler, dormir, tomar banho premium, se cuidar. Se acordar cedo, tome um café da manhã especial e devagar, como se estivesse sendo filmada em câmera lenta; arrume o cabelo como se fosse estampar a capa de uma revista, trabalhe ou estude como se estivesse sendo paga em dólares, aprenda algo novo e se desenvolva.
Por aqui, existe uma mulher, além do trabalho, além de viver cenas de força física e subjetiva, absurdas. Uma mulher que gargalha. Condutora de crises de riso com a cabeça pra trás. Uma mulher cinematográfica, pois reconheço o quão interessante sou. Uma mulher composta por pedaços de todos os lugares por onde passei e das pessoas que convivi, costurada por letras de músicas, citações de livros, frutas colhidas com a mão e no chão, conversas na calçada, lua, estrelas e o cheiro do café feito pela minha avó. Uma alma antiga, habitada pela teimosia silenciosa de ainda acreditar no amor. Uma mulher-poética, composta por um romantismo resistente, transbordante e incurável. Uma mulher-casa da melancolia, zona de (des)conforto. A mulher que divide quarto com a esperança, o medo e a coragem. Uma mulher que canta e dança. Uma mulher que busca ver o céu e procura arco-íris. Uma mulher que não economiza afetos e mantém os olhos encantados pela magia das coisas simples, oferecendo espaço para enxergar pequenos milagres. Uma mulher que documenta ideias e aprendizados. Minha vida é a minha obra de arte mais íntima.
Durma, tire cochilos, tome banhos longos, perca tempo, passe horas ouvindo música ou observando as estrelas. Massageie cada músculo até que ele quase derreta. Ensine seu corpo que basta existir, na suavidade da sua essência. Dê a si mesma tempo para passar com o sol, apreciar frutas, ler livros longos sem intenção de aprender, apenas pelos detalhes descritos. Absorva tudo, os contos de fadas, os romances, os tons exatos do céu. Isso não é preguiça, porque mesmo quando descansamos, ainda somos pressionados por um milhão de coisas em nossa mente - a culpa ancestral e programada nos perturbando a cada segundos. Assim, como mulher, um dos maiores propósitos é ensinar seu corpo a relaxar em abundância, a desaprender a culpa implantada, a relaxar cada músculo, cada célula, até que o descanso pareça mais confortável.
Uma mulher bem descansada, hidratada, alimentada, alongada e amada (especialmente por si mesma), recalibra sua frequência, aguça a intuição, aumenta seus padrões e amplifica seu magnetismo.
Experimente dizer: - Vou descansar. E vá. Lembre-se que ser uma mulher que dá conta de tudo é bom pra todo mundo. Menos pra você.
M. ✨
Carta 6 - Trapezistas do nosso Amor
Quarenta dias, Jesus passou no deserto e também não nos vimos pessoalmente. Neste tempo, reconheço que aprendi algumas coisas sobre você e sobre mim, mas também admito que já passamos tempo demais longe um do outro - anos - e pra mim, foram muitos desertos e mais do que suficientes. Agora, quero aproveitar a alegria e a curiosidade do espetáculo que pode ser o (nosso) amor, se a gente quiser. Somos um casal de trapezistas. Em nosso estilo único de risco e técnica, (des)preparados pelas experiências individuais e diferentes, indo na mesma direção, ainda que a corda seja bamba. Exige força e precisão no tempo em que estamos juntos. Fé, sincronia e coragem. Manter o equilíbrio, enquanto administramos o espaço-tempo, o clima, a distância e as demandas da vida adulta.
Você já conhece os meus silêncios. Eu conheço o teu olhar quando está tentando parecer forte. Você tem o meu amor do jeito mais bonito e atento e sei que o seu cérebro precisa de dengo. Ofereço o remédio da doçura, permito que se aconchegue em meu colo e carinhos, além de outras soluções secretas. Quando me recebe, me cuida e diz com clareza o que vai fazer, honra o meu querer, a minha feminilidade e o mais ousado número do nosso espetáculo é sermos um casal. Eu não preciso mais fugir com o circo para viver uma grande aventura, pois me sinto uma artista escrevendo sobre uma obra. De arte. Pintando com palavras, um painel de sensações. Meus pincéis, são os próprios dedos, Que ajustam a saudade, com base na inspiração. Tenho você na minha mente (e na minha boca). Seu gosto, no meu pensamento. Você morando no meu cérebro-sentimento. Sorrindo e validando, que a tempos, precisávamos nos encontrar. Sou melhor quando estou amando e sendo amada de volta.
Me interesso pelo conhecimento sagrado de como amar você, delicadamente, divinamente e abundantemente. Busco os códigos de como ancorar a Lua no oceano. E com você, ativo a minha versão, fada mágica do amor, com glitter e, relaxo nos meu interesses e paixões.
Ps.: Se você é o CEO desta empresa, precisa cuidar. Defina o tom e o investimento, eu multiplico e reflito o que oferece. Breve, volto com mais dicas mágicas. 🪄
28 de ago. de 2026
Carta 5 - Que sigamos improvisando, juntos.
Que bom que você veio. E resgatamos essa coragem curiosa, mesmo depois de tanto tempo - talvez, exatamente, porque passou uma década e acreditamos, pelo jeito como nos cuidamos, que ainda vale a pena sentir. Sou entusiasta de que a verdadeira conexão é construída descobrindo o que estabiliza o outro, o que fere e o que cura. Por isso, quero sempre dizer o que precisamos, onde queremos chegar, o que dói e o que ajuda.
Quero reaprender o amor com você. Nada de quente, frio. Presente, depois distante. A hipervigilância não é uma habilidade que eu quero potencializar... Quero é você desligando meu modo de sobrevivência, reparando no meu jeito, no meu tom, nas minhas cores e repetições. Me fotografando sem pedir, me filmando sem dizer ou dizendo, apenas pra pedir a repetição do movimento e registrando porque decidiu que, aquele momento merece ficar. Quero seguir escrevendo e te descrevendo para os meus medos: com você é diferente. Alguém que me quer com calma e, literalmente, é o amor que veio me encontrar.
Você me enche de inspiração e ilumina minhas qualidades. O meu desejo para nós dois, é que tenhamos curiosidade sobre o outro e criatividade para nutrir a lealdade. Quando conversar for difícil, que possamos acalmar, improvisar, enviar músicas, tocar, cantar, escrever, brincar, escolher um filme, não se afastar mais.
É preciso um homem maduro e consciente emocionalmente, para colocar uma mulher como eu, em sua era suave. Trago devoção de nível shakespeariano e repertório para potentes transformações. Não é apenas companhia que busco; é um alinhamento profundo. Ou você é o meu futuro marido e um encontro seguro, que respeita os meus limites, ou eu retiro o acesso, sempre que necessário. Ser amada da maneira correta, é o que me traz paz. Eu trabalhei muito em mim, para aprender a desejar quem me oferece segurança, respeito e constância. Isso significou esculpir um novo cérebro, ainda em lapidação, mas já mais forte e consciente do privilégio que é a minha companhia. Quero amar um único homem, com intenção e viver um amor leve. De onde eu não saia totalmente despedaçada. Na verdade, de onde eu não precise sair. Que eu queira ficar, porque é saudável e há coisas boas suficientes, pra continuar.
Este não é um trabalho pequeno, eu sei, requer cada um fazendo a sua parte. Então, segura aqui na minha mão e vamos: não fugir dos riscos, construindo e cuidando do vínculo que já sobreviveu ao tempo e agora, sobrevive à distância e à realidade. Não quero outra escolha a não ser, enfrentar e, vencer.
P. s.: Se alguém disser que o amor não vai bater à porta e te encontrar no sofá de casa... Lembraremos que, temos o nosso próprio conto de fadas, com muito encanto e dengo (inegociável).
M. 🤎
25 de jul. de 2026
Proteja sua fantasia
O mundo continua tentando endurecer as mulheres, dizendo para serem realistas, centradas, despreocupadas. Por isso, uma das coisas mais saudáveis que podemos fazer por nossa saúde mental é proteger a fantasia. Não a produtividade, não a imagem, mas a magia. Que existem anjos, elfos, duendes, fadas e bruxas, silenciosamente, trabalhando a seu favor. Beleza e magnetismo estão conectados ao quão relaxado está nosso sistema nervoso, por isso, sempre que possível, escolha se afastar de pessoas ou situações que causem estresse. Quando não for possível, construa o caminho para ser.
Quando se tem um mundo emocional mais amplo do que a realidade física, essa energia precisa ir para algum lugar ou poderá machucar. A profundidade precisa ter uma função, ou queima. Canalize a profundidade para a arte. Crie seus próprios mundos, se demorar no processo, na busca pela inspiração, além do comum.
Há uma força em permanecer encantada, ainda acreditando em coisas boas depois de ter visto como a vida pode ser cruel. Proteja e regue sua ilusão. Mantenha o brilho, a imaginação. Não é negação, é resistência. Manter a esperança é sua própria rebeldia silenciosa. Como os outros respondem ou não à sua autoexpressão não é da sua conta. Tanto porque não é possível controlar, quanto porque não é o objetivo. A finalidade é se conhecer mais profundamente, reconhecer o que está dentro de você e observar isso ganhar vida. Quando você começa a se envolver de forma autêntica nesse processo, ele se torna muito mais interessante do que fazer coisas para agradar ou impressionar os outros. A imitação torna-se desinteressante e, conhecer-se melhor se torna a nova fonte de novidade.
"Instruções para salvar sua vida. Começa com duas constatações. Primeiro, que você vale a pena ser salvo. Segundo, que você terá que fazer isso sozinho. Você expira. Você liberta a criatura inquieta que anda de um lado para o outro dentro de você. Você se divorcia da expectativa e se casa novamente com o desejo. Você dá voz ao seu instinto, permissão ao seu corpo. Você finalmente pega o que precisa, não as sobras que acha que merece. Você deixa ir, sabendo agora que não perde nada ao liberar o que não é seu". [L.E. Bowman]
A arte 'não serve para nada', por isso mesmo, é essencial. Ela não serve a nenhuma lógica de produtividade, ela serve ao desejo de cada mulher. E isso é precioso. Por aqui, pratico o exercício de me olhar com enorme admiração e me encorajo, sempre que consigo, a não diminuir o meu talento e esforço à sorte de estrela cadente ou destino desavisado. E esses encontros, vez em quando, não me tornam má, apenas mágica, pois a natureza feminina transita livremente por todas as formas.
M.
10 de jun. de 2026
Carta 4 - Negociar a imperfeição
Você notará a diferença quando não estiver sendo adequado comigo. Haverá silêncio, onde minha voz costumava confortar e espaço vazio, onde minha presença preenchia.
Um relacionamento comigo vai te desafiar. Porque não aceito fugas em sequência. Eu espero, semelhante ao que entrego: trocas, presença, comunicação clara, isto sim, repetidamente. Mesmo quando é difícil. Mesmo quando é desconfortável. Eu exijo reciprocidade...
Sou uma mulher profunda. Isto tornou difícil encontrar alguém que conseguisse manter um relacionamento comigo. Num determinado momento, não fluía mais, exatamente por causa da minha profundidade (ou seria por causa da preferência do outro em encontrar alguém mais fácil? Assim, não teria que melhorar padrões não saudáveis).
Eu faço perguntas profundas. Algumas, talvez não esteja preparado para responder. Exijo presença. Sou honesta. Algumas vezes, direta demais. Levo minha integridade a sério e espero o mesmo de volta.
Me interesso em construir um relacionamento profundo. Com alguém que esteja interessado pela minha versão melancólica e curioso pela versão feliz. Alguém que seja um lugar seguro para as minhas emoções. Alguém que permanece firme e diz: "Eu não vou a lugar nenhum". Espero que, eventualmente você se esforce para me encontrar no meu infinito particular e não aceito que as minhas comunicações, não mudem algo em você.
Porém, se estiver mais comprometido em permanecer o mesmo; se prefirir o costume dos seus padrões, ao meu amor; se o ego for mais importante do que a evolução, ou a autopreservação seja mais urgente do que a manutenção adequada de um relacionamento comigo, encontre alguém que permita isso. Eu me afasto diante de inconsistência ou comportamento instável. Posso ser um pouco intimidadora, porque questiono e vou apontar o que vejo. A minha paz não é negociável e eu não permaneço mais com pessoas que não querem conversar. Não tenho mais medo de ficar sozinha.
Quero alguém com quem eu consiga negociar imperfeições, incluindo as minhas.
Você consegue lidar com tudo isso (comigo)?
M. ✨
9 de jun. de 2026
Recalcular a rota
Às vezes, precisamos lembrar que não somos responsáveis pelo mau comportamento de outras pessoas em relação a nós - manipulação, falta de gentileza - isso é problema delas. O que depende de você é como escolhe responder, estabelecer limites e não deixar que as ações delas afetem a pessoa incrível que você é.
Ainda me permito ser gentil, porque não foi o mundo inteiro que me machucou, então, venho reaprendendo a recuperar confiança, liberar ressentimentos, acreditar novamente no amor. De olhos bem abertos - ciente de que, ainda assim, não enxergarei tudo.
É só continuar. Após vários erros, os aprendizados formam um especialista.
Talvez crescer seja isto, um pouco, a cada vez...
M.
27 de abr. de 2026
Carta 3 - Eu, aos seus cuidados
Agradeço por me receber. Por me buscar, me mostrar o seu trabalho, me mimar e dar muitas risadas comigo.
Por me deixar saber que sempre gostou de mim.
Agradeço por me apresentar filmes, me deixar fazer comentários, me emocionar e pedir pra dormir no meio.
Agradeço por me servir vinho, comida e afeto.
Pelos passeios e cuidados.
Pelas músicas cantadas, na sua, na minha e na nossa voz.
Por me mostrar lugares que tem significado pra você.
Agradeço por cada detalhe que te exigiu ceder um pouco mais. E por compartilhar comigo uma boa dose de confiança e presença.
Eu sempre vou escolher quem encontra espaço pra mim na vida, porque ocupados todos nós estamos. Por isso, agradeço, novamente, por me receber.
Você me nutre.
E eu atravesso limites geográficos por você.
M. ♥︎
21 de abr. de 2026
Carta 2 - A métrica de tocar (a vida com) você
A primeira vez, aconteceu quase sem que a gente desse conta. Os encontros seguintes, foram como pequenos incêndios que tentamos, sem sucesso, apagar. Uma década depois, apesar do que pareceu igual, venho percebendo a diferença. Todas as outras vezes, foram acidentes. Agora, tem sido um ato de coragem intencional - ou uma dose de aventura mística, com trilha sonora de filme confortável.
Existem os românticos, que escrevem poesia e arrepiam no toque: sou eu. E existe você: um romanticamente depois. Não prometeu flores, mas entregou sensibilidade. Não falou alto, mas descobriu exatamente o que exaltar.
Na métrica da música, o primeiro tempo, geralmente, é o mais forte. Comigo, a pulsação é forte, quase o tempo todo. Com você, também há um jeito específico de manter o ritmo, o passo, o compasso. Por isso, tenho me interessado em compreender a sua métrica. Aprender a tocar (a vida com) você. Não acelerar o tom. Não bagunçar (demais) a sua rotina, o seu espaço, a sua mente. E tenho praticado um sentimento em narrativa lenta... Assim como faz, um dos meus sobrinhos, quando brinca de tocar e afinar melodias, nas cordas do violão. Com calma e repetições. Nós dois precisamos de paciência. E de olhos e ouvidos abertos. Há coisas que relações passadas nos ensinaram e precisamos desaprender. Há coisas que não nos ensinaram e estamos tentando aprender. Por aqui, a principal linguagem de amor é a segurança. E me sentir emocionalmente segura, significa, coletar evidências de que posso ser autêntica, confusa, às vezes, e ainda ser respeitada, cuidada e não abandonada.
Eu considero um incrível privilégio, estarmos escolhendo o mesmo caminho. Por isso, abro a porta da delicadeza pra você (o amor) entrar e escrevo a melodia mais bonita, quando me entrego e encontro você, no mesmo lugar. Um compasso personalizado, nossa métrica pessoal: um, dois, um, dois. Ninguém na frente, ninguém depois.
Acredito que um relacionamento é uma longa conversa e, deve-se perguntar: conseguirei ter boas conversas com esta pessoa ao envelhecer? Aposto em nossa conexão e sempre lembrarei que você escolheu afinar, organizar a métrica e não se afastar.
Temos uma longa conversa pela frente - com trilha sonora garantida.
M. 🤎
18 de abr. de 2026
Lembranças (para a minha avó)
Hoje lembrei da senhora. Na verdade, lembrei e decidi escrever, porque lembrar, eu sempre lembro...
Então, eu estava no shopping, nenhum motivo específico para me sensibilizar, até que sentei para um café: eu, meus pensamentos e algumas compras, recém feitas.
Hoje em dia, muita coisa mudou, mas a saudade se mantém, intacta, mais de vinte anos depois da sua partida, precoce pra mim, que era uma adolescente com sonhos e esperançosa de realizar muitos deles em sua companhia.
Vó, eu nem queria terminar o café, só pra ficar imaginando, como seria se tivesse sido... A senhora não me viu concluir os estudos do famoso ensino médio, não acompanhou a minha despedida do interior para a capital, não Estacada mais aqui, quando fiz as oito mudanças até o apartanento próprio, não participou da minha formatura do ensino superior, não esteve nos lançamentos dos meus livros, nas viagens dentro e fora do Brasil... Mas a senhora deixou, entre muitos ensinamentos, um que recordei hoje: "Enquanto depender de mim, minha filha..." E dentro do possível para a época, a senhora cumpriu e eu aprendi que dependo de mim, o que tantas vezes, me cansa, mas também me sustenta e impulsiona.
Hoje choveu, enquanto também havia sol. Acho que isto me lembrou da senhora. Ativou minha memória e me levou a recordar que nessas condições climáticas, provavelmente, em algum lugar, há uma raposa se casand... E é isso. Não sei se a raposa casou, mas lembro. Não sei se a senhora me lê, mas continuarei escrevendo e, às vezes, me dando conta só depois, que situações simples, me lembram a senhora e nosso vínculo. Porque enquanto depender de mim... Lembro e te escrevo, vozinha! E a cada vez, talvez, transformo um pouco, esse luto, essa ausência, em algo que pode ser integrado, sem precisar lutar.
M. ᥫ᭡
9 de mar. de 2026
Viajar para vi(ver) melhor
Estudos mostram que experiências curtas e novas - uma viagem de um dia, uma caminhada não planejada, explorar uma nova rua - aumentam a dopamina e redefinem o humor. Não é preciso férias grandiosas, mas interrupção. O cérebro prospera com pequenas doses de novidade. A rotina mantém você vivo. A novidade faz você se sentir vivo.
Mudanças importantes, muitas vezes acontecem depois de uma experiência de viagem: pessoas deixam empregos, terminam relacionamentos, mudam de cidades, ou finalmente começam algo que adiaram por anos. O corpo aprende por meio de movimento e emoção. A viagem desfaz a ilusão de que o jeito que você vive, é a única maneira possível. Sou analista e sei que a terapia contribui para descobrir quem você é. Viajar apresenta quem você poderia ser. E, para muitas pessoas, esse vislumbre é suficiente para mudar tudo. Você se perde, resolve problemas novos e sobrevive. Isso restaura silenciosamente a autoconfiança, pois ela cresce não por falar sobre coragem, mas por usá-la.
Doses de experiência direta e saída do modo automático. Novas ruas, comidas, rostos sistema nervoso não pode confiar em roteiros antigos. Às vezes, pode parecer que você está vivendo a vida de outra pessoa, mas é também a sua, só que de outros jeitos.Viajar remove temporariamente os papéis sociais. Em casa, você é o parceiro(a), filho(a) ou mãe ou pai de alguém. Na ponte-estrada, esses rótulos enfraquecem. Você se torna apenas uma pessoa se movendo pelo espaço. Esta perda de pressão social, permite que as pessoas ouçam seus desejos atuais.
Viagens pra mim, têm uma natureza pedagógica, didática. As experiências me conectam com a sensação de ciclos. Também é sobre ampliação, expansão. Sobre viver para além do centro de mim. Sobre perceber limites. Experimentar o silêncio, a pressa e a pausa, o recolhimento, o movimento do não controle. É sobre soltar, ir e voltar. A vida é cíclica.
Viajar me relembra.
5 de fev. de 2026
O desafio de estar lúcida
Seu chamado vai te esmagar. Se você for chamado para curar os corações partidos, vai lutar contra a dor de um coração partido.
Se for chamado para profetizar, vai lutar para controlar sua boca.
Se for chamado para ensinar, será sufocado pela sabedoria que envolve sua mensagem.
Se for chamado para empoderar, sua autoestima será atacada e seus sucessos serão conquistados com muita luta. Seu chamado virá com desafios e espinhos que são necessários para que seu processo seja autêntico, humilde e poderoso. Não será fácil porque sua tarefa não é fácil.
Entropia é um conceito da física, ligada à Segunda Lei da Termodinâmica, mostrando que os processos naturais evoluem espontaneamente para estados mais desorganizados. Ou seja, o caos é naturalmente uma realidade física, química, biológica, cosmológica, astrológica, descrevendo a tendência do universo para a complexidade.
O caminho não é só de ida. Então, volta. Volta a ler livros, a caminhar descalço, a ver o pôr do sol, a olhar o mar... É preciso criar rachaduras no caos. É pela falha que, tantas vezes, entra a luz.
M.
4 de fev. de 2026
É só ir "num" cartório, eles disseram...
Hoje eu encontrei Deus
Hoje eu encontrei Deus.
Ele foi me buscar numa loja de material de construções, porque a maçaneta do portão quebrou. Era um motorista de aplicativo e dirigia calmamente, quando outro começou a buzinar, e fez uma ultrapassagem, xingando-o.
Eu comentei que foi uma ação tão ruim e desnecessária e ele completou, com o semblante calmo e um level sorriso: "Essse problema não é meu". E sugeriu que eu poderia começar a ler a Bíblia, por Genesis, aos poucos e diariamente.
Também me lembrou que inteligência não sustenta se não houver sabedoria e, é na calma, que é possível reconhecer e cultivar. Me disse pra pedir sabedoria pra Ele e ouvir suas perguntas. Nelas, estão as respostas.
Quando a maçaneta quebra, é Deus quem conserta.
M./2025
9 de jan. de 2026
Pó quebrado e uma reflexão sobre hábitos
A questão é que, mesmo já usando um pó facial novo há mais de duas semanas, meu cérebro insistiu em me levar para o lugar antigo, onde o pó quebrado costumava ficar. Puro hábito, uma espécie de piloto automático que me empurrava para o "inferno conhecido" (o local do pó quebrado) em vez de me direcionar para o "paraíso desconhecido" (local mais prático, junto dos outros produtos de maquiagem).
Esta situação é um exemplo de que hábitos novos podem levar um tempo para se enraizar. Por mais que a gente queira mudar, nosso cérebro busca a segurança do que já conhece, mesmo que não seja o mais adequado, buscando nos proteger do novo pois, não sabendo como será, repete a ação anterior.
Precisa nos ser constantes e insistentes, para que o novo hábito se estabeleça. É como plantar uma semente: não vemos a flor desabrochar no dia seguinte, mas sabemos que, com paciência e cuidados necessários, ela vai se desenvolver.
Um pó facial num lugar diferente, uma nova rotina ou outro objetivo que envolve o seu comportamento, convida a reconhecer que o novo pode ser desconfortável no início, mas é ali que o crescimento acontece.
Qual é o "pó quebrado" que você insiste em buscar, mesmo quando há um "pó novo" te esperando noutro lugar?
O espetáculo que é, ser vista.
Foi um convite para me lançar na insegurança e "me divertir" no caminho. Me divertir e rir com a sua companhia, observadora, delicada, numa experiência de ser vista e re-vi-si-ta-da, assim mesmo, bem devagar, com calma, como quem soletra cada sílaba da palavra, como quem me lê, sem fazer barulho, me lembrando de mim: engraçada e corajosa, sensível e forte.
Você me testemunhou sem tentar tirar minha essência, minha sensibilidade, meus risos e silêncios. Sem me pedir pra encolher, rir baixo ou não ser.Mas acabou. O espetáculo do nosso encontro, porque outros, pela vida, certamente, seguirenos conduzindo. Cada um à sua maneira, em algum lugar do planeta: você fazendo malabarismos na própria vida e eu, reaprendendo a me equilibrar na beleza do acaso que é ser vista.
Agradeço por me lembrar que ainda posso redescobrir e capturar boas doses de mim.
M.
Carta 1 - Dar a volta por dentro
Há anos eu atravesso o mar, num barquinho de papel. Um mar, que tantas vezes, eu não quero entrar. Ele é profundo, barulhento e cheio de ondas. Meu barco já virou algumas vezes e precisei refazê-lo e, sem muita ajuda, pois os mergulhos que dei e dou, não apetecem quem me conheceu quando eu não sabia nadar, nem remar, nem mergulhar.
A cada dia que passa, escolho seguir me curando, pois não quero sangrar em quem passa, muito menos em quem escolher ficar. Embora eu saiba que, provavelmente, pode acontecer, não será proposital, nem por um coração amargo. O que tem por traz é um cansaço geracional que deságua em mim. Uma melancolia de estimação. Sabe Deus o porquê.
P.S.1: "Pra você, que sabe que é pra você":
- Estou indo dominar o (meu) mundo. Você vem?
21 de ago. de 2025
Dance...
Eu gosto de dançar. De seguir passos, da coreografia escorrendo pelo corpo e levando o corpo a escorregar.
Durante a pandemia, vi uma possibilidade de aulas online e me inscrevi. Não fluiu muito e eu deixei passar. Fazia um tempo que eu não dançava, até mesmo na frente do espelho, em casa.
Recentemente, me inscrevi para aulas presenciais e fui. Eu sei dançar. Eu tenho ritmo, tenho música em mim...
Os primeiro exercícios: muita frustração. A dura diferença entre a expectativa da minha cabeça, e os passos de colegas que já estava fazendo aulas à alguns meses. Era prova de fogo para desistir. Mas eu estava ali pelo processo. E o processo valia a pena.
Precisei lidar com a parte de mim que não gosta de errar, não fica confortável em mostrar que também erra e desaprendeu a escorregar.
Eu continuei, não da forma como gostaria, presente sempre e fielmente, mas da forma como pude.
Dançar é um jogo de controle e descontrole. Um certo controle sobre a técnica, o controle do corpo e movimentos. Mediados pelo descontrole do imprevisível, do erro, a relação com a música, a física se impondo sobre suas vontades e sobre o corpo que não é tão jovem quanto em outros carnavais. Há um estado de relaxamento e tensão que precisam se relacionar, amigavelmente.
E tem a minha paciência com o tempo das coisas. Que não estava tão presente. O meu corpo não obedecia e estava resistente ao comandos do meu cérebro. Mas eu reconheco que o contrário também é possível.
Senti o desconforto de ter que aprender algo novo, de novo, mas disso, eu precisei, conforme sabedoria popular: "aquilo que mais evita, talvez seja, o que mais precisa encarar".
Então encarei a experiência como um convite que me fiz: me tirei pra dançar e fui. Errei passos, mas continuei, porque assim, vou reaprendendo a escorregar, a fluir, sendo menos concreta, mais leve, mais líquida. Mais presente em mim. Mais eu.



















