5 (importantes) dados sobre a psicoterapia


1 - Eu não prometo que vai ser fácil, mas prometo que você pode contar comigo. Fazer psicoterapia consiste em se arriscar a olhar as próprias dores, correr contra a correnteza pois, comumente, nós fugimos disto. Mas, quando se olha as dores com a ajuda de alguém que vê além, que não está envolvido emocionalmente com seus problemas, é possível entender os padrões de comportamento e de repetição, os entraves e enxergar as possibilidades de ajustes e mudanças.


2 - Talvez existam dias que você pense: não tenho nada pra dizer. Nesses dias é muito importante ir ao atendimento mesmo assim, pois também são momentos que rendem, abrindo espaço para lembranças de aspectos que não haviam sido revisitados.


3 - Mesmo percebendo que alguns assuntos lhe incomodam, talvez eu precise perguntar sobre eles. Poderá sentir raiva porque vou te responsabilizar por suas escolhas. E, tudo bem.


4 - O sucesso no tratamento depende de mim e de você. O trabalho na psicoterapia é um trabalho conjunto ente profissional e paciente. O melhoramento vai depender do seu esforço em se abrir, avaliar as análises do psicoterapeuta, pensar, investir energia adequada no processo, dividir como se sente, como as coisas lhe afetam e, principalmente, não desistir.


5 - Mas, e se quiser desistir? É comum, durante o processo psicoterapêutico, sentir vontade de faltar à sessão, mas, justamente nesses dias você precisa fazer de tudo para ir. Essa falta de vontade para a terapia acontece com todo mundo em algum momento; mas lembre-se que pode ser um sinal de que estamos chegando perto do sintoma, de entender o que lhe acontece. Por outro lado, pode ser que não tenha havido uma identificação do paciente com o psicoterapeuta ou com o método de trabalho, então é preciso avaliar qual dessas situações estará ocorrendo com você, em caso de sentir-se resistente.

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Precisamos falar sobre Limites



Dias desses, no shopping, surpreendo-me ao ouvir uma mãe irritada, falar em alto e bom som: 

- Vou te colocar na OLX, vai ser o jeito. 
- Nãaao mãe (a criação reage, chorando e gritando ainda mais, pois deve ter feito uma associação desagradável com o olx e a venda de si mesmo).

Olhei e senti uma imensa vontade de me aproximar e dizer: "mãe, seu filho é uma pessoa, não uma coisa. Pessoas não devem ser vendidas". Mas não seria adequado, então não o fiz. Não é a primeira vez que vejo cenas assim e sinto um enorme desejo de desfazer o nó que está sendo dado. Mas sei que não é assim que as coisas se resolvem, por isto fiquei refletindo sobre a tênue linha entre as correções e os limites das mesmas. 

Para falar sobre limites infantis, é preciso repensar os nossos próprios limites. Sim, os limites dos adultos. Quais são os seus? Quais os limites que se permite ou proíbe diante daquilo que acredita? É preciso pensar sobre a nossa disposição diante dos cuidados impostos à criança. E ouví-la. Se você não ouve as crianças, você as perde.
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Porque as crianças mordem?


No início, a criança pequena comporta-se como se fosse a imagem que reflete o comportamento do outro: uma outra criança cai e o bebê chora, a mãe abre a boca e o bebê repete, experimentando ludicamente movimentos a partir daquilo que observa vindo do outro. A criança imita mas também vai fazendo movimentos independentes, provocando a organização inicial que permite a formação do próprio eu.

Para a criança que não adquiriu linguagem verbal, a mordida é um exemplo de uma tentativa de se comunicar. É através da boca que a criança ri, chora, balbucia, aceita ou rejeita o alimento e, assim, se relaciona com o mundo. Esta vai conseguir se expressar pela fala se houver investimento, que é produzido na sua relação com o Outro.

A criança que ainda não adquiriu linguagem (verbal) ou não fala com tanta fluência, poderá encontrar na mordida, a forma mais fácil de dizer alguma coisa. A mordida pode ser uma oportunidade que a criança tem de transformar em palavras aquilo que está querendo dizer, mas isso dependerá de como o adulto a recebe, de como faz a leitura do que a criança tenta demonstrar, pois o jeito que a criança e adulto irão lidar com a situação é que dá ou não significado à mordida e, assim, a possibilidade de tradução daquele ato. Não existem respostas prontas, pois aquela criança está em pleno desenvolvimento.

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O objeto como fim de "escutoterapia". (In)suficiente?



Quem já adquiriu algum objeto para uso de lazer ou trabalho e, após não tê-lo mais, foi acometido por uma sensação de perda, num nível intenso porque parecia ter significado de relação humana?

Esses dias, um amigo foi furtado e relatou o quanto a perda daqueles objetos havia sido significativa, mas de um jeito ruim. Por trabalhar em locais diferentes, precisa viajar bastante e dentro do carro, numa mala, estão os itens de vida diária necessários e o som do veículo, que tantas vezes, foi a sua companhia, nos percussos para casa-trabalho: sensação foi de perda concreta de uma companhia. Ilustro com este exemplo para convidar a refletir sobre as relações imaginárias que criamos com as "coisas" ao nosso redor. O som que me faz companhia, a poltrona que me acalenta, o travesseiro que me ouve, o celular que me faz parecer útil. Nossas relações com seres inanimados tomando configuração de afeto. Algo que pode vir a barrar-encobrir-ameaçar a nossa necessidade de interações essencialmente humanas: pessoa-pessoa.

Fiquemos atentos: vão-se os anéis, ficam-se os dedos. E novos desejos serão (re)feitos. 
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Psicóloga Mayara Almeida © Copyright - 2012. Todos os direitos reservados. Layout criado por Web Layouts