Precisamos refletir sobre hetero/homo (sexualidade)

Sobre relacionamentos afetivos de pessoas do mesmo sexo e com filhos, há uma dificuldade de aceitar este tipo de parentesco e o argumento é que se apresenta é "o bem da criança". Venho lembrar: em termos emocionais, uma criança deve ser criada por adultos que desempenhem funções parentais, as quais chamamos de materna e paterna, que devem promover a constituição psíquica do sujeito e facilitar os seus laços sociais. 


Resultado de imagem para Precisamos falar sobre hetero/homo (sexualidade) tumblrUm bebê, por exemplo precisa ser embalado pelo imaginário do adulto, acolhido subjetivamente pela palavra e suposições que não são palpáveis. São ilusões, de fato, mas excelentes ilusões necessárias. Este bebê, então, suposto pelos laços parentais, vai desabrochando e tantas vezes, marcando a diferença daquilo que foi inventado, descobrindo a alteridade em si e no outro. 


E como bem pontua a psicanalista Vera Iaconeli, “A heterossexualidade nunca foi vacina contra as psicopatias”.


Mayara Almeida
Psicóloga - CRP 13/5938
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Para quem estuda PSICANÁLISE


Já faz algum tempo, vez em quando, recebo mensagens ou emails de jovens estudantes ou profissionais já graduados, ansiosos ou duvidosos sobre a profissão. Perguntam como escolhi, o que fiz ou faço para permanecer atuante e confiante. Eu insisto, não tenho fórmula ou dicas infalíveis, mas resolvi compartilhar algumas reflexões especificamente sobre a psicanálise que é a minha área de atuação, aproveitando que neste mês, foi comemorado o dia do Psicólogo.

Um fenômeno que acontece (desde sempre?) entre as pessoas que estudam psicanálise é: o fato de conviverem com outros profissionais e estudantes que NÃO GOSTAM área (seja lá por que motivo latente ou manifesto for). Enquanto estudante de graduação, ouvi, convivi e acreditei que psicanálise era algo difícil e com compreensão seleta, apenas para alguns. Hoje, mais de dez anos depois estudando sobre o tema (e seguirei em frente) reafirmo que a psicanálise é para aqueles alguns (ou muitos) que estiverem dispostos a se aprofundar naquilo (leia-se tudo) que não é tão palpável ou facilmente entendível, mas sim, é definitivamente entendível, quando se insiste e implica-se no processo (recordando o tripé: teoria, supervisão e análise pessoal).

Acima, escrevi que seguirei em frente estudando, já  que a psicanálise investiga os processos do ser humano e, este, é transformação e movimento, assim, faz-se necessário que as teorias organizem-se de forma a ser possível costurar os autores mais clássicos e as novas formas (desde que sejam éticas) de acolher e compreender a contemporaneidade.

Se a psicanálise não é algo que você se identifica (complexo de édipo, recalque, sonhos, atos falhos) sem problemas, busque uma área teórica que acolha as suas questões individuais. Porque é isto: você precisa acreditar primeiro. Mas não julgue, não viva em competição profissionais de área ou abordagem. 

Que cada área possa recordar, repetir e elaborar suas formas de atuação, Social e profissional, sem agredir a outra. Há lugar para todos que buscam um fazer psi possível. Que possamos estar dispostos.

Aos meus colegas de profissão: que tenhamos força e disposição para continuar acreditando, delicadeza ao tocar o mundo do outro. Sensibilidade ns observação, paciência para alinhar as emoções e teorias que circulam na prática e, curiosidade saudável para proporcionar palavras que acendam lâmpadas internas.

Aos clientes: é uma enorme satisfação vê-los florescer.

Ps: E que nós, esses da psicanálise, possamos trabalhar em análise, nossos incômodos sociais. E que tenhamos tempo para cuidar de nós mesmos e, assim, ser possível suportar a escuta de histórias em qualquer comprimento.



Mayara Almeida 
Psicóloga - CRP 13/5938
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5 (importantes) dados sobre a psicoterapia


1 - Eu não prometo que vai ser fácil, mas prometo que você pode contar comigo. Fazer psicoterapia consiste em se arriscar a olhar as próprias dores, correr contra a correnteza pois, comumente, nós fugimos disto. Mas, quando se olha as dores com a ajuda de alguém que vê além, que não está envolvido emocionalmente com seus problemas, é possível entender os padrões de comportamento e de repetição, os entraves e enxergar as possibilidades de ajustes e mudanças.


2 - Talvez existam dias que você pense: não tenho nada pra dizer. Nesses dias é muito importante ir ao atendimento mesmo assim, pois também são momentos que rendem, abrindo espaço para lembranças de aspectos que não haviam sido revisitados.


3 - Mesmo percebendo que alguns assuntos lhe incomodam, talvez eu precise perguntar sobre eles. Poderá sentir raiva porque vou te responsabilizar por suas escolhas. E, tudo bem.


4 - O sucesso no tratamento depende de mim e de você. O trabalho na psicoterapia é um trabalho conjunto ente profissional e paciente. O melhoramento vai depender do seu esforço em se abrir, avaliar as análises do psicoterapeuta, pensar, investir energia adequada no processo, dividir como se sente, como as coisas lhe afetam e, principalmente, não desistir.


5 - Mas, e se quiser desistir? É comum, durante o processo psicoterapêutico, sentir vontade de faltar à sessão, mas, justamente nesses dias você precisa fazer de tudo para ir. Essa falta de vontade para a terapia acontece com todo mundo em algum momento; mas lembre-se que pode ser um sinal de que estamos chegando perto do sintoma, de entender o que lhe acontece. Por outro lado, pode ser que não tenha havido uma identificação do paciente com o psicoterapeuta ou com o método de trabalho, então é preciso avaliar qual dessas situações estará ocorrendo com você, em caso de sentir-se resistente.

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Precisamos falar sobre Limites



Dias desses, no shopping, surpreendo-me ao ouvir uma mãe irritada, falar em alto e bom som: 

- Vou te colocar na OLX, vai ser o jeito. 
- Nãaao mãe (a criação reage, chorando e gritando ainda mais, pois deve ter feito uma associação desagradável com o olx e a venda de si mesmo).

Olhei e senti uma imensa vontade de me aproximar e dizer: "mãe, seu filho é uma pessoa, não uma coisa. Pessoas não devem ser vendidas". Mas não seria adequado, então não o fiz. Não é a primeira vez que vejo cenas assim e sinto um enorme desejo de desfazer o nó que está sendo dado. Mas sei que não é assim que as coisas se resolvem, por isto fiquei refletindo sobre a tênue linha entre as correções e os limites das mesmas. 

Para falar sobre limites infantis, é preciso repensar os nossos próprios limites. Sim, os limites dos adultos. Quais são os seus? Quais os limites que se permite ou proíbe diante daquilo que acredita? É preciso pensar sobre a nossa disposição diante dos cuidados impostos à criança. E ouví-la. Se você não ouve as crianças, você as perde.
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