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5 de fev. de 2026

O desafio de estar lúcida

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Você acha que se tornar a sua melhor versão será uma sensação poderosa desde o início. Não será. Será como um luto. Crescer não é apenas bonito. Não é tranquilo. É um colapso. É a morte do seu antigo eu. Em repetição. Justo quando você pensa que chegou aonde queria, percebe que ainda tem um longo caminho a percorrer. E isso é difícil. Você se sentirá perdido. Questionará tudo. Alguns dias vencerá, outros perderá. A transformação, a expansão para o seu potencial, é dolorosa. Você precisa derrubar as paredes do conforto, quebrar as correntes que te prendem e apostar em si mesmo. É brutal. Mas é incrivelmente glorioso e vale a pena. Porque do outro lado dessa morte do seu antigo eu... está quem você é. 

Seu chamado vai te esmagar. Se você for chamado para curar os corações partidos, vai lutar contra a dor de um coração partido. 

Se for chamado para profetizar, vai lutar para controlar sua boca. 

Se for chamado para ensinar, será sufocado pela sabedoria que envolve sua mensagem. 

Se for chamado para empoderar, sua autoestima será atacada e seus sucessos serão conquistados com muita luta. Seu chamado virá com desafios e espinhos que são necessários para que seu processo seja autêntico, humilde e poderoso. Não será fácil porque sua tarefa não é fácil.

Entropia é um conceito da física, ligada à Segunda Lei da Termodinâmica, mostrando que os processos naturais evoluem espontaneamente para estados mais desorganizados. Ou seja, o caos é naturalmente uma realidade física, química, biológica, cosmológica, astrológica, descrevendo a tendência do universo para a complexidade. 

O caminho não é só de ida. Então, volta. Volta a ler livros, a caminhar descalço, a ver o pôr do sol, a olhar o mar... É preciso criar rachaduras no caos.

M. 

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4 de fev. de 2026

É só ir "num" cartório, eles disseram...

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Este texto, não é sobre cartórios. É muito mais sobre conexões de qualidade, passe o tempo que passar, sobre a importância da tomada de decisões e, principalmente, sobre a necessidade da autorregulação emocional, diante da rotina que se impõe.

Dezembro/24
Recebo um comunicado por email, sobre a necessidade de realizar um procedimento, chamado Apostilamento de Haia (um selo que certifica a autenticidade de documentos públicos estrangeiros, facilitando a utilização em países signatários da Convenção). Como eu estou finalizando um mestrado numa universidade em Buenos Aires, faz-se necessário. É final de ano, então, me dou um tempo de descanso e acordo comigo mesma, que no mês seguinte, eu irei (havia uma suposição de que não seria tão simples, quanto disseram). 

Janeiro/25
Vou ao cartório 1 para realizar o apostilamento do diploma e descubro que:
- Preciso atualizar o registro de nascimento, pois o antigo não seria aceito para tal procedimento. Já solicito e pago para atualização da certidão de nascimento.
- E preciso procurar outro cartório para este fim, pois onde eu estava, é para serviços específicos.

* Vou ao cartório 2, para reconhecimento de assinatura, mas a mesma está ilegível, logo:
- Preciso descobrir o nome completo do principal responsável pelo diploma e o endereço do cartório onde tem assinatura reconhecida.

* Enquanto isto... Envio mensagem, pelo Instagram, para uma professora, que na época, foi a coordenadora do curso, na Universidade onde estudei e aguardo. Aqui, iniciam as conexões. Nos conhecemos, eu sei que ela lembra de mim, porque eu era presente e ativa mesmo mais de dez anos depois. Há conexões que marcam. 

Fevereiro/25
Infelizmente, não tive retorno pelo instagram (frustrada e seguindo). Entro em contato com a universidade onde estudei para verificar como posso conseguir a informação sobre o reitor (endereço do cartório, onde tem assinatura reconhecida). Algumas tentativas, esperas, musiquinhas e ligações depois... Não consigo. Era preciso ir pessoalmente na secretaria do local para verificar as informações sobre documentos de alunos antigos, pois a universidade já não possui o mesmo nome, muito menos, o mesmo reitor.

* Retorno ao cartório 1 para pegar o registro de nascimento atualizado. Confiro e encontro a ausência de uma informação:
- Devolvo o documento e preciso entrar em contato com o cartório de origem, noutra cidade, para informar o erro, pedir que autorize a devolução e que o cartório atual refaça o documento.
- Muitas ligações e mensagens no WhatsApp depois, a pessoa responsável, no cartório de origem, demora a responder e só uma semana depois, consigo o ajuste.
- Entro em contato com o cartório 1 para buscar o documento corrigido.

Março e Abril/25
Estou exausta do assunto. Sem retorno da mensagem no Instagram, sem tempo para ir pessoalmente à universidade e com demandas no trabalho que exigent minha concentração. Decido me dar um prazo de descanso, enquanto planejo outras possibilidades de resolução.

Maio/25
Com a mente mais descansada, lembro de outra professora que pode ajudar, pois ela era próxima da coordenação (um exemplo do poder da observação e das conexões). Envio mensagem, explicando a situação e peço o contato da coordenadora, na época (aquela que falei pelo Instagram). 

- Sabemos que ter o cellular pessoal de alguém, hoje em dia, é ouro e, portanto,nem sempre fácil. Consigo no mesmo dia.
- Envio mensagem para ela, informo que tentei falar desde janeiro, pelo instagram e explico a situação. Ela explica que não chegou a ver a mensagem por lá, pois is a pouco (e eu suponho que a mensagem ficou oculta). Ela não tem a informação que preciso, mas prontamente, me passa o contato de alguém que com certeza, terá a informação: a reitora atual da universidade. 

-- Envio mensagem para a reitora, mas já É sexta, final da tarde e combinamos de lembrá-la durante a semana, pois já não estava no ambiente de trabalho.

- Após um fim de semana de, aproximadamente, trinta dias, chegar a segunda, e eu retorno com o lembrete. Recebo, gentilmente, o nome completo e dois endereços de cartórios da representação principal que eu precisava.
- Vou ao cartório 3, felicíssima (um dos indicados). No caminho, dou uma olhada no diploma, toda leve e com a mente calma... Percebo que a assinatura principal que está no diploma foi por procuração (um "p/" e uma gigante desatenção). Sendo assim, o nome que está no diploma é de outra pessoa e não do reitor. Repiro profundamente e, Como já estou no caminho, decido seguir e perguntar no cartório sobre a minha dúvida. - De fato, agora eu preciso de um novo no me legível e todas as informações do mesmo. Já me comunico com a reitora, explicando, atualizando o meu pedido, enviando foto do diploma para identificação no nome necessário. Recebo as informações atualizadas no mesmo dia.

Junho/25
Agora vai. 
Vou ao cartório 3, novamente. Enquanto espero, escrevo, reflito e tomo um cafezinho. Descubro que a pessoa não tem assinatura reconhecida naquele endereço, mas sim, o seu filho. Ainda não foi dessa vez. Indicam outra possibilidade. 

- Vou ao cartório 4. Novamente aguardo e, enfim, pago e tenho a assinatura necessária reconhecida.

- Retorno ao cartório 1 para realizar o apostilamento. Descubro que antes, preciso reconhecer outra assinatura, no cartório indicado.

- Sigo para o cartório 2, indicado. Aguardo, pago e feito.

De volta ao cartório 1, para o apostilamento de haia. Aguardo novamente (umas duas vidas) pago... Mais espera e, fi-nal-men-te, documento recebido.

FiM.
Espero.
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Hoje eu encontrei Deus

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Hoje eu encontrei Deus.

Ele foi me buscar numa loja de material de construções, porque a maçaneta do portão quebrou. Era um motorista de aplicativo e dirigia calmamente, quando um motorista começou a buzinar, e fez uma ultrapassagem, xingando-o.

Eu comentei que foi uma ação tão ruim e desnecessária e ele completou, com o semblante calmo e um level sorriso: "Essse problema não é meu". E sugeriu que eu poderia começar a ler a Bíblia, por Genesis, aos poucos e diariamente. 

Também me lembrou que inteligência não sustenta se não houver sabedoria e, é na calma, que é possível reconhecer e cultivar. Me disse pra pedir sabedoria pra Ele e ouvir suas perguntas. Nelas, estão as respostas.

Quando a maçaneta quebra, é Deus quem concerta.

M./2025

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9 de jan. de 2026

Pó quebrado e uma reflexão sobre hábitos

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Porque escolhemos infernos conhecidos ao invés de paraísos desconhecidos?

Dia desses, meu pó facial caiu e despedaçou. Ele ainda estava na metade, então, em vez de descartar, decidi que usaria, do jeito que desse e coloquei noutro lugar para evitar sujeira desmedida, no ambiente de maquiagem. Assim, usei o "pó quebrado" por quase três meses e quando não deu mais, comprei outro.

A questão é que, mesmo já usando um pó facial novo há mais de duas semanas, meu cérebro insistiu em me levar para o lugar antigo, onde o pó quebrado costumava ficar. Puro hábito, uma espécie de piloto automático que me empurrava para o "inferno conhecido" (o local do pó quebrado) em vez de me direcionar para o "paraíso desconhecido" (local mais prático, junto dos outros produtos de maquiagem).

Esta situação é um exemplo de que hábitos novos podem levar um tempo para se enraizar. Por mais que a gente queira mudar, nosso cérebro busca a segurança do que já conhece, mesmo que não seja o mais adequado, buscando nos proteger do novo pois, não sabendo como será, repete a ação anterior.

Precisa nos ser constantes e insistentes, para que o novo hábito se estabeleça. É como plantar uma semente: não vemos a flor desabrochar no dia seguinte, mas sabemos que, com paciência e cuidados necessários, ela vai se desenvolver.

Um pó facial num lugar diferente, uma nova rotina ou outro objetivo que envolve o seu comportamento, convida a reconhecer que o novo pode ser desconfortável no início, mas é ali que o crescimento acontece.

Qual é o "pó quebrado" que você insiste em buscar, mesmo quando há um "pó novo" te esperando noutro lugar?
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O espetáculo que é, ser vista.

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Nos encontranos num momento onde meu corpo me pedia mais cuidado e menos pressa. E estar com você foi uma forma de dizer sim, à vida, noutro ritmo. Dizer sim aos meus pedidos silenciosos de carinho e também me lançar à experiência que é o malabarismo de um encontro com data pra ter fim. Requer um nível de entrega delicada e intensa, que talvez você já alcançou, algum grau específico de autosustenção e abertura para o incerto, que pra mim, ainda é desconfortável. 

Foi um convite para me lançar na insegurança e "me divertir" no caminho. Me divertir e rir com a sua companhia, observadora, delicada, numa experiência de ser vista e re-vi-si-ta-da, assim mesmo, bem devagar, com calma, como quem soletra cada sílaba da palavra, como quem me lê, sem fazer barulho, me lembrando de mim: engraçada e corajosa, sensível e forte. 

Você me testemunhou sem tentar tirar minha essência, minha sensibilidade, meus risos e silêncios. Sem me pedir pra encolher, rir baixo ou não ser.

Mas acabou. O espetáculo do nosso encontro, porque outros, pela vida, certamente, seguirenos conduzindo. Cada um à sua maneira, em algum lugar do planeta: você fazendo malabarismos na própria vida e eu, reaprendendo a me equilibrar na beleza do acaso que é ser vista.

Agradeço por me lembrar que ainda posso redescobrir e capturar boas doses de mim.

M. 

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Dar a volta por dentro

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De vez em quando, gosto de olhar mar, como se eu olhasse pra minha vida, expectadora, como num filme, sem precisar mergulhar. Porque ali, olhando o mar, é que eu me desligo de me aprofundar. Ou talvez, me aprofundo sem perceber a dimensão desse mergulhar.


Há anos eu atravesso o mar, num barquinho de papel. Um mar, que tantas vezes, eu não quero entrar. Ele é profundo, barulhento e cheio de ondas. Meu barco já virou algumas vezes e precisei refazê-lo e, sem muita ajuda, pois os mergulhos que dei e dou, não apetecem quem me conheceu quando eu não sabia nadar, nem remar, nem mergulhar.

A cada dia que passa, escolho seguir me curando, pois não quero sangrar em quem passa, muito menos em quem escolher ficar. Embora eu saiba que, provavelmente, pode acontecer, não será proposital, nem por um coração amargo. O que tem por traz é um cansaço geracional que deságua em mim. Uma melancolia de estimação. Sabe Deus o porquê. 

Eu quero seguir me curando. E faço isso, cada vez que rio, cada vez que choro, me libertando de nós que não criei, mas agora, sou responsável por desatar.

Sigo remando, recuando, retornando, aprendendo, por vezes a desistir e mais ainda a descansar, de tantos mergulhos molhados de lágrimas, fundamentais em mim. Descobrindo como dar a volta por dentro...

P.S.1: "Pra você, que sabe que é pra você":
- Estou indo dominar o (meu) mundo. Você vem? 

M.🤎
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21 de ago. de 2025

Dance...

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Eu gosto de dançar. De seguir passos, da coreografia escorrendo pelo corpo e levando o corpo a escorregar. 

Durante a pandemia, vi uma possibilidade de aulas online e me inscrevi. Não fluiu muito e eu deixei passar. Fazia um tempo que eu não dançava, até mesmo na frente do espelho, em casa. 

Recentemente, me inscrevi para aulas presenciais e fui. Eu sei dançar. Eu tenho ritmo, tenho música em mim... 

Os primeiro exercícios: muita frustração. A dura diferença entre a expectativa da minha cabeça, e os passos de colegas que já estava fazendo aulas à alguns meses. Era prova de fogo para desistir. Mas eu estava ali pelo processo. E o processo valia a pena. 

Precisei lidar com a parte de mim que não gosta de errar, não fica confortável em mostrar que também erra e desaprendeu a escorregar.

Eu continuei, não da forma como gostaria, presente sempre e fielmente, mas da forma como pude.

Dançar é um jogo de controle e descontrole. Um certo controle sobre a técnica, o controle do corpo e movimentos. Mediados pelo descontrole do imprevisível, do erro, a relação com a música, a física se impondo sobre suas vontades e sobre o corpo que não é tão jovem quanto em outros carnavais. Há um estado de relaxamento e tensão que precisam se relacionar, amigavelmente.

E tem a minha paciência com o tempo das coisas. Que não estava tão presente. O meu corpo não obedecia e estava resistente ao comandos do meu cérebro. Mas eu reconheco que o contrário também é possível.

Senti o desconforto de ter que aprender algo novo, de novo, mas disso, eu precisei, conforme sabedoria popular: "aquilo que mais evita, talvez seja, o que mais precisa encarar". 

Então encarei a experiência como um convite que me fiz: me tirei pra dançar e fui. Errei passos, mas continuei, porque assim, vou reaprendendo a escorregar, a fluir, sendo menos concreta, mais leve, mais líquida. Mais presente em mim. Mais eu.

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20 de jan. de 2019

Para o teu percurso, eu te desejo um guarda-roupas...

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Há 14 anos saí de casa para morar noutra cidade há muitos km do castelo original: pode ser pouco para alguns, muito para outros, e é significativo para mim. A minha mudança resumia-se a uma mala tamanho muito grande com roupas, acessórios, produtos de higiene, caderninhos, canetas e livros, muitos livros. Além da mala, a estrutura de ferro desmontada da cama que eu tinha desde a infância, na cor rosa. Só alguns meses depois comprei um guarda-roupas, pequeno, duas portas, mas funcional e possível, na época. Foi emocionalmente organizador, conduzir outros movimentos que me fizeram construir a sensação de estar (mexer na mala todos os dias, fazia parecer ainda não ter chegado, em trânsito). Montar a cama, arrumar "as coisas" que eu nomeava como minhas e estabelecer espaço para cada uma delas, que não mais a mala de viagem, foi potente, afinal eu não estava mais viajando, eu tinha chegado. 

A reflexão é para compartilhar que há sempre uma mala na bagagem do outro que você convive, que você conversa e, vez em quando, é bom que alguém possa nos lembrar sobre isto. Eu também sou lembrada através das leituras, conversas e, por vezes, confusões na vida. Agora estou aqui para compartilhar e por isso, te desejo um guarda-roupas (simbólico ou real, se necessário). Que guarde memórias de superação para te lembrar que há percurso, e doses de reencontro com você mesmo, independente de mudar as roupas ou acessórios a cada estação. Eu te desejo um guarda-roupas ou caixas organizadoras para se conectar com o teu potencial de permitir apenas tudo aquilo que te traz alegria. 

| Assistir a série 'Ordem na casa' - @mariekondo, também me inspirou, então, fica a dica. |
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25 de mai. de 2018

Manual de instruções para um bom coração

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Para ler e re-lembrar.
Para compartilhar.
Para se permitir um outro olhar.
Pra vida.

*

Como se vê, quando se olha?
Como produz atenção e cuidado para consigo mesmo (a)? 


Como percebe e reconhece os sinais do seu corpo/mente?



Como tem feito as pausas necessárias?

Como está o reconhecimento e atenção às próprias emoções? 


Como anda o sentimento de otimismo diante da vida?



Como está lidando com as mudanças?
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4 de fev. de 2018

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Acordo, alguns dias bem mais cedo e me preparo. Escrevendo tomo consciência do que faço, mas na prática, já virou hábito e eu nem sempre percebo. Confiro as horas, a roupa, a mente; agenda, caneta, carimbo, algum livro necessário. Talvez umas orelhas bemmm grandes fossem úteis - pra ouvir melhor, sabe... Sigo para o consultório. Vez por outra vou caminhando, observando a rotina ao meu redor e vendo, ouvindo, sentindo, que todos nós estamos buscando algo que nos preencha significativamente. Talvez por estarmos sempre apressados e pouco observarmos sem julgar, estejamos ser humaninhos tão complicados... 

Chego. Entro. Ponho a chave para abrir o armário e por dentro também vira um chave em mim, que abre espaços para as histórias que vou ouvir. Os medos, anseios, possibilidades, incertezas, novas informações, insistências, desistências, corda bamba, superação, vidas reais. No meio de tudo, há, por vezes, alguém que não queria estar ali. Mas eu preciso estar para este alguém. E estar consciente de que o meu fazer refaz o outro ou, o contrário, se não houver cuidado. 

Essa história de que "a psicologia me escolheu", não encaixa nas minhas questões. Fui eu mesma que escolhi, sério. E escolhi porque ainda quero traduzir pessoas. Escolhi porque queria desatar nós, organizar coisas - e pessoas - apesar de ser necessário estranhamento antes de pôr em ordem. Por vezes, há também que se perceber - e aceitar - umas desordens necessárias. Talvez eu tenha sido bruxa, cigana, leitora de mãos, de bola de cristal, encantadora de cobras, em outros tempos por aí. Vai ver que sim.

Então, perdoa a bagunça que há por dentro e permita-se atravessá-la. Aqui, há espaço e ouvidos para histórias (e bagunças) de qualquer comprimento.

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15 de jan. de 2018

Escuta. Você escuta?

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A moça foi ao café de sempre, ou, talvez, de sempre que possível. A atendente pergunta: "o de sempre querida?" A conversa deveria continuar com a sua escolha do pedido, mas além de pedir ela costurou uma história  que era importante sobre a falta de saúde de alguém. A atendende então sentou à sua frente. E escutou. Fez duas ou três perguntas pontuais. Ouviu atentamente a história. Uma história que talvez fosse a primeira do dia, mas com certeza não seria a última. E só após ouvir anotou o que deveria pedir.

Achei bonito. Uma atitude de cuidado. Que a gente também encontre pessoas que nos ouçam, sem demasiada pressa. Que nós também sejamos àqueles que escutam, mesmo quando a história não é sobre nós.
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20 de ago. de 2017

Diário de Escrita Terapêutica

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Somos uma tríade imperfeita (eu - o outro - o mundo) que busca ajustar-se às inúmeras demandas: o que eu quero, o que o outro espera, o que o mundo exige. É intenso, por isto, precisamos insistir na escuta da própria voz, que deve ter o maior peso neste caminho que estamos trilhando. A escrita faz, tantas vezes, esta função de autocuidado, facilitando o cultivo de uma relação mais clara com as nossas emoções.

Eu recordo que desde comecei a escrever, escrevi: diário, registros soltos, redações na escola, rimas, poesia, cartões de aniversário, mensagens de natal para a família. A partir da inspiração em minha trajetória de vida, criei o Ebook Diário de Escrita Terapêutica, que apesar de conter a minha marca pessoal enquanto autora, é aberto para te acolher e faz um convite a cada página, para que o transforme em algo seu e reconheça a sua própria história até aqui, com seus jeitos e suas cores.

VANTAGENS


O Ebook Diário de Escrita Terapêutica, é um produto digital e você pode utilizá-lo através das mais diversas plataformas, desde seu smartphone, computador de mesa e notebook. Se preferir, pode imprimir todo o material ou escolher o tema, dentre os 15 exercícios, de acordo com o seu interesse. Leve-o com carinho para seu lugar preferido e permita um tempo especial e mágico para vivenciá-lo, afinal de contas, é sobre fazer as pazes com o seu precioso autocuidado.



📖🖋️ Para uso pessoal ou profissional.

➡️ O Ebook pode ser adquirido via email, em PDF (R$ 35,00 pronto para imprimir). 

➡️ O pagamento pode ser realizado através de transferência, enviando o comprovante para mayarapsicologia@hotmail.com. Em seguida, farei o envio.

Adquira o seu e me conta com está sendo a sua experiência!

Mayara Almeida
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9 de ago. de 2017

Sobre dias de escuta e afeto.

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Há um dia na semana, quando atendo noutra cidade, que, após o último atendimento da manhã, sento próximo ao portão de entrada, observo as pessoas, cumprimento e espero para almoçar. Há dias, mais de um, que desejamos algum cuidado e alguém que nos olhe de forma mais atenciosa, sem pressa e com afeto. Você concorda? 

Ele passou caminhando, do outro lado do portão, com seu facão guardado na parte traseira do short, e eu sorri em sinal de cumprimento:
- Bom dia fia!
- Bom dia!
Parou, mesmo sob o sol quente e inicou:
- Eu tô com o corpo todo muído.
- E o que foi? (Levantei e me aproximei do portão para conversar melhor).
- Deve ser o movimento das coisa que eu faço.
- Precisa descansar também, pra melhorar.
Chega o seu neto de cinco anos e me diz que foi pra escola (é um hábito entre nós, pois sempre falo que estudar também pode ser muito legal e é importante).
- Ah que ótimo! E o que mais você fez de bom?
O avô interrompe: - Pergunte pra onde ele vai.
E Eu: - Você vai pra onde?
- Vou pegar os bicho.
- Ai meu Deus! E se os bichos te pegarem? (Damos risada).
- Pega não.
Completa o avô: - Ele é macho, já tira leite e corta os mato.
- Muito bem! Você o ajuda, isso é bom! E faz carinho também? Ele disse que está dodói. Cafuné ajuda a melhorar, sabia? (Coloquei a mão entre a grade do portão e acariei a cabeça da criança, que sorria). Ele, parado sob o sol, em posição lateral, esperando o neto e com um sorriso de canto, satisfeito, talvez, por esquecer a dor por alguns minutos e ganhar um afago no coração). 
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6 de ago. de 2017

O que você faria?

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Gosto muito de escrever ao ar livre. Entre as paredes do apartamento, as ideias parecem se prender e limitar. Mesmo que eu abra as janelas, as portas, nem sempre vem. Hoje decidi ir ao um café no bairro, onde vejo árvores e o vento é cliente certo. Estava disposta a exercitar a escrita terapêutica - aquela que é expressa sem rastreamento prévio do pré-consciente e ainda levei um livro, para inspiração de um projeto futuro. Cheguei no local, coloquei meu café, alguns acompanhamentos e sentei numa mesa para dois, mas eu estava sozinha. E antes de poder aproveitar este momento: 

- Tem alguém com vc?
- Não.
- Então, licença. Fulano, pega uma cadeira, vem.

Geralmente quando isto acontece, eu me apresso para finalizar e sair, mas hoje não. Resolvi ficar e perceber, observar, enquanto aproveitava o meu café. Fazia o contrário, a minha "companhia" na mesa:

- Vou terminar de comer e não chega o suco. Aff, é açúcar mascavo. Eu falo mesmo. Não invente de comprar celular que não presta. Segura aqui a nota pra não voar.

Ja terminei o meu café e estou aqui, na frente deles, escrevendo no celular, enquanto discutem sobre o peixe que ela queria comprar, o celular dele que está descarregando, a bolsa dela que ficou no carro e a pamonha que, na opinião dela, está requentada. Ainda tentei ajudar, oferecendo uma colher para misturar melhor o açúcar e um sorrisinho, para adoçar as tantas informações agitadas. 

Estou aqui escrevendo no ato. E enquanto penso em levantar e ir - agora eles já foram - reflito sobre as inúmeras vezes em que não aproveitamos os momentos, estando apressados e irritados com o que não foi vivido ou controlado por nós. Eu tentei, apesar de tudo, aproveitar e não seguir o fluxo da pressa ou da insatisfação por ter os meus desejos de café com silêncio interrompidos. Parece que há sempre uma escolha interna, não é? E ainda, ganhei uma história pra contar...

• Instagram: @psimayaralmeida •
Use as hastags: #escritaterapeutica #escreverpararespirar #autocuidado #propositodevida #desenvolvimentopessoal
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23 de mar. de 2017

More sozinho, mas não vá muito longe...

Um comentário :

Outro dia, conversando com um jovem recém chegado nesta que chamamos de vida adulta, ouvi um relato incomodado por ainda estar morando com a família; queria liberdade e privacidade; queria lavar a louça a qualquer hora ou nem lavar e não se preocupar com a roupa suja. Claro, sei que em inúmeras famílias as relações são delicadas e estar longe é até mais saudável, mas aqui, refiro-me ao desejado lugar comum onde as pessoas se respeitam. Sobre o jovem, ele disse que eu não sabia o que era difícil porque não morava mais na casa da família. Sim, não mais, porém, já estive neste lugar.

E todos nós já desejamos - em segredo - o desaparecimento momentâneo de alguns membros da família... Até que sentimos saudades e nem sempre assumimos. Sim, é bem verdade que esta saudade mobiliza-se quando percebemos que o café não se faz sozinho, a louça não é descartável e, portanto, precisa ser lavada para que você possa servir um alimento agradável num prato que não vai se rasgar... E a roupa - isso é mesmo triste - precisa ser limpa semanalmente e, algumas vezes, até costurada (tragédia para quem usa camisa de botões). Quem fará isto, senão, você mesmo ou serviços terceirizados, quando não se tem um familiar que se importa com você por perto? Custa tempo e dinheiro, nem sempre sobrando.

Sair de casa e a vida será perfeita: uma cilada. A distância nem sempre permite encontros trimestrais, quiçá mensais, pois há horário para chegar e partir. A vida adulta nos engaiola; compromissos, tempos de urgência, planos e prazos; a louça, a roupa, os botões, a alimentação... Crescer e amadurecer nos exige equilíbrio, que é aprendizado diário e, portanto, precisamos da família para estabelecer e estabilizar nossos excessos. 

Sim, sugiro que você saia de casa, assim que for possível e saudável: estudo, trabalho, casamento... É muito bom construir a própria rotina. Mas aqui vai a cereja do bolo: não se afaste demais: 50 metros é suficiente; ok, 100 metros no máximo. Afinal, não há contra-indicações para bons afetos... E claro, é sempre bem-vindo, um apoio humano na tão sonhada rotina independente. 

PS: Tem uma louça suja e indesejada me encarando e eu fiz a unha pra tentar adiar... Quem nunca? Hahaaa.

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8 de mar. de 2017

E se, no mundo, só existissem mulheres?

9 comentários :

No dia internacional da mulher, escrevo para todos, pois acredito que um entendimento positivo precisa alcançar pessoas, independente de gênero. 

Num dia onde nós, mulheres, receberemos elogios, flores, mensagens e ações diversas, gostaria de conversar sobre um mundo sem homens. Mas por que? Porque ouço e percebo que há uma grande voz social atuando com exclusões de gênero desnecessárias - considerando as minhas reflexões sobre o assunto. Ser mulher não significa afastar outras pessoas (neste caso, homens) pois a nossa vida, por vezes é um slickline (modalidade esportiva na qual o objetivo é a manutenção do equilíbrio sobre fitas amarradas em árvores) e daí, a necessidade de vivermos em 

Perguntei à alguns homens e mulheres: "O que acha de um mundo sem homens?". Eis as respostas:

●"Um mundo com mais companheirismo entre as mulheres, menos competição e valorização de si mesmas pelo próprio feminino... Porém, não seria o mundo ideal, pois o ideal são os gêneros diferentes estão em equilíbrio". [Mulher]

●"Como também sou homem, creio que a minha existência seria reprimida e jamais iria existir alguém como eu para uma mulher amar e ser amada, sendo assim seria uma vida vazia para ela e sempre iria estar sentindo a falta de algo, eu!". [Homem]

●"Acho que fica menos plural, menos cortês e elegante. Menos romântico e atraente. Com menos gente, menos cor e diversidade". [Mulher]

●"Mesmo com os avanços contemporâneos em que dispomos do incremento das máquinas e a tecnologia da internet das coisas, acredito não ser inteligente um mundo sem homens, da mesma maneira, sem mulheres. Cada qual exercendo seu papel complementa associando ao outro nas missões que lhes cabem. Acredito ainda, que resta equilibrar com serenidade as relações afim de encontrarmos um estado maior de vibrações possíveis à melhor relação dos seres como pessoas, para um salto ao mundo moral necessário à caminho da luz [...] Um mundo onde pessoas se amem sem rótulos ou diferenças. Para isso precisamos de mulheres e homens". [Homen]

●"Acredito  em uma sociedade sem gêneros - permeadas por valores como : caráter (integridade) física, mental e espiritual. Não há espaço para gênero". [Homen]

●"Inviável". [Homem]

●"Seria um mundo que logo se tornaria sem perspectivas e sem graça alguma, pois  a mulher não conseguiria viver sem ter os momentos de alegrias que nós homens companheiros proporcionamos, tanto no  lado  pessoal e profissional e também não teriam as dores de cabeças que alguns homens causam. Enfim, homens e mulheres se completam". [Homem]

●"Na verdade, nunca pensei sobre isso.. talvez pq imagino um mundo onde todos podemos ser quem quisermos; onde homens e mulheres possam viver e conviver com suas diferenças, sem que isso seja um problema". [Mulher]

●"Seria desestimulante. Saber que não poderia ter os olhos que nos admira, o sorriso que nos encanta e os abraços que nos conforta, daria um certo tédio. Sobreviver, com certeza, conseguiríamos, mas que graça teria ter tudo, sem ter um parceiro, um irmão, um tio, um pai...". [Mulher]

Estas respostas, me levaram a uma unidade nas reflexões: pessoas que não se conhecem ou não têm convivência, sao de gêneros diferentes e desejam um mundo equilibrado, pois temos sede de caminhar ao lado, não atrás ou à frente. Não um mundo igual, mas com disponibilidade para ressignificar as diferenças. É, falta agora assumirmos isto e não alimentar uma autosuficiência que não se sustenta de maneira saudável. Queremos pessoas do bem e para o bem. Homem ou mulher, que sejam humanos, enfim! Pois a questão não parece ser o gênero em si, mas as escolhas que fazemos, todos nós. O que você anda escolhendo defender por aí? [Esta reflexão é profunda, e não pretendo encerrá-lá por aqui, apenas te convido a refletir, se você se permitir].

PS: Agradecimento especial ao amigo que me inspirou o  texto, ao parceiro que tem compartilhado a vida comigo e às pessoas que se dispuseram a parar um pouco a vida corrida, pensar e escrever sobre o assunto solicitado. Ah! E feliz vida às mulheres! Lembrando que o futuro é unisex. 

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9 de jul. de 2016

O objeto como fim de "escutoterapia". (In)suficiente?

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Quem já adquiriu algum objeto para uso de lazer ou trabalho e, após não tê-lo mais, foi acometido por uma sensação de perda, num nível intenso porque parecia ter significado de relação humana?

Esses dias, um amigo foi furtado e relatou o quanto a perda daqueles objetos havia sido significativa, mas de um jeito ruim. Por trabalhar em locais diferentes, precisa viajar bastante e dentro do carro, numa mala, estão os itens de vida diária necessários e o som do veículo, que tantas vezes, foi a sua companhia, nos percussos para casa-trabalho: sensação foi de perda concreta de uma companhia. Ilustro com este exemplo para convidar a refletir sobre as relações imaginárias que criamos com as "coisas" ao nosso redor. O som que me faz companhia, a poltrona que me acalenta, o travesseiro que me ouve, o celular que me faz parecer útil. Nossas relações com seres inanimados tomando configuração de afeto. Algo que pode vir a barrar-encobrir-ameaçar a nossa necessidade de interações essencialmente humanas: pessoa-pessoa.

Fiquemos atentos: vão-se os anéis, ficam-se os dedos. E novos desejos serão (re)feitos. 
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6 de jul. de 2016

O afeto e um distanciamento inconsciente

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Ônibus não-lotado. Alguns pares de cadeiras vazias. Algumas pessoas em assentos sozinhas. Onde você escolhe sentar? Do lado de alguém ou numa cadeira do par vazio? 

Na maior parte das vezes, nós - e sim, eu me incluo - escolhemos sentar sozinhos, cadeira vazia ao lado e, não é incomum, ainda desejarmos que ninguém escolha ocupar aquele outro lugar. 

Apesar de sermos gerados por pessoas, convivermos com pessoas e basicamente, existirmos para interação com pessoas, passamos muito tempo ao lado de coisas, "interagindo" com objetos, afastando a afetividade humana do nosso dia-a-dia. 

É saudável estarmos atentos à este afastamento, por vezes, inconsciente e que nos distancia da "substância" mais essencial da vida: o afeto. 

Mayara Almeida 
Psicóloga - CRP 13/5938
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27 de jun. de 2016

Quem é a sua inspiração humana?

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Você já pensou quem são os seus bons exemplos? Sim, quem são as pessoas que você admira ou que, de alguma forma, te inspiram a pensar e fazer o bem?

Não falo de grandes nomes e/ou personalidades que marcaram a humanidade, mas pergunto sobre pessoas comuns que fazem sentido no seu dia-a-dia.

Já pensou como é importante ter alguém por perto que cause encantamento e emane disposição afetiva para que possamos ser melhores? E se você também for assim? Invista no bem. Seja a inspiração de alguém.

Mayara Almeida
Psicóloga - CRP 13/5938
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13 de jun. de 2016

Sim, felicidade também cansa.

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Não sei qual a interpretação que você fez a partir do título, que é a primeira chamada sobre o texto, mas se está a ler aqui, provavelmente algo te deixou atento para que continuasse. Pois bem, quero dividir uma reflexão sobre o estado felicidade. Sim, também cansa. Mas você se perguntar: "como pode cansar se é algo bom?". Faz muito sentido, porém, a ideia que trago é que a felicidade exige de nós investimento. É preciso organizar o tempo, os afazeres diários, sair da zona de conforto, encarar a ilusão que foi ou está sendo construída sobre o outro ou a situação. Vivenciar limites, lidar com frustrações e aprender a fazer uso do sentimento mais primário de todos: o amor. E reavivar a relação com o seu próprio espelho mágico, sobre as questões intrínsecas que noutro momento não apareceriam, se não fosse a busca e o encontro com a possibilidade de felicidade. 

Um relacionamento amoroso, por exemplo, é uma ótima ilustração para compreender que a felicidade cansa. É muito bom estar junto e compartilhar sentimentos, mas é um exercício constante de cultivo e cuidado. E depois de um dia incrível ao lado da sua melhor companhia, depois de você mesma, a primeira coisa que deseja fazer é dormir. Porque a felicidade também cansa meus queridos... Mas de um jeito diferente e necessário para a vida humana. 

Mayara Almeida
Psicóloga - CRP 13/5938
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