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3 de out. de 2026

Toque de apoio

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Quando percebemos uma ameaça, como fracasso ou rejeição, nosso sistema nervoso simpático, ativa a clássica resposta de luta, fuga ou congelamento. Nossos níveis de cortisol aumentam. Nosso corpo reage como se estivéssemos em perigo, mesmo que o "inimigo" possa ser nossa própria humanidade imperfeita. Lutamos contra nós mesmos com críticas severas, esperando que isso nos ajude a ficar alertas e evitar danos. Fugimos para a vergonha ou ruminamos, acreditando que, se pensarmos no problema por tempo suficiente, o resolveremos. Em nível fisiológico, nossos corpos estão tentando nos proteger e nos manter seguros - só que não de uma maneira muito útil.

Quando outros cometem um erro ou enfrentam problemas, não nos sentimos tão ameaçados pessoalmente, pois um mecanismo de segurança diferente pode entrar em ação: o sistema de cuidado, pois a sobrevivência de pessoas próximas nos ajuda (e aos nossos genes) a sobreviver.

Também podemos aprender a responder a nós mesmos com cuidado em vez de crítica ou ameaça e quando praticamos autocompaixão, os níveis de cortisol e frequência cardíaca diminuem e os marcadores de calma e resiliência emocional, aumentam. Uma maneira eficaz de habituar-se ao estado de calma é usar práticas que sinalizam segurança para o corpo, como o toque de apoio. Colocar a mão sobre o coração, automassagem, ativam as vias associadas ao sistema de cuidado e mesmo que sua mente, não consiga alcançar, seu corpo consegue. Aenas 20 segundos por dia de toque de apoio, diariamente, durante um mês, são suficientes para aumentar significativamente o hábito da autocompaixão.

Nossa biologia tende à autocrítica sob estresse, mas podemos treinar o corpo e a mente para enfrentar as dificuldades com cuidado. Esses atos simples, podem mudar o seu sistema nervoso e a sua vida.

M. 
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Compulsão por jogos de apostas

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O anúncio do Ministério da Saúde sobre a criação de um novo serviço do SUS voltado ao atendimento de pessoas com compulsão por apostas online marca um avanço importante na forma como o Brasil começa a tratar esse problema como uma questão de saúde mental — e não apenas como falta de controle ou irresponsabilidade individual.

As chamadas “bets” fazem parte de um fenômeno relativamente recente no país, mas que cresceu de forma muito acelerada. Hoje, as apostas online estão na palma da mão, disponíveis 24 horas por dia, com forte estímulo publicitário e promessas de ganho rápido. Do ponto de vista psicológico, esse tipo de jogo ativa mecanismos muito potentes do nosso sistema de recompensa cerebral. A lógica da recompensa variável — quando a pessoa nunca sabe exatamente quando vai ganhar — é a mesma que sustenta outros comportamentos aditivos. Isso aumenta a excitação, a expectativa e dificulta a interrupção.

O que muitas pessoas ainda não compreendem é que a compulsão por apostas não é apenas um “mau hábito”. Ela pode se tornar um transtorno, com impactos profundos na vida financeira, emocional e familiar. Estudos já apontam prejuízos econômicos e sociais bilionários no país, mas, para além dos números, estamos falando de endividamento, conflitos conjugais, rompimentos familiares, ansiedade, depressão e, em casos mais graves, risco aumentado de ideação suicida.

Um ponto muito relevante desse novo serviço é que ele oferece atendimento gratuito por teleconsulta, com sessões de aproximadamente 45 minutos, podendo chegar a até 13 encontros com uma equipe multiprofissional formada por psicólogos, terapeutas ocupacionais e, quando necessário, psiquiatras. Isso amplia o acesso e reduz uma das principais barreiras ao cuidado: a vergonha. Muitas pessoas demoram a buscar ajuda porque sentem culpa, medo de julgamento ou dificuldade de admitir que perderam o controle.

O acesso acontece pelo aplicativo Meu SUS Digital, onde o usuário realiza um autoteste para identificar o nível de risco. Casos moderados ou graves já são encaminhados automaticamente para o atendimento online, enquanto situações mais leves recebem orientação para procurar a rede presencial. Essa triagem inicial é importante porque permite que o cuidado seja direcionado de forma mais adequada.

Outro aspecto que merece destaque é a inclusão de familiares e pessoas da rede de apoio no atendimento. A compulsão por apostas raramente afeta apenas quem joga. O impacto costuma atingir todo o sistema familiar. Por isso, envolver a família no processo terapêutico não é apenas um detalhe — é parte fundamental do tratamento.

Além do atendimento clínico, a disponibilização de uma plataforma de autoexclusão para bloquear o acesso aos sites e reduzir a exposição às propagandas também é uma estratégia interessante. Sabemos que, em casos de comportamento compulsivo, diminuir estímulos ambientais é uma medida concreta de proteção. Não se trata apenas de “força de vontade”, mas de criar barreiras que ajudem a interromper o ciclo.

Do ponto de vista da saúde pública, essa iniciativa sinaliza um reconhecimento importante: estamos diante de um problema coletivo que precisa de resposta estruturada. A compulsão por apostas não nasce no vazio. Ela se insere em um contexto de vulnerabilidade econômica, promessa de dinheiro fácil, pressão social por sucesso rápido e alta exposição digital.

Por fim, é essencial reforçar que buscar ajuda não é sinal de fraqueza. É sinal de responsabilidade consigo mesmo e com quem está ao redor. Quando o Estado amplia o acesso ao cuidado, ele também contribui para diminuir o estigma. E quanto mais falarmos sobre o tema de forma aberta e informada, mais chances teremos de transformar sofrimento silencioso em possibilidade real de tratamento e recuperação.

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3 de set. de 2026

O cuidado das mulheres, também precisa ser estudado por mulheres

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O sistema nervoso feminino nunca esteve quebrado. Ele foi estudado por homens, tratado por homens e diagnosticado por sistemas que nunca questionaram como as mulheres realmente se desencarnam.

Van der Kolk. Levine. Porges. O trabalho deles mudou o campo. Mas suas estruturas emergiram de corpos em crise aguda. Então, elas foram entregues às mulheres sem perguntar se nossa descorporificação parecia a mesma.

Descorporificação. Não parece. A descorporificação feminina não requer um único evento traumático. Acontece na vida comum. Seja desejável, mas não sexual demais. Carinhosa, mas não carente. Administre as emoções de todos. Ocupe menos espaço. Este é o ar que as mulheres respiram.

O sistema nervoso feminino é feito para o ritmo. Para a sintonia. Para a conexão. Ele não se cura sob pressão. Ele se cura quando é atendido. E o mundo continua exigindo o oposto. Então, fomos em busca de algo. E encontraram uma indústria que oferecia regulação sem relacionamento. Ferramentas projetadas para corpos isolados - não para corpos que se curam através da conexão.

O que é rotulado como ansiedade muitas vezes é uma percepção precisa. O que é rotulado como sensibilidade muitas vezes é uma sintonia precisa. O que é rotulado como burnout muitas vezes é o seu corpo se recusando a continuar funcionando. Seus sintomas não são disfunções. São o seu sistema nervoso dizendo a verdade sobre o que você está vivendo por dentro.

"O corpo guarda as marcas" tornou-se a linguagem da cura. Mas é uma metáfora masculina. Trauma como marcas de contagem. Sintomas como prestação de contas. Os corpos das mulheres não guardam marcas. Eles guardam a história. A história de ser observada antes de ser vista. De aprender que seu corpo pertenceu a outros antes de pertencer a você.

Você não pode se autorregular em um mundo que te desregula. O autocuidado se torna outra forma de silenciamento quando implica que o problema é sua incapacidade de se acalmar e não a cultura que atrela seu valor à sua aparência, extrai seu trabalho e lucra com sua descorporificação.

Mulheres corporais são inconvenientes. Sentem a verdade no peito antes de conseguirem explicá-la. Elas param de regular para o conforto dos outros. Elas se tornam indisponíveis para os sistemas que precisam delas esgotadas.

Voltar para o seu corpo não é aprender a tolerar mais. É finalmente entender a história que seu sistema nervoso estava guardando. E deixar seus sintomas fazerem sentido.

✨

Inspirado em Ailey Jolie, MPC, MA - Psicóloga Somática

Podcast In This Body / www.aileyjolie.com / @aileyjolie

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28 de ago. de 2026

Autorrevelação da analista

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Penso em você além do tempo em que está sentado à minha frente. Entre as sessões, pesquiso tópicos relacionados ao seu caso, passo horas fazendo anotações e planejamento, 

converso com colegas para garantir que estou fornecendo o melhor tratamento. E embora eu saiba sobre técnicas e estratégias científicas, continuo aprendendo todos os dias. Para também (me) acompanhar. Trabalhar como psicóloga não me torna imune à dor, me faz ter mais consciência dela. 

Meu propósito é despertar a empolgação e a singularidade do seu próprio processo evolutivo, para que sua vida se torne uma jornada significativa.

Responder mensagens, café da manhã, exercício físico, banho, validar a dor de uma infância sem afeto, acolher o luto, preencher prontuários, celebrar uma conquista, almoçar ajudar uma pessoa com depressão, manejar a desconfiança na relação terapêntica, promover enfrentamento do medo de uma crise de pânico, uma fruta, cuidar de um machucado, reconhecer uma relação abusiva, organizar a agenda, dar espaço para a raira, evocar motivos para viver, emitir nota fiscal, responder novas mensagens, banho, jantar, refletir, dormir. 

É mais do que cinquenta minutos.

M. ✨

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4 de fev. de 2026

Pensar rápido ou devagar: eis a questão

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Baseado  em: Evans, I. M. (2015). How and why thoughts change. New York: Oxford University Press. 

Diversas pesquisas em Psicologia têm demonstrado que alguns dos nossos pensamentos são extremamente rápidos, impulsivos por assim dizer, e geralmente um carregados de emoção. Pense nas vezes que você fez um julgamento precipitado, falou algo que se arrependeu depois, enviou um e-mail desaforado, comprou alguma coisa que não precisava no calor do momento ou então gritou com seus filhos ou outra pessoa que você ama. Com certeza você já fez coisas desse tipo - todos nós fazemos.

Por outro lado, também temos outro tipo de pensamentos, que são mais frios, lentos e deliberados. Às vezes, pensamos sobre nossos próprios pensamentos de forma reflexiva e construtiva, sem nos preocuparmos com o conteúdo eles.

Nós realmente precisamos de ambas formas de pensar.

- Pensamentos rápidos são absolutamente necessários para automatizar a realização de tarefas rotineiras, de modo que possamos investir nossa capacidade mental em outras atividades mais demandantes.

- Pensamentos lentos, por seu turno, são imprescindíveis para fazermos julgamentos mais acurados e agirmos de forma adaptativa nas situações complexas da vida (aquelas em que muitos fatores importantes estão em jogo).

O problema é que os pensamentos rápidos, por geralmente serem mais baseados na emoção do que na razão, às vezes podem colocar você em apuros. Isso, provavelmente, é o que acontece com você nas situações que lhe incomodam: você é muito rápida em tecer comentários auto-críticos para si mesma, ou ligeira demais em julgar uma situação como uma ameaça ao seu bem estar físico ou psicológico. Devido ao fato do pensamento rápido ser baseado em suas experiências do passado e dirigido por emoções escondidas, nem sempre você terá consciência da origem desses pensamentos.

Suponha que você diga para si mesma: “ser feio é ruim” - esse é o seu pensamento automático ao olhar-se no espelho. De onde veio tal pensamento? Não há como saber com certeza, mas provavelmente sua origem está relacionada ao bulliyng, ou do consumo de informações manipuladas em redes sociais e tv. Todas as emoções agradáveis ou negativas, são armazenadas em nossa memória - não de maneira precisa e associada a uma lembrança específica, mas como registros negativos genéricos. Estes registros, por sua vez, passam a funcionar como uma espécie lente através da qual vemos o mundo, dando o "colorido" (ou falta dele) às experiências atuais. 

Assim, não faz sentido dar a você orientações do tipo “pare de ter esses pensamentos negativos!”, pois eles são automáticos, involuntários e constituem parte integral do funcionamento psicológico normal. Por outro lado, o que faz sentido é, tentar equilibrar esses pensamentos rápidos e intensos com outros pensamentos mais lentos, mais reflexivos e mais baseados na realidade e contexto do momento.

Quando você está de mau humor, pessimista, se sentido deprimido ou algo que o valha... adivinhe! O esquema negativo que você tem sobre si, fica mais forte e seus pensamentos automáticos autocríticos tornam-se mais frequentes. Pensamentos ruins, fazem com que outros pensamentos ruins, sejam mais prováveis de ocorrer. Pesquisadores do estresse afirmam: "zebras não têm úlceras"! Por quê? Porque entre um e outro episódio de perigo real - como ser perseguida por um leão - elas não estão ruminando negativamente sobre suas experiências, lamentando por não terem comido mais daquele pasto nutritivo ou culpando suas mães por não tê-las treinado para correr mais rápido. Consegue perceber a diferença em relação a sua forma de encarar a vida?

A boa notícia a respeito do funcionamento da mente humana é que, da mesma forma que pensamentos negativos atuais facilitam a ocorrência de novos pensamentos negativos, a presença de pensamentos positivos favorece o surgimento de mais pensamentos positivos. Em outras palavras, é possível transformar o círculo vicioso em um círculo virtuoso.

M.

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9 de jan. de 2026

Pó quebrado e uma reflexão sobre hábitos

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Porque escolhemos infernos conhecidos ao invés de paraísos desconhecidos?

Dia desses, meu pó facial caiu e despedaçou. Ele ainda estava na metade, então, em vez de descartar, decidi que usaria, do jeito que desse e coloquei noutro lugar para evitar sujeira desmedida, no ambiente de maquiagem. Assim, usei o "pó quebrado" por quase três meses e quando não deu mais, comprei outro.

A questão é que, mesmo já usando um pó facial novo há mais de duas semanas, meu cérebro insistiu em me levar para o lugar antigo, onde o pó quebrado costumava ficar. Puro hábito, uma espécie de piloto automático que me empurrava para o "inferno conhecido" (o local do pó quebrado) em vez de me direcionar para o "paraíso desconhecido" (local mais prático, junto dos outros produtos de maquiagem).

Esta situação é um exemplo de que hábitos novos podem levar um tempo para se enraizar. Por mais que a gente queira mudar, nosso cérebro busca a segurança do que já conhece, mesmo que não seja o mais adequado, buscando nos proteger do novo pois, não sabendo como será, repete a ação anterior.

Precisa nos ser constantes e insistentes, para que o novo hábito se estabeleça. É como plantar uma semente: não vemos a flor desabrochar no dia seguinte, mas sabemos que, com paciência e cuidados necessários, ela vai se desenvolver.

Um pó facial num lugar diferente, uma nova rotina ou outro objetivo que envolve o seu comportamento, convida a reconhecer que o novo pode ser desconfortável no início, mas é ali que o crescimento acontece.

Qual é o "pó quebrado" que você insiste em buscar, mesmo quando há um "pó novo" te esperando noutro lugar?
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24 de ago. de 2025

Como identificar e mudar padrões relacionais?

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  • Os nossos padrões são construídos:

1. Por condicionamento social: Aprendemos a nos comportar com base no que experimentamos, no que vemos sendo modelado em nossos vínculos, na mídia e na sociedade.

2. Por não conhecer situações diferentes: Se não vimos ou experimentamos dinâmicas de relacionamento saudáveis, não sabemos como se parecem ou como criá-las.

3. Por Mecanismos de enfrentamento: Padrões podem ser resultado de estratégias de enfrentamento que aprendemos na infância, por exemplo: se afastar e ficar em silêncio para manter alguma segurança ou estar emocionalmente distante porque não sente que pode confiar.

4. Por Medo: Às vezes, o medo de perder, a baixa autoestima ou sentimentos de indignidade nos torna hiperconscientes de nossos padrões e, portanto, é muito difícil observá-los e mudá-los. Torná-los visíveis através da escrita, pode ser um caminho de autocuidado.

  • Questione:

- Em que áreas dos meus relacionamentos tenho problemas consistentes, com comunicação, questões emocionais, confiança?

- O que desperta emoções fortes em mim? Como administro essas emoções quando elas estão presentes?

- Há alguma experiência relacional passada que esteja influenciando a forma como me relaciono atualmente? Qual é o impacto disso: positivo ou negativo?

- Alguém próximo e importante me deu algum feedback sobre possíveis padrões? Estou aberto a receber feedback?

  • Como começar a mudar padrões relacionais:

- Esteja presente: preste atenção à dinâmica ou aos padrões e observe quando  surgem.

- Questione como você faz as coisas, caso não estiverem funcionando. Existe outra maneira de responder, se comportar ou pensar sobre a situação?

- Tente algo novo: para alcançar um resultado diferente, precisamos realmente nos comprometer a fazer as coisas de maneira diferente. Pratique tolerar o desconforto.

- Comunique-se: fale sobre a dinâmica ou padrões repetitivos.

- Pratique: continue praticando. Leva tempo e esforço para fazer mudanças e mudar padrões, então seja gentil e paciente consigo mesmo(a). 

Quebrar velhos padrões relacionais é um trabalho corajoso. Não há problema se parecer lento, confuso ou desconhecido. Cada momento de consciência, cada pausa intencional, cada nova escolha, é um poderoso ato de cura. Você não está falhando, está aprendendo. 

Quando queremos aprender a comunicar melhor e evitar brigas e discussões desnecessárias, ou outro novo comportamento, é importante saber que esse processo pode ser desafiador, porque precisaremos aprender a fazer algo que ainda não sabemos. Aprender a expressar melhor em situações difíceis, a controlar as emoções, a impor limites, a conversar sem reatividade, a desacelerar num mundo que cobra rapidez, é um processo de reeducação profunda. Não é do dia para a noite e não tem fórmula mágica (lamentável, eu sei). Ser aprendiz não é fácil: dá trabalho, angustia, tem frustração, tem confusão. Mas ser iniciante, é o único caminho.

Fonte: @LUCILLE.SHACKLETON

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16 de ago. de 2025

Melanie Klein e a vida intrauterina - um território não explorado.

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Não há base numa citação direta de Klein. Mas o pensamento kleiniano, com sua ênfase no inato e na pulsão de morte, abre um campo teórico, para incluir a vida intrauterina como um cenário de fantasias primitivas. Foco nos conceitos que abrem espaço para a minha ideia, mesmo que a própria Klein não tenha explorado esse espaço e encontro uma base indireta, em dois conceitos-chave da teoria kleiniana:

► Klein estabeleceu que a pulsão de morte é inata e que a fantasia é uma realidade psíquica. Partindo dessas duas premissas, entendo que a vida intrauterina, o primeiro ambiente do indivíduo, é o cenário onde a pulsão de morte já atua, e onde as primeiras fantasias se formam, mesmo que de forma rudimentar, como sensações e estados psíquicos.

 ​1. A Pulsão de Morte e o Inato

​Melanie Klein se diferencia de Freud ao postular que a pulsão de morte é uma força destrutiva e inata, presente desde o nascimento. Para ela, essa pulsão não é apenas uma ideia teórica; ela se manifesta na forma de uma angústia primordial, que o bebê projeta para fora em um ambiente hostil.

​A vida intrauterina é, por definição, um estado de proteção contra o ambiente externo. O nascimento, por sua vez, é um evento dramático, de separação e exposição. A pulsão de morte, sendo inata, já está ativa no útero. A angústia - o afeto dessa pulsão - seria desencadeada pelo nascimento. A fantasia inconsciente, então, não seria sobre o útero em si, mas sobre o medo da aniquilação (a pulsão de morte) que o bebê sente ao vir ao mundo.

​Embora Klein não mencione o útero, ela não nega a existência da pulsão de morte antes do nascimento. Portanto, minha premissa é que se a pulsão de morte existe desde o início da vida, também existem, as fantasias a ela associadas.

​2. A Fantasia como "Realidade Psíquica"

​Klein foi pioneira ao tratar as fantasias inconscientes como uma realidade psíquica, tão importante quanto a realidade externa. Para ela, o bebê não apenas reage ao seio materno; ele o molda em uma fantasia, transformando-o em um "seio bom" ou "seio mau".

​A vida intrauterina é o primeiro e mais primitivo ambiente do indivíduo. A sua experiência neste ambiente, mesmo que seja de forma rudimentar (movimentos, sons abafados, sensações de calor e frio), poderia ser a matéria-prima para as primeiras fantasias.

​O bebê não precisa ter consciência do útero como um objeto externo para ter uma fantasia sobre ele como uma realidade psíquica. O útero é a primeira "realidade interna" do bebê, e que as sensações de aconchego ou, em contrapartida, de restrição, já seriam as primeiras fantasias. Nesse sentido, a fantasia não seria sobre o útero como um objeto externo, mas sobre as sensações e os estados de ser que o bebê experimenta dentro dele.

 Referências

• Klein, M. (1996). Obras completas de Melanie Klein: Vol. 1 - Amor, Culpa e Reparação e Outros Trabalhos (1921-1945). Rio de Janeiro: Imago. (para os conceitos de Pulsão de Morte e Inato) - Klein realmente postula que as fantasias são inatas e que a pulsão de morte existe.

- Estágios Iniciais do Conflito Edipiano (1928) - Klein descreve a natureza inata da angústia e das fantasias primitivas. O conceito de "posições" (esquizo-paranóide e depressiva) é central aqui e a base para isto já existia no útero.

• ​Ferenczi, S. (2011). Thalassa: Ensaio sobre a Teoria da Genitalidade (Originalmente publicado em 1924) - Conceito de regressão à vida intrauterina e a ideia de que o nascimento é um trauma que inicia uma busca por um estado de fusão e segurança. Ferenczi é a principal referência que conecta a psicanálise à vida intrauterina.

• ​Bion, W. R. (1991). Obras completas de Wilfred R. Bion: Vol. 1 - Experiências com Grupos (Originalmente publicado em 1961). Rio de Janeiro: Imago.

• ​Winnicott, D. W. (1983). O Ambiente e os Processos de Maturação (Originalmente publicado em 1965). Porto Alegre: Artes Médicas. Os conceitos de "dependência absoluta" e "holding", descrevem um estado em que o bebê e a mãe formam uma unidade, um eco da vida uterina.

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14 de ago. de 2025

Entrevista - Adultos adotam chupeta para aliviar estresse e ansiedade

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(Entrevista concedida à TV Correio - Programa Com Você) - AGO/25

1. O que está acontecendo com os adultos?

Concordo que há uma “busca por conforto ou segurança emocional, a partir de objetos associados à infância. Há objetos que ajudam a criança a lidar com a ansiedade da separação, e na Psicanálise, há um conceito chamado de objetos de transição, de Donald Winnicott. Para adultos, a busca por objetos ou atividades que remetem a um tempo de menos responsabilidades pode ser um mecanismo de autorregulação emocional, porém, que merece um olhar cuidadoso.

2. Quais os limites entre bem-estar e escapismo?

O bem-estar é quando o objeto ou comportamento complementa a vida adulta. Por exemplo, usar um chaveiro der um personagem de um desenho, na bolsa, enquanto a pessoa continua a enfrentar suas responsabilidades e desafios. O escapismo, por outro lado, é quando o comportamento substitui a vida adulta. Se a pessoa usa esses objetos ou comportamentos para evitar responsabilidades, compromissos ou enfrentar problemas reais, tornando-se uma muleta constante que impede o crescimento e a maturidade, aí entramos em uma zona de atenção.

3. Infantilização ou busca segurança emocional?

A vida moderna impõe uma carga imensa de estresse, incertezas e pressão por produtividade. O esgotamento mental é real. Diante de uma sobrecarga de informações e responsabilidades, o cérebro busca atalhos para se acalmar. Os comportamentos associados à infância representam um tempo de menor responsabilidade, maior cuidado e proteção. Não é imaturidade, mas uma estratégia, não recomendada, para lidar com a exaustão emocional.

4. Quais os efeitos psicológicos de buscar conforto em objetos infantis?

Podem proporcionar um alívio momentâneo do estresse, uma sensação de calma, segurança e conforto. Funcionam como uma "pausa mental" necessária. Se o uso desses objetos se torna a única forma de lidar com o estresse, pode haver um prejuízo no desenvolvimento de mecanismos de enfrentamento (coping) mais maduros. Isso pode levar a uma dependência emocional e à evitação de problemas, em vez de enfrentá-los de forma construtiva.

5. Chupeta como regressão? Quais os riscos?

Sim, este fenômeno que vêm chamando a atenção por causa das redes sociais, pode ser visto como um ato de regressão psicológica, pois remete a uma fase de desenvolvimento precoce. O cérebro associa o ato de chupar a sucção do leite, que é sinônimo de nutrição, segurança e calma. É uma tentativa de reativar esses sentimentos. Riscos físicos: o uso prolongado pode causar problemas dentários, como má oclusão. Riscos psicológicos: se a chupeta se torna o único "dispositivo" para acalmar a ansiedade, a pessoa pode deixar de desenvolver habilidades internas de autorregulação, gerando uma dependência emocional do objeto e nutrindo uma fuga, um atalho que impede de processar e resolver a causa real de sua angústia.

6. Como a sociedade pode apoiar os adultos?

O primeiro passo é parar de julgar, pois a busca por conforto não é um sinal de fraqueza, mas de uma necessidade humana legítima. E a maior ajuda que a sociedade pode oferecer é normalizar a terapia e a conversa sobre saúde mental. Se uma pessoa sente a necessidade constante de se refugiar em objetos infantis, isso pode ser um sinal de que precisa de apoio para desenvolver estratégias mais robustas para lidar com o estresse. Criar ambientes de trabalho e relacionamentos mais empáticos, onde as pessoas sintam segurança para expressar suas vulnerabilidades, sem medo de serem rotuladas.

7. Estratégias para lidar com o estresse de forma madura

- Mindfulness e meditação, Exercícios físicos regulares, Higiene do sono, Terapia, Hobbies e conexões sociais.

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31 de jul. de 2025

Formas de oferecer colo ao seu Sistema Nervoso Central

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Seu sistema nervoso central (SNC) merece colo e seu corpo tem um botão natural de acalmar, chamado NERVO VAGO. Se você já se sentiu ansiedade, coração acelerado, aperto no peito, respiração curta e rápida, dificuldade para relaxar, sensação de nó na garganta, insônia, problemas digestivos, crises "do nada", pode ser um sinal de que seu nervo vago está frágil ou desregulado, pois ele é como um "freio de emergência" natural: acalma seu sistema depois de uma ameaça, diminui o batimento cardíaco, desacelera a respiração e relaxa os músculos, assim, seu corpo sabe que está seguro. Para reativar o seu nervo vago, deixo algumas sugestões de práticas para autorregulação:

1. Experimente a técnica do "humming consciente" (zumbido consciente) - Feche os olhos e, com os lábios juntos, faça um som de "hummm..." por 10 segundos. Repita, sentindo a vibração na garganta e no peito. Isso estimula diretamente o nervo vago e ajuda seu corpo a entrar em estado de calma, rapidamente.

2. Respiração dupla: duas inspirações pelo nariz, seguidas de uma expiração longa pela boca, como se soprasse num canudinho. A expiração é mais longa que a inalação; durante a inalação, sua frequência cardíaca acelera e uma expiração mais longa, libera o neurotransmissor acetilcolina, fazendo com que seu coração desacelere, informando ao seu cérebro que é seguro relaxar.

3. A corregulação é necessária para nossa sobrevivência. Busque a presença/abraço pontual de alguém para te ajudar a respirar melhor, desacelerar os batimentos, voltar para si e fortaleça os laços importantes.

4. Deite no chão por 10 minutos, deixando a gravidade te acolher; ou coloque os pés descalços no chão. Seu corpo sabe voltar ao centro quando tem permissão pra parar.

5. Cante baixinho, pra si mesmo: A vibração da sua voz conversa com o nervo vago e diz: "Está tudo bem agora", convidando o corpo a voltar para o modo descanso. 

6. Toque seu próprio peito e sussurre: "Eu estou seguro". Esse gesto é como um botão secreto de aterramento. Reprograme sua conversa interna com afirmações positivas, música instrumental, ou frequência de prosperidade - 888hz;

7. Crie rotinas de contato com a natureza e troque tempo de tela, por céu: Mesmo que seja por 1 minuto, olhar para o céu expande, acalma e realinha. Um detox de estímulo visual direto pro sistema nervoso, pois estimula o sistema endócrino a reduzir o cortisol e a adrenalina, permitindo que o cérebro se recupere da "fadiga da atenção dirigida" causada por telas e ruído urbano.

8. Enrole-se num cobertor como um casulo. Isso recria uma sensação de ninho e desliga os alarmes do sistema.

9. Permita-se chorar, sem tentar "consertar" nada, pois lágrimas são uma forma natural de descarregar o estresse. Reprimir mantém o sistema travado.

10. Beber algo quentinho, lavar as mãos, devagar, com total presença. Isso comunica ao corpo: "Tenho tempo, não preciso correr".

11. Movimento somático - Você não pode superar simplesmente pensando. É precisa tirá-lo do seu corpo: sacuda as mãos, faça uma sequência rápida de ioga, use almofadas para apertar, bolinhas terapêuticas, ou dê pequenos pulos, para liberar energia contida e completar o ciclo do estresse ou ansiedade. Toda forma de movimento aumenta as endorfinas, ajuda a queimar energia nervosa e reduz a tensão física, permitindo que o corpo funcione melhor e se recupere. 

12.  Criar rituais simples e intencionais como escrever, desenhar, acender incenso, vela, sinalizam segurança para o seu sistema nervoso.

13. Nomeie: o que pode ver, ouvir, sentir o cheiro, sentir o gosto e tocar. 

14. Pare de pular refeições Quedas nos níveis de glicose podem levar à sensação de "fome irritada". Pular o café da manhă, tem sido associado a níveis mais altos de cortisol, o principal hormônio do estresse do corpo. Refeições regulares garantem que seu cérebro tenha um suprimento constante de combustível, evitando "picos de energia".

15. Choque o sistema. Jogue água gelada no rosto ou segure um cubo de gelo. Isso força fisicamente seu reflexo de mergulho mamífero a entrar em ação, diminuindo instantaneamente a frequência cardíaca. Isso ativa o sistema nervoso parassimpático e com a prática regular, seu corpo se acostuma com o impacto.

16. Manter a mesa de trabalho, a casa, o quarto, organizados. Se perceber que está estressado, talvez o primeiro passo seja pôr seu en- torno em ordem.

17. Fazer massagem na cabeça, pressionando-a com os dedos.

18. Praticar meditação. Experiências em grupo, podem influenciar a continuidade da prática.

19. Melhore sua higiene do sono.

20. De acordo com a neurociência, repetir estas 3 frases, diariamente, começará a reprogramar seu cérebro para se tornar mais positivo, confiante e grato: 1. "Mostre-me o quão bom o dia pode ser." Isso ativa o SAR (Sistema de Ativação Retórica) do seu cérebro para perceber mais oportunidades. 2. "Sou grato por..." A gratidão aumenta a dopamina saudável, mudando seu sistema nervoso para um estado mais regulado. 3. "Posso lidar com qualquer coisa que vier pela frente hoje." Isso constrói autoeficácia e reduz a resposta de ameaça do seu cérebro. 

✨ Repetição = reparo do sistema nervoso. Quanto mais você faz, mais seguro seu corpo se sente.

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12 de abr. de 2025

Princípios, Valores e Virtudes

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Princípios (o alicerce da casa interior) são leis ou pressupostos considerados universais que definem as regras pela qual uma sociedade civilizada deve se orientar. Vale no âmbito pessoal e profissional.

Amor, felicidade, liberdade, paz e plenitude são exemplos de princípios considerados universais. Como cidadãos, esses princípios fazem parte da nossa existência e durante uma vida estaremos buscando torná-los inabaláveis. A base dos nossos princípios é construída na família e, em muitos casos, se perdem no caminho. São como bússolas internas que nos guiam em meio à complexidade das relações. Eles refletem nossas crenças fundamentais sobre o que é certo e errado, justo e injusto, e moldam nossas expectativas e comportamentos.

Valores (as paredes da casa interior) são normas ou padrões sociais geralmente aceitos ou mantidos por determinado indivíduo, classe ou sociedade, portanto, em geral, dependem basicamente da cultura relacionada com o ambiente inserido. Os valores são pessoais, subjetivos e, acima de tudo, contestáveis. O que vale para você não vale necessariamente para os demais colegas de trabalho. Sua aplicação pode ser ética ou não e depende muito do caráter ou da personalidade da pessoa que os adota. Eles influenciam nossas escolhas de parceiros, amigos e colegas, e determinam o tipo de conexão que buscamos estabelecer.

Virtudes, (os móveis da casa interior) segundo o Aurélio, são disposições constantes do espírito, as quais, por um esforço da vontade, inclinam à prática do bem. Aristóteles afirmava que há duas espécies de virtudes: a intelectual e a moral. A primeira é gerada cresce através ensino e por isso, requer experiência e tempo; já a virtude moral é adquirida com o resultado do hábito.

Assim, virtudes são hábitos que se originam do meio onde somos criados e condicionados através de exemplos e comportamentos semelhantes. Elas nos permitem reconhecer e responder às necessidades dos outros, construindo relacionamentos saudáveis e significativos.

Uma pessoa pode ter valores e não ter princípios. Hitler, por exemplo, conhecia os princípios, mas preferiu ignorá-los e adotar valores como a supremacia da raça, a aniquilação da oposição e a dominação pela força. Significa que também não dispunha de virtudes, pois as virtudes são decorrentes dos princípios e o seu legado foi um dos mais nefastos da história. Sua ambição desmedida o tornou obcecado por valores que contrastam com os princípios universais.

Valores e virtudes baseados em princípios universais são inegociáveis e, assim como a ética e a lealdade, ou você tem, ou não tem. Entretanto, conceitos como liberdade, felicidade ou riqueza não podem ser definidos com exatidão. Cada pessoa tem recordações, experiências, imagens internas e sentimentos que dão um sentido particular a esses conceitos. A justiça, por exemplo, é uma virtude tão difícil, e tão negligenciada, que a própria justiça sente dificuldades em aplicá-la.

A manutenção da Casa interior é essencial e deve ser contínua!

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12 de mar. de 2025

Por que precisamos descansar?

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Precisamos conciliar o trabalho e o tempo de descanso, mas muitas vezes, parece que estar ocupado é um distintivo de honra. Então, como vivenciar o descanso?

O descanso não é uma atividade opcional que sobrou. Ele faz parte de um estilo de vida saudável para crianças e adultos: se há trabalho ou estudo, também deve haver descanso, pois são duas partes do mesmo quebra-cabeça. Quando nossas baterias estão cheias, somos capazes de fazer o nosso melhor, seja trabalhando, aprendendo, brincando, gerenciando tarefas diárias e outros desafios que surgem em nosso caminho. O descanso oferece uma oportunidade para o corpo e a mente recarregarem.

 

Por que precisamos descansar? 

- Recuperação física: O descanso permite que o corpo repare tecidos, músculos e células, promovendo a saúde física e o bem-estar geral

- Função cognitiva: O descanso adequado é crucial para o funcionamento cerebral ideal, consolidação da memória e aprendizado

- Bem-estar emocional: O descanso ajuda a regular as emoções, reduzir o estresse e melhorar o humor

- Sistema imunológico: descansar o suficiente estimula o sistema imunológico, tornando os indivíduos menos suscetíveis a doenças

- Saúde geral: A falta de descanso pode levar a uma série de problemas de saúde, como fadiga, irritabilidade, diminuição da concentração e outros, à longo prazo.

O descanso altera as respostas físicas e emocionais ao estresse. É a contrapartida da resposta ao estresse, ou reação de "luta ou fuga". Quando a resposta de relaxamento é ativada, a frequência cardíaca diminui, os músculos relaxam, a pressão arterial diminui e os níveis de hormônios do estresse caem.

 

7 tipos de descanso

Este conceito foi criado pela médica e escritora norte-americana Dra. Saundra Dalton-Smith, após enfrentar um caso severo de burnout durante sua prática clínica e percebendo que apenas dormir não era suficiente para curar a exaustão total.

Descanso sensorial

1 - Reduza os estímulos - diminua as luzes, sons e telas (tv, computador, celular). A luz azul do seu celular, após o pôr do sol, atrasa a produção de melatonina em até 3 horas. Você pode estar sendo, um paciente inconsciente de terapia de luz. O modo noturno ajuda, mas colocar o celular em outro cômodo depois das 21h ajuda ainda mais. Seu ritmo circadiano agradecerá;

2 - Use brinquedos sensoriais calmantes para ajudar a acalmar os sentidos;

3 - Passe um tempo no silêncio - no chuveiro, no sofá ou outro espaço tranquilo.

4 - Passe algum tempo na natureza;

5. Olhe para o céu e observe as nuvens e Identifique alguma forma. 


Descanso mental

6 - Leia um livro ou ouça uma história/meditação;

7 - Experimente uma atividade de atenção plena;

8 – Escreva num diário ou faça uma lista;

9 - Faça uma pausa no cérebro: desligue-se do telefone e as redes sociais. Menos notícias, menos rolagem, menos opiniões. O que você não consome, também molda sua paisagem;

10 - Desenhe um arco-íris, pinte e trace as linhas lentamente enquanto respira. Ou trace um arco-íris imaginário no ar ou numa superfície. 

 

Descanso Emocional

11 - Espaço para ser autêntico e expressar sentimentos em segurança.

12 - Converse com alguém em quem você confia;

13 - Pratique o autocuidado;

14 - Repita afirmações positivas. 

 

Descanso social

15 - Passe um tempo sozinho;

16 - Passe tempo com pessoas positivas e solidárias;

17 - Passe Tempo com Animais ou na Natureza;

18 - Diga não a alguns compromissos sociais. 


Descanso criativo (reconectar-se com a admiração e a beleza. 

19 - Participe de uma atividade criativa que goste (desenhar, pintar ou fazer artesanato)

20 - Sonhe acordado e deixe sua mente imaginar

21 - Saia e aprecie a natureza, arte, música, comida, arquitetura e o mundo ao redor;

22 - Experimente um novo hobby e inspire-se;

23 - Planeje uma aventura ou faça uma colagem de visualizações;

24 - Cabeça e Barriga: Esfregue a cabeça e dê tapinhas na sua barriga, ao mesmo tempo, durante trinta segundos. Vá em frente, tente.

 

Descanso Espiritual (coectar-se com algo maior, buscando propósito e pertencimento) .

25 - Pratique a Gratidão;

26 - Faça um ato de bondade aleatória;

27. Mantenha uma prática espiritual (medite, ore, puxe uma carta de oráculo, acompanhe as fases da lua);

28 - Cuide do planeta e admire a maravilha da natureza;

29. Envolva-se com a comunidade e conecte-se com outras pessoas. 

 

Descanso Físico

30. Passivo: deite-se e tire uma soneca;

31. Ativo: Automassagem; movimente-se suavemente  (Yoga, natação, dança, caminhada, alongamento). Sugestões de alongamento: Equilibre-se em uma perna o máximo que puder. Quando cair, equilibre-se na outra perna. Tente dificultar fechando os olhos. / Alcance o céu alto / Alcance baixo até o chão / Postura da árvore: Equilibre-se em uma perna o máximo que puder (tentando colocar a sola do pé na parte interna da coxa). Depois de cair, equilibre-se na outra. / Batimento cardíaco: corra no mesmo lugar por um minuto, então coloque sua mão sobre seu coração, sinta e ouça seus batimentos cardíacos. Preste atenção: a batida é rápida ou lenta? Observe como muda e começa a desacelerar de acordo com a sua respiração. / Banda de faz de conta: Marche no local e faça os sons dos instrumentos.


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E como descansar quando não há tempo? 

Hidrate seu rosto lentamente. Descasque uma laranja lentamente. Olhe para as nuvens. Olhe para a lua. Olhe para as flores que crescem nas rachaduras da calçada. Sinta o chão sob seus pés descalços. Cheire algo reconfortante. Sorria suavemente. Lave a louça ao som de suas músicas favoritas. Beba água. Vire seu rosto em direção ao sol. Diga uma frase de autocompaixão. Deixe sua barriga expandir enquanto você inspira e expire como se estivesse soprando por um canudo. Desligue seu telefone. Troque de roupa e vista algo confortável. Deite-se no chão por um minuto e deixe a terra te sustentar. Cante suavemente. Toque algo vivo: uma folha, uma árvore, uma flor, seu pulso, seu coração, peça um abraço. ✨




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11 de mai. de 2024

Reparentar

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A infância é a época em que o subconsciente de cada pessoa é formado. Ou seja, aprendemos como processamos as emoções, como são os relacionamentos, como manter limites e inúmeros outros hábitos e comportamentos.

Perceber que fomos criados por seres humanos imperfeitos é uma grande parte da jornada, mas a nossa tarefa definitivamente não termina aí. Para deixar de agir a partir dos padrões ancestrais que carregamos ou das feridas que nos foram feitas, devemos nos curar.

Para muitas pessoas, fazer isso é compreender que os pais só podem ser pais a partir do seu próprio nível de consciência e que devemos dar a nós mesmos o que os outros não nos deram.

É nisso que consiste a REPARAÇÃO PARENTAL, que tem 4 pilares: Disciplina, Alegria, Regulação Emocional e Autocuidado. Aqui estão 5 passos para começar:

1. Respire: Reparar é um processo. Não é algo que acontece da noite para o dia. Se você tentar fazer muito desse trabalho de uma vez, você se sentirá sobrecarregado e voltará aos velhos padrões. Enquanto isso, respire.

2. Mantenha uma pequena promessa para si mesmo todos os dias: tão pequena que parece insignificante, mas você sabe que não é para você. Alguns bons exemplos são: meditar por 2 minutos, dar uma volta no quarteirão todas as manhãs por 5 minutos, preparar uma refeição em casa todos os dias, fazer um diário sobre o futuro todas as noites antes de dormir. O tempo é importante aqui – não escolha nenhuma promessa que leve mais de 10 minutos no total.

3. Diga a alguém em quem você confia que você está iniciando o processo: Seus pais fizeram o melhor que puderam com seu nível de consciência e provavelmente ficarão na defensiva se você falar sobre isso com eles. A reparação é para você, mas contar para alguém que você confia, pode ser útil.

4. Pergunte a si mesmo “O que posso me dar agora?”: Quando sentir emoções fortes, pergunte-se esta pergunta. Não há problema se, ao começar a fazer essa pergunta, você se sentir confuso ou como se não houvesse resposta. Continue perguntando. É uma prática de conexão com a intuição. Pode ser tomar um banho de espuma, desconectar-se das redes sociais ou sair ao sol por 15 minutos.

5. Comemore suas vitórias: valide-se, reconheça seu progresso. Comemore a pessoa que você está se tornando.

6. Seja gentil com você.

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18 de abr. de 2020

O que Freud diria? (Em meio à Pandemia do Covid-19)

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Primeiro ele contaria uma história: a dele. Diria que viveu a experiência do sofrimento da gripe espanhola. Diria que perdeu ali, sua filha Sophie. Ah, perdão. Diria antes que, foram anos muito difíceis com a Primeira Guerra que deixava rastros de dor e parcos escritos. Talvez porque, com a dor não seja ou não fosse tão possível escrever, para ele. Diria que houve inflação, falta de suprimentos de infraestrutura nos transportes e nas comunicações. Diria que sua família recebeu ajuda financeira da Max Eitington, médico e psicanalista da Bielorussia - Alemanha - e seu amigo. Freud diria que não se deixou paralisar, pois cuidar da sua família e atender pacientes que o procuravam e conseguiam pagá-lo, era uma forma de lidar com a impotência diante da situação. Diria que dias antes, num cordial almoço de domingo, recebeu o filho de Pfister, seu amigo discreto, psicanalista, teólogo e pastor. E diria também que era ateu, Freud. Diria em seguida que logo passaram pela tragédia que os marcaria para sempre. “A descarada brutalidade dos tempos nos aperta”. Continuaria a dizer sobre começo: não pôde se despedir da filha e isto parece ter lhe causado uma ferida narcísica. E então: “trabalho tanto quanto posso...”, em gratidão pela possibilidade de não ser paralisado pela morte. Que a esperança também compareça entre nós, em 2020. Freud diria que a Todestrieb (pulsão de morte) é difícil de sustentar e, talvez, escrever tenha o ajudado a atravessar.
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17 de fev. de 2018

O que é Psicanálise?

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A Psicanálise não é uma ciência ou não só, é uma prática e teoria associadas à experiência do psicanalista e do seu próprio inconsciente – em sua análise pessoal. Na análise do outro, o psicanalista coloca o sujeito para falar sobre o seu incômodo, da maneira que lhe for possível naquele momento.

• É um trabalho de investigação, onde pouco à pouco vamos buscando em cada história de vida a (in)compreensão de nossa ambivalência e incompletude (o que não quer dizer que haverá total sucesso nesta busca). O trabalho é no um a um, no caso a caso, portanto, o que serve para um, pode não servir para o outro.

• É um trabalho de implicação pessoal, onde é preciso se perguntar: qual a minha responsabilidade diante daquilo que incomoda? Aí sim, teremos uma demanda de análise. Isto imprime responsabilidade do sujeito sobre as próprias questões. Talvez, em alguns momentos você pense: "não tenho nada pra dizer", ou sinta vontade de faltar à sessão; e isto pode ser um sinal de que estamos chegando perto do sintoma, de entender algo do que lhe acontece, de mexer no desconforto, pois trabalhar com a psicanálise é ir para bem longe de casa.

• É preciso possuir um gosto significativo pela palavra como também apreço pelas pessoas, com o mínimo possível de preconceito. Possuir crenças e convicções são importantes, contudo, essas não podem afetar num julgamento pré-concebido das condutas humanas. Requer um interesse pela escuta do inusitado, do intuitivo, com o menos de surpresa e deslumbramento possível.

A psicanálise não é oráculo. Exige Tempo. E aposta: no analista e, especialmente, em si mesmo.
A psicanálise é uma travessia individual sobre o valor da palavra e que fracassa, pois a palavra é, mão não toda, jamais tudo.

Mayara Almeida
www.mayaralmeida.com.br
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11 de fev. de 2018

Recordar. Repetir. Brincar. Elaborar.

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Ela trouxe a "bola mágica" (uma bolinha que brilha quando pressionada) e eu trouxe a figura do unicórnio (mágico por inteiro) representado num copo com canudo sanfonado. Aquele, foi o único copo que encontrei, mas talvez tenha sido o ideal para o momento, pois comunicou, a mim e a ela, que haverá que ser devagar, assim como é, quando usamos um canudo para beber algo. Haverá, também, da parte dela, que fazer um esforço para sugar o líquido que colocar no copo e ultrapassar o concreto na vida real... Precisamos deixá-la repetir as histórias. Mas não deixar as histórias se repetirem. Podemos ser este outro que a escuta e também diz sobre maneiras de lidar com aquilo que ela repete. Fazer combinados previamente: isso primeiro, aquilo depois; fazer a atividade e depois um momento para ouvi-la, ou vice-versa. E ao mesmo tempo em que ela internaliza este amadurecimento sobre sentir, continuará recordando aquilo que incomoda e precisa ser organizado: recordar, repetir e elaborar. 

Se nós a ouvimos enquanto ensinamos e estimulamos, ela ganha a escuta e a valorização de si mesma, o reconhecimento dos próprios limites e a possibilidade de enfrentar aquilo que não saiu conforme o desejado - mas há que se fazer algo com isto - claro, com a nossa "mágica" intervenção, na escuta e na palavra - falada e escrita - autorizar as suas tentativas até que ela autorize a si mesma.
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26 de ago. de 2017

Família: uma ficção necessária? *

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Toda família tem seus segredos e sintomas. Estes aspectos fazem o nó que configura a instituição, onde circulam dinâmicas e desejos do outro, ocupando os espaços, introduzindo buracos e cortes que tentamos cuidar e curar. 

Porém, na análise, descobrimos que há sintomas não analisáveis e ficamos então perplexos ao descobrir que somos nós (cada um de nós) o pecado, a herança que desestabiliza esta ficção necessária. 

Também descobrimos que conseguiremos chegar lá (onde queremos) só que aos pedaços.

* Reflexão a partir da XIV Jornada da Escola Brasileira de Psicanálise - Delegação Paraíba, em João Pessoa/PB.
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2 de jun. de 2017

O “Lugar” dos pais no atendimento infantil

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Os estudos sobre atendimento infantil podem ser reconhecidos desde Freud, seguido por Anna Freud, Melanie Klein, Françoise Dolto, Maud Mannoni e demais autores da contemporaneidade. Mas onde devem estar os pais durante um processo? Em que cena devem aparecer ou como fazer funcionar esta relação? Aqui, vamos considerar e integrar aos pais, a família, responsáveis e/ou evolvidos diretamente com o cuidado psíquico da criança.

Acredito pela prática vivenciada, que é preciso um período de preparação tanto para os pais, quanto para a criança, pois esta, nem sempre contribui com o processo, sem antes perceber que pode confiar e estabelecer um vínculo que foi/é aceito e respeitado pelos pais. Nesta linha de pensamento, o atendimento infantil é um discurso de partes, e todos têm o seu lugar: profissional, criança e pais. 

Observo que existem profissionais que preferem não receber os pais, nem mesmo esporadicamente. Entretanto, é preciso reconhecer que estes têm a necessidade de falar com o psicoterapeuta do filho, já que estão implicados nos sintomas, mesmo que nem sempre reconheçam e assim, é nossa função profissional, também abrir espaços para que os pais ousem falar e revelar o inconsciente. É importante sublinhar a importância da escuta dos pais, embora estes peçam orientações e até seja benéfico apresentar sugestões, mas consciente de que este não é o objetivo principal.

Diante daqueles que solicitam ajuda para uma criança, estamos também diante da problemática própria dos mesmos. A maneira como a criança é esperada antes do seu nascimento, o que vai representar para a família em função da história de cada um, vai chocar-se com as projeções inconsistentes de todos os evolvidos - registro o valor revelador dos fantasmas e projeções dos pais, remontando a até três gerações, de acordo com Dolto.

Para exemplificar, trago um trecho de uma experiência, que ilustra situação semelhante: “No dia e hora reservados para o atendimento da criança - haviam acontecido apenas dois encontros - quem estava lá era outra integrante da família, apresentando o discurso: ‘preciso muito falar com você’. Recebi porque, certamente, algum sintoma poderia ser revelado e logo descobri que a criança só soube que não viria à sessão, próximo ao horário habitual. Fiz a escuta e, ao final, combinei que seria possível conversar novamente, mas com aviso prévio, para não comprometer a sessão e o combinado de que antes de conversar com alguém da família, eu e a criança, precisaríamos saber e autorizar. Este fato foi um obstáculo importante para o andamento do processo, pois a criança não gostou de ter seu horário substituído, e rejeitou o tratamento por um período significativo, até que novamente costuramos a confiança e os limites dos familiares. Outro fato importante neste caso, foi que a familiar atendida, que queria, talvez, me aprovar, tornou-se uma incentivadora do processo, motivando a criança a não interrompê-lo”.

Algo a refletir é sobre o discurso utilizado diante dos pais, informando que “precisam de psicoterapia por causa do filho”. Esta fala comunica um incentivo à dependência, pois são os pais que têm de assumir a sua vida e responsabilizar-se pelas dificuldades subjetivas em seu próprio nome. 

Assim, ao receber os pais ou familiares para uma entrevista, devemos ouvir o que eles têm a dizer, tentando também relacionar com o tratamento do filho, e assim, ajudá-los a redimensionar as dificuldades da criança e a reconhecer a possibilidade de ressignificar os próprios problemas. Se os pais estão implicados no sintoma do filho precisamos, então, ajudá-los a começar um certo questionamento de suas dificuldades e reconhecer que estarão sempre presentes através do discurso da criança. Sim, os pais tem um lugar no processo de psicoterapia infantil e precisam ser/se sentir bem-vindos.

Quem são essas crianças, razidas pelos pais ao consultório? E quem são esses pais, em sua maioria mães, que trazem as crianças como problemas?

Trazer a criança ao  analista infantil, muitas vezes, desperta o sentimento de impotência por precisar contar com um terceiro para intervir na relação familiar.

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