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24 de ago. de 2025

Como identificar e mudar padrões relacionais?

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  • Os nossos padrões são construídos:

1. Por condicionamento social: Aprendemos a nos comportar com base no que experimentamos, no que vemos sendo modelado em nossos vínculos, na mídia e na sociedade.

2. Por não conhecer situações diferentes: Se não vimos ou experimentamos dinâmicas de relacionamento saudáveis, não sabemos como se parecem ou como criá-las.

3. Por Mecanismos de enfrentamento: Padrões podem ser resultado de estratégias de enfrentamento que aprendemos na infância, por exemplo: se afastar e ficar em silêncio para manter alguma segurança ou estar emocionalmente distante porque não sente que pode confiar.

4. Por Medo: Às vezes, o medo de perder, a baixa autoestima ou sentimentos de indignidade nos torna hiperconscientes de nossos padrões e, portanto, é muito difícil observá-los e mudá-los. Torná-los visíveis através da escrita, pode ser um caminho de autocuidado.

  • Questione:

- Em que áreas dos meus relacionamentos tenho problemas consistentes, com comunicação, questões emocionais, confiança?

- O que desperta emoções fortes em mim? Como administro essas emoções quando elas estão presentes?

- Há alguma experiência relacional passada que esteja influenciando a forma como me relaciono atualmente? Qual é o impacto disso: positivo ou negativo?

- Alguém próximo e importante me deu algum feedback sobre possíveis padrões? Estou aberto a receber feedback?

  • Como começar a mudar padrões relacionais:

- Esteja presente: preste atenção à dinâmica ou aos padrões e observe quando  surgem.

- Questione como você faz as coisas, caso não estiverem funcionando. Existe outra maneira de responder, se comportar ou pensar sobre a situação?

- Tente algo novo: para alcançar um resultado diferente, precisamos realmente nos comprometer a fazer as coisas de maneira diferente. Pratique tolerar o desconforto.

- Comunique-se: fale sobre a dinâmica ou padrões repetitivos.

- Pratique: continue praticando. Leva tempo e esforço para fazer mudanças e mudar padrões, então seja gentil e paciente consigo mesmo(a). 

Quebrar velhos padrões relacionais é um trabalho corajoso. Não há problema se parecer lento, confuso ou desconhecido. Cada momento de consciência, cada pausa intencional, cada nova escolha, é um poderoso ato de cura. Você não está falhando, está aprendendo. 

Quando queremos aprender a comunicar melhor e evitar brigas e discussões desnecessárias, ou outro novo comportamento, é importante saber que esse processo pode ser desafiador, porque precisaremos aprender a fazer algo que ainda não sabemos. Aprender a expressar melhor em situações difíceis, a controlar as emoções, a impor limites, a conversar sem reatividade, a desacelerar num mundo que cobra rapidez, é um processo de reeducação profunda. Não é do dia para a noite e não tem fórmula mágica (lamentável, eu sei). Ser aprendiz não é fácil: dá trabalho, angustia, tem frustração, tem confusão. Mas ser iniciante, é o único caminho.

Fonte: @LUCILLE.SHACKLETON

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16 de ago. de 2025

Melanie Klein e a vida intrauterina - um território não explorado.

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Não há base numa citação direta de Klein. Mas o pensamento kleiniano, com sua ênfase no inato e na pulsão de morte, abre um campo teórico, para incluir a vida intrauterina como um cenário de fantasias primitivas. Foco nos conceitos que abrem espaço para a minha ideia, mesmo que a própria Klein não tenha explorado esse espaço e encontro uma base indireta, em dois conceitos-chave da teoria kleiniana:

► Klein estabeleceu que a pulsão de morte é inata e que a fantasia é uma realidade psíquica. Partindo dessas duas premissas, entendo que a vida intrauterina, o primeiro ambiente do indivíduo, é o cenário onde a pulsão de morte já atua, e onde as primeiras fantasias se formam, mesmo que de forma rudimentar, como sensações e estados psíquicos.

 ​1. A Pulsão de Morte e o Inato

​Melanie Klein se diferencia de Freud ao postular que a pulsão de morte é uma força destrutiva e inata, presente desde o nascimento. Para ela, essa pulsão não é apenas uma ideia teórica; ela se manifesta na forma de uma angústia primordial, que o bebê projeta para fora em um ambiente hostil.

​A vida intrauterina é, por definição, um estado de proteção contra o ambiente externo. O nascimento, por sua vez, é um evento dramático, de separação e exposição. A pulsão de morte, sendo inata, já está ativa no útero. A angústia - o afeto dessa pulsão - seria desencadeada pelo nascimento. A fantasia inconsciente, então, não seria sobre o útero em si, mas sobre o medo da aniquilação (a pulsão de morte) que o bebê sente ao vir ao mundo.

​Embora Klein não mencione o útero, ela não nega a existência da pulsão de morte antes do nascimento. Portanto, minha premissa é que se a pulsão de morte existe desde o início da vida, também existem, as fantasias a ela associadas.

2. A Fantasia como "Realidade Psíquica"

Klein foi pioneira ao tratar as fantasias inconscientes como uma realidade psíquica, tão importante quanto a realidade externa. Para ela, o bebê não apenas reage ao seio materno; ele o molda em uma fantasia, transformando-o em um "seio bom" ou "seio mau".

​A vida intrauterina é o primeiro e mais primitivo ambiente do indivíduo. A sua experiência neste ambiente, mesmo que seja de forma rudimentar (movimentos, sons abafados, sensações de calor e frio), poderia ser a matéria-prima para as primeiras fantasias.

​O bebê não precisa ter consciência do útero como um objeto externo para ter uma fantasia sobre ele como uma realidade psíquica. O útero é a primeira "realidade interna" do bebê, e que as sensações de aconchego ou, em contrapartida, de restrição, já seriam as primeiras fantasias. Nesse sentido, a fantasia não seria sobre o útero como um objeto externo, mas sobre as sensações e os estados de ser que o bebê experimenta dentro dele.

 Referências

• Klein, M. (1996). Obras completas de Melanie Klein: Vol. 1 - Amor, Culpa e Reparação e Outros Trabalhos (1921-1945). Rio de Janeiro: Imago. (para os conceitos de Pulsão de Morte e Inato) - Klein realmente postula que as fantasias são inatas e que a pulsão de morte existe.

- Estágios Iniciais do Conflito Edipiano (1928) - Klein descreve a natureza inata da angústia e das fantasias primitivas. O conceito de "posições" (esquizo-paranóide e depressiva) é central aqui e a base para isto já existia no útero.

• ​Ferenczi, S. (2011). Thalassa: Ensaio sobre a Teoria da Genitalidade (Originalmente publicado em 1924) - Conceito de regressão à vida intrauterina e a ideia de que o nascimento é um trauma que inicia uma busca por um estado de fusão e segurança. Ferenczi é a principal referência que conecta a psicanálise à vida intrauterina.

• ​Bion, W. R. (1991). Obras completas de Wilfred R. Bion: Vol. 1 - Experiências com Grupos (Originalmente publicado em 1961). Rio de Janeiro: Imago.

• ​Winnicott, D. W. (1983). O Ambiente e os Processos de Maturação (Originalmente publicado em 1965). Porto Alegre: Artes Médicas. Os conceitos de "dependência absoluta" e "holding", descrevem um estado em que o bebê e a mãe formam uma unidade, um eco da vida uterina.

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14 de ago. de 2025

Entrevista - Adultos adotam chupeta para aliviar estresse e ansiedade

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(Entrevista concedida à TV Correio - Programa Com Você) - AGO/25

1. O que está acontecendo com os adultos?

Concordo que há uma “busca por conforto ou segurança emocional, a partir de objetos associados à infância. Há objetos que ajudam a criança a lidar com a ansiedade da separação, e na Psicanálise, há um conceito chamado de objetos de transição, de Donald Winnicott. Para adultos, a busca por objetos ou atividades que remetem a um tempo de menos responsabilidades pode ser um mecanismo de autorregulação emocional, porém, que merece um olhar cuidadoso.

2. Quais os limites entre bem-estar e escapismo?

O bem-estar é quando o objeto ou comportamento complementa a vida adulta. Por exemplo, usar um chaveiro der um personagem de um desenho, na bolsa, enquanto a pessoa continua a enfrentar suas responsabilidades e desafios. O escapismo, por outro lado, é quando o comportamento substitui a vida adulta. Se a pessoa usa esses objetos ou comportamentos para evitar responsabilidades, compromissos ou enfrentar problemas reais, tornando-se uma muleta constante que impede o crescimento e a maturidade, aí entramos em uma zona de atenção.

3. Infantilização ou busca segurança emocional?

A vida moderna impõe uma carga imensa de estresse, incertezas e pressão por produtividade. O esgotamento mental é real. Diante de uma sobrecarga de informações e responsabilidades, o cérebro busca atalhos para se acalmar. Os comportamentos associados à infância representam um tempo de menor responsabilidade, maior cuidado e proteção. Não é imaturidade, mas uma estratégia, não recomendada, para lidar com a exaustão emocional.

4. Quais os efeitos psicológicos de buscar conforto em objetos infantis?

Podem proporcionar um alívio momentâneo do estresse, uma sensação de calma, segurança e conforto. Funcionam como uma "pausa mental" necessária. Se o uso desses objetos se torna a única forma de lidar com o estresse, pode haver um prejuízo no desenvolvimento de mecanismos de enfrentamento (coping) mais maduros. Isso pode levar a uma dependência emocional e à evitação de problemas, em vez de enfrentá-los de forma construtiva.

5. Chupeta como regressão? Quais os riscos?

Sim, este fenômeno que vêm chamando a atenção por causa das redes sociais, pode ser visto como um ato de regressão psicológica, pois remete a uma fase de desenvolvimento precoce. O cérebro associa o ato de chupar a sucção do leite, que é sinônimo de nutrição, segurança e calma. É uma tentativa de reativar esses sentimentos. Riscos físicos: o uso prolongado pode causar problemas dentários, como má oclusão. Riscos psicológicos: se a chupeta se torna o único "dispositivo" para acalmar a ansiedade, a pessoa pode deixar de desenvolver habilidades internas de autorregulação, gerando uma dependência emocional do objeto e nutrindo uma fuga, um atalho que impede de processar e resolver a causa real de sua angústia.

6. Como a sociedade pode apoiar os adultos?

O primeiro passo é parar de julgar, pois a busca por conforto não é um sinal de fraqueza, mas de uma necessidade humana legítima. E a maior ajuda que a sociedade pode oferecer é normalizar a terapia e a conversa sobre saúde mental. Se uma pessoa sente a necessidade constante de se refugiar em objetos infantis, isso pode ser um sinal de que precisa de apoio para desenvolver estratégias mais robustas para lidar com o estresse. Criar ambientes de trabalho e relacionamentos mais empáticos, onde as pessoas sintam segurança para expressar suas vulnerabilidades, sem medo de serem rotuladas.

7. Estratégias para lidar com o estresse de forma madura

- Mindfulness e meditação, Exercícios físicos regulares, Higiene do sono, Terapia, Hobbies e conexões sociais.

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12 de abr. de 2025

Princípios, Valores e Virtudes

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Princípios (o alicerce da casa interior) são leis ou pressupostos considerados universais que definem as regras pela qual uma sociedade civilizada deve se orientar. Vale no âmbito pessoal e profissional.

Amor, felicidade, liberdade, paz e plenitude são exemplos de princípios considerados universais. Como cidadãos, esses princípios fazem parte da nossa existência e durante uma vida estaremos buscando torná-los inabaláveis. A base dos nossos princípios é construída na família e, em muitos casos, se perdem no caminho. São como bússolas internas que nos guiam em meio à complexidade das relações. Eles refletem nossas crenças fundamentais sobre o que é certo e errado, justo e injusto, e moldam nossas expectativas e comportamentos.

Valores (as paredes da casa interior) são normas ou padrões sociais geralmente aceitos ou mantidos por determinado indivíduo, classe ou sociedade, portanto, em geral, dependem basicamente da cultura relacionada com o ambiente inserido. Os valores são pessoais, subjetivos e, acima de tudo, contestáveis. O que vale para você não vale necessariamente para os demais colegas de trabalho. Sua aplicação pode ser ética ou não e depende muito do caráter ou da personalidade da pessoa que os adota. Eles influenciam nossas escolhas de parceiros, amigos e colegas, e determinam o tipo de conexão que buscamos estabelecer.

Virtudes, (os móveis da casa interior) segundo o Aurélio, são disposições constantes do espírito, as quais, por um esforço da vontade, inclinam à prática do bem. Aristóteles afirmava que há duas espécies de virtudes: a intelectual e a moral. A primeira é gerada cresce através ensino e por isso, requer experiência e tempo; já a virtude moral é adquirida com o resultado do hábito.

Assim, virtudes são hábitos que se originam do meio onde somos criados e condicionados através de exemplos e comportamentos semelhantes. Elas nos permitem reconhecer e responder às necessidades dos outros, construindo relacionamentos saudáveis e significativos.

Uma pessoa pode ter valores e não ter princípios. Hitler, por exemplo, conhecia os princípios, mas preferiu ignorá-los e adotar valores como a supremacia da raça, a aniquilação da oposição e a dominação pela força. Significa que também não dispunha de virtudes, pois as virtudes são decorrentes dos princípios e o seu legado foi um dos mais nefastos da história. Sua ambição desmedida o tornou obcecado por valores que contrastam com os princípios universais.

Valores e virtudes baseados em princípios universais são inegociáveis e, assim como a ética e a lealdade, ou você tem, ou não tem. Entretanto, conceitos como liberdade, felicidade ou riqueza não podem ser definidos com exatidão. Cada pessoa tem recordações, experiências, imagens internas e sentimentos que dão um sentido particular a esses conceitos. A justiça, por exemplo, é uma virtude tão difícil, e tão negligenciada, que a própria justiça sente dificuldades em aplicá-la.

A manutenção da Casa interior é essencial e deve ser contínua!

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11 de mai. de 2024

Reparentar

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A infância é a época em que o subconsciente de cada pessoa é formado. Ou seja, aprendemos como processamos as emoções, como são os relacionamentos, como manter limites e inúmeros outros hábitos e comportamentos.

Perceber que fomos criados por seres humanos imperfeitos é uma grande parte da jornada, mas a nossa tarefa definitivamente não termina aí. Para deixar de agir a partir dos padrões ancestrais que carregamos ou das feridas que nos foram feitas, devemos nos curar.

Para muitas pessoas, fazer isso é compreender que os pais só podem ser pais a partir do seu próprio nível de consciência e que devemos dar a nós mesmos o que os outros não nos deram.

É nisso que consiste a REPARAÇÃO PARENTAL, que tem 4 pilares: Disciplina, Alegria, Regulação Emocional e Autocuidado. Aqui estão 5 passos para começar:

1. Respire: Reparar é um processo. Não é algo que acontece da noite para o dia. Se você tentar fazer muito desse trabalho de uma vez, você se sentirá sobrecarregado e voltará aos velhos padrões. Enquanto isso, respire.

2. Mantenha uma pequena promessa para si mesmo todos os dias: tão pequena que parece insignificante, mas você sabe que não é para você. Alguns bons exemplos são: meditar por 2 minutos, dar uma volta no quarteirão todas as manhãs por 5 minutos, preparar uma refeição em casa todos os dias, fazer um diário sobre o futuro todas as noites antes de dormir. O tempo é importante aqui – não escolha nenhuma promessa que leve mais de 10 minutos no total.

3. Diga a alguém em quem você confia que você está iniciando o processo: Seus pais fizeram o melhor que puderam com seu nível de consciência e provavelmente ficarão na defensiva se você falar sobre isso com eles. A reparação é para você, mas contar para alguém que você confia, pode ser útil.

4. Pergunte a si mesmo “O que posso me dar agora?”: Quando sentir emoções fortes, pergunte-se esta pergunta. Não há problema se, ao começar a fazer essa pergunta, você se sentir confuso ou como se não houvesse resposta. Continue perguntando. É uma prática de conexão com a intuição. Pode ser tomar um banho de espuma, desconectar-se das redes sociais ou sair ao sol por 15 minutos.

5. Comemore suas vitórias: valide-se, reconheça seu progresso. Comemore a pessoa que você está se tornando.

6. Seja gentil com você.

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18 de abr. de 2020

O que Freud diria? (Em meio à Pandemia do Covid-19)

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Primeiro ele contaria uma história: a dele. Diria que viveu a experiência do sofrimento da gripe espanhola. Diria que perdeu ali, sua filha Sophie. Ah, perdão. Diria antes que, foram anos muito difíceis com a Primeira Guerra que deixava rastros de dor e parcos escritos. Talvez porque, com a dor não seja ou não fosse tão possível escrever, para ele. Diria que houve inflação, falta de suprimentos de infraestrutura nos transportes e nas comunicações. Diria que sua família recebeu ajuda financeira da Max Eitington, médico e psicanalista da Bielorussia - Alemanha - e seu amigo. Freud diria que não se deixou paralisar, pois cuidar da sua família e atender pacientes que o procuravam e conseguiam pagá-lo, era uma forma de lidar com a impotência diante da situação. Diria que dias antes, num cordial almoço de domingo, recebeu o filho de Pfister, seu amigo discreto, psicanalista, teólogo e pastor. E diria também que era ateu, Freud. Diria em seguida que logo passaram pela tragédia que os marcaria para sempre. “A descarada brutalidade dos tempos nos aperta”. Continuaria a dizer sobre começo: não pôde se despedir da filha e isto parece ter lhe causado uma ferida narcísica. E então: “trabalho tanto quanto posso...”, em gratidão pela possibilidade de não ser paralisado pela morte. Que a esperança também compareça entre nós, em 2020. Freud diria que a Todestrieb (pulsão de morte) é difícil de sustentar e, talvez, escrever tenha o ajudado a atravessar.
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17 de fev. de 2018

O que é Psicanálise?

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A Psicanálise não é uma ciência ou não só, é uma prática e teoria associadas à experiência do psicanalista e do seu próprio inconsciente – em sua análise pessoal. Na análise do outro, o psicanalista coloca o sujeito para falar sobre o seu incômodo, da maneira que lhe for possível naquele momento.

• É um trabalho de investigação, onde pouco à pouco vamos buscando em cada história de vida a (in)compreensão de nossa ambivalência e incompletude (o que não quer dizer que haverá total sucesso nesta busca). O trabalho é no um a um, no caso a caso, portanto, o que serve para um, pode não servir para o outro.

• É um trabalho de implicação pessoal, onde é preciso se perguntar: qual a minha responsabilidade diante daquilo que incomoda? Aí sim, teremos uma demanda de análise. Isto imprime responsabilidade do sujeito sobre as próprias questões. Talvez, em alguns momentos você pense: "não tenho nada pra dizer", ou sinta vontade de faltar à sessão; e isto pode ser um sinal de que estamos chegando perto do sintoma, de entender algo do que lhe acontece, de mexer no desconforto, pois trabalhar com a psicanálise é ir para bem longe de casa.

• É preciso possuir um gosto significativo pela palavra como também apreço pelas pessoas, com o mínimo possível de preconceito. Possuir crenças e convicções são importantes, contudo, essas não podem afetar num julgamento pré-concebido das condutas humanas. Requer um interesse pela escuta do inusitado, do intuitivo, com o menos de surpresa e deslumbramento possível.

A psicanálise não é oráculo. Exige Tempo. E aposta: no analista e, especialmente, em si mesmo.
A psicanálise é uma travessia individual sobre o valor da palavra e que fracassa, pois a palavra é, mão não toda, jamais tudo.

Mayara Almeida
www.mayaralmeida.com.br
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11 de fev. de 2018

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Ela trouxe a "bola mágica" (uma bolinha que brilha quando pressionada) e eu trouxe a figura do unicórnio (mágico por inteiro) representado num copo com canudo sanfonado. Aquele, foi o único copo que encontrei, mas talvez tenha sido o ideal para o momento, pois comunicou, a mim e a ela, que haverá que ser devagar, assim como é, quando usamos um canudo para beber algo. Haverá, também, da parte dela, que fazer um esforço para sugar o líquido que colocar no copo e ultrapassar o concreto na vida real... Precisamos deixá-la repetir as histórias. Mas não deixar as histórias se repetirem. Podemos ser este outro que a escuta e também diz sobre maneiras de lidar com aquilo que ela repete. Fazer combinados previamente: isso primeiro, aquilo depois; fazer a atividade e depois um momento para ouvi-la, ou vice-versa. E ao mesmo tempo em que ela internaliza este amadurecimento sobre sentir, continuará recordando aquilo que incomoda e precisa ser organizado: recordar, repetir e elaborar. 

Se nós a ouvimos enquanto ensinamos e estimulamos, ela ganha a escuta e a valorização de si mesma, o reconhecimento dos próprios limites e a possibilidade de enfrentar aquilo que não saiu conforme o desejado - mas há que se fazer algo com isto - claro, com a nossa "mágica" intervenção, na escuta e na palavra - falada e escrita - autorizar as suas tentativas até que ela autorize a si mesma.
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26 de ago. de 2017

Família: uma ficção necessária? *

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Toda família tem seus segredos e sintomas. Estes aspectos fazem o nó que configura a instituição, onde circulam dinâmicas e desejos do outro, ocupando os espaços, introduzindo buracos e cortes que tentamos cuidar e curar. 

Porém, na análise, descobrimos que há sintomas não analisáveis e ficamos então perplexos ao descobrir que somos nós (cada um de nós) o pecado, a herança que desestabiliza esta ficção necessária. 

Também descobrimos que conseguiremos chegar lá (onde queremos) só que aos pedaços.

* Reflexão a partir da XIV Jornada da Escola Brasileira de Psicanálise - Delegação Paraíba, em João Pessoa/PB.
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2 de jun. de 2017

O “Lugar” dos pais no atendimento infantil

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Os estudos sobre atendimento infantil podem ser reconhecidos desde Freud, seguido por Anna Freud, Melanie Klein, Françoise Dolto, Maud Mannoni e demais autores da contemporaneidade. Mas onde devem estar os pais durante um processo? Em que cena devem aparecer ou como fazer funcionar esta relação? Aqui, vamos considerar e integrar aos pais, a família, responsáveis e/ou evolvidos diretamente com o cuidado psíquico da criança.

Acredito pela prática vivenciada, que é preciso um período de preparação tanto para os pais, quanto para a criança, pois esta, nem sempre contribui com o processo, sem antes perceber que pode confiar e estabelecer um vínculo que foi/é aceito e respeitado pelos pais. Nesta linha de pensamento, o atendimento infantil é um discurso de partes, e todos têm o seu lugar: profissional, criança e pais. 

Observo que existem profissionais que preferem não receber os pais, nem mesmo esporadicamente. Entretanto, é preciso reconhecer que estes têm a necessidade de falar com o psicoterapeuta do filho, já que estão implicados nos sintomas, mesmo que nem sempre reconheçam e assim, é nossa função profissional, também abrir espaços para que os pais ousem falar e revelar o inconsciente. É importante sublinhar a importância da escuta dos pais, embora estes peçam orientações e até seja benéfico apresentar sugestões, mas consciente de que este não é o objetivo principal.

Diante daqueles que solicitam ajuda para uma criança, estamos também diante da problemática própria dos mesmos. A maneira como a criança é esperada antes do seu nascimento, o que vai representar para a família em função da história de cada um, vai chocar-se com as projeções inconsistentes de todos os evolvidos - registro o valor revelador dos fantasmas e projeções dos pais, remontando a até três gerações, de acordo com Dolto.

Para exemplificar, trago um trecho de uma experiência, que ilustra situação semelhante: “No dia e hora reservados para o atendimento da criança - haviam acontecido apenas dois encontros - quem estava lá era outra integrante da família, apresentando o discurso: ‘preciso muito falar com você’. Recebi porque, certamente, algum sintoma poderia ser revelado e logo descobri que a criança só soube que não viria à sessão, próximo ao horário habitual. Fiz a escuta e, ao final, combinei que seria possível conversar novamente, mas com aviso prévio, para não comprometer a sessão e o combinado de que antes de conversar com alguém da família, eu e a criança, precisaríamos saber e autorizar. Este fato foi um obstáculo importante para o andamento do processo, pois a criança não gostou de ter seu horário substituído, e rejeitou o tratamento por um período significativo, até que novamente costuramos a confiança e os limites dos familiares. Outro fato importante neste caso, foi que a familiar atendida, que queria, talvez, me aprovar, tornou-se uma incentivadora do processo, motivando a criança a não interrompê-lo”.

Algo a refletir é sobre o discurso utilizado diante dos pais, informando que “precisam de psicoterapia por causa do filho”. Esta fala comunica um incentivo à dependência, pois são os pais que têm de assumir a sua vida e responsabilizar-se pelas dificuldades subjetivas em seu próprio nome. 

Assim, ao receber os pais ou familiares para uma entrevista, devemos ouvir o que eles têm a dizer, tentando também relacionar com o tratamento do filho, e assim, ajudá-los a redimensionar as dificuldades da criança e a reconhecer a possibilidade de ressignificar os próprios problemas. Se os pais estão implicados no sintoma do filho precisamos, então, ajudá-los a começar um certo questionamento de suas dificuldades e reconhecer que estarão sempre presentes através do discurso da criança. Sim, os pais tem um lugar no processo de psicoterapia infantil e precisam ser/se sentir bem-vindos.

Quem são essas crianças, razidas pelos pais ao consultório? E quem são esses pais, em sua maioria mães, que trazem as crianças como problemas?

Trazer a criança ao  analista infantil, muitas vezes, desperta o sentimento de impotência por precisar contar com um terceiro para intervir na relação familiar.

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27 de mai. de 2017

Livro Digital - Contos de Fadas e a Construção da Identidade Infantil

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Os Contos de Fadas têm facilitado, à gerações, o desenvolvimento emocional de crianças ao redor do mundo. A segurança de estarem, de alguma forma, dentro de um livro, o fato dos personagens viverem em terras distantes e o conhecido final feliz, trazem a segurança necessária para que se entreguem às emoções e elaborem seus próprios conflitos. 

Neste livro digital, compartilho um estudo sobre os contos de fadas e a construção da identidade infantil. Uma pesquisa com teoria, sequência das atividades e reflexões pertinentes, para informar e inspirar a prática.

Publico alvo: Profissionais que atuam com crianças, literatura, leitura ou escrita e, ainda, adultos interessados na temática.

Formato: Ebook | PDF - 79 páginas


Valor: R$ 40,00

• Quer adquirir? Entre em contato •
Email: mayarapsicologia@hotmail.com
Instagram: @psimayaralmeida
Facebook: Psicóloga Mayara Almeida

Mayara Almeida
Psicóloga - CRP 13/5938
www.mayaralmeida.com.br

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8 de mar. de 2017

O sucesso está em você!

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No domingo, 05 de março - em comemoração ao dia internacional da mulher - participei de um evento com "elas" e eles também (homens, compareçam aos eventos femininos, pois vocês ganham informações sobre o nosso universo. Olha que maravilha!

No evento Ame-se, idealizado pela equipe  @mulheresempreendedoraspb mostrei - através de uma palestra - que #osucessoestaemvoce. Apesar de estar inserido num contexto social que inclui bens materiais e status, precisa ser sentido, não apenas idealizado ou comprado; porque sentir nos movimenta, nos impulsiona.


Albert Einstein dizia que todos nós somos gênios, mas se julgarmos um peixe pela sua habilidade em subir em árvores, ele passará a vida inteira, acreditando ser incapaz. Conosco, não é muito diferente.

● Veja aqui, alguns trechos da palestra:

É sempre uma experiência incrível - através da minha fala - comunicar e alcançar pessoas. Porque eu acredito num mundo onde peixes não serão forçados à subir em árvores e seres humanos reconhecerão o sucesso dentro de si, antes de qualquer outra atitude. Eu acredito num mundo onde as conexões impulsionam e transformam!

Grata pela experiência #Amepb - Associação de Mulheres Empreendedoras da Paraíba!

Mayara Almeida
Psicóloga - CRP 13/5938

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24 de fev. de 2017

Desafio Diário - JOGO

4 comentários :

Desafios que vão inspirar os seus dias. 
Sua jornada noutro ritmo! |

Permita-se experimentar de forma consciente, persistente e constante. Assim que começar os desafios, reforce diariamente a sua continuação, escrevendo o que a experiência te fez perceber. Sem dúvidas, vai valer a pena! Não acredite apenas. Experimente.

📍O que é o #desafiodiario?
É um kit com 21 cards/tarefas propostas + 1 caderninho.

📍Por que 21?
O período de 21 dias é adequado para quem deseja mudar ou aperfeiçoar comportamentos.

📍Para quem serve o #desafiodiario?
Crianças, a partir dos 6 anos, adolescentes e adultos.

📍Que transformações os desafios podem nos causar?
O jogo #desafiodiário foi idealizado para contribuir com o desenvolvimento pessoal: autocuidado (com tarefas intencionais que favorecem o bem-estar; autoconhecimento (buscando despertar a identificação das emoções) e estimular a inteligência emocional (despertando o interesse em gerenciar conflitos e equilibrar os próprios sentimentos, sem desestabilizar a vida. As tarefas/desafios provocam reflexões no âmbito mais subjetivo, atenção às suas próprias questões e incentivo a tomada de atitudes com uma ação responsiva.

📍Como pode ser utilizado?
Pode ser usado individualmente ou em grupo.

• Antes de utilizar com outros, sugiro que realize consigo e descubra a melhor forma de colocar os desafios em em prática. A sua (melhor) maneira.

• Você pode criar uma sequência ou seguir aleatoriamente, se preferir.

• Sugiro que só passe para a próxima tarefa após realizar a anterior, porém, fique à vontade para pular e aos poucos ir superando os desafios de acordo com a sua disponibilidade.

• Você pode fazer um jogo de cartas: espalhar com a frente escondida e aquela tarefa que escolhida aleatoriamente, deverá ser realizada.

• Os desafios podem ser repetidos quantas vezes desejar para aperfeiçoar cada vez mais, as práticas propostas.

• Use a criatividade, descubra novas maneiras de usar e desafie-se positivamente!

▶ Envio por EMAIL - R$ 35,00
O arquivo com 21 cards será enviado em PDF, contendo as sugestões para uso e pronto para imprimir, no tipo de papel que desejar. 

Adquira o seu: entre em contato através do email: mayarapsicologia@hotmail.com

| Mayara Almeida |
Psicóloga - CRP 13/5938



Depoimentos de quem está utilizando:

💭 Mais do que reviver o delicioso tempo em que jogava bola de gude com meus irmãos e crianças da rua, resolvi apresentar a brincadeira à minha prima de seis anos. Ela adorou! Em meio à tanta tecnologia então... Diversão maior ainda. Gratidão, Desafio Diário, pela ajuda em exercer esses pequenos prazeres da vida, mas que se tornam grandes, diante do que nos pode proporcionar".

💭 "Hoje foi assim que terminei meu dia de trabalho com as crianças da ONG em que atuo. Elas tem entre 5 e 6 anos. Resolvi surpreendê-las com elogios pertinentes às suas conquistas, seus valores mais sutis. Vi brilhos nos olhos, choros emocionados, risos nervosos e tímidos. Depois abraços e beijos! Aí uma criança disse: agora nós vamos falar. E chorando tentou devolver todo o afeto. Eu, não esperava por isso e me emocionei tanto quanto eles. Você nem imagina as vibrações e emoções desse momento!!! Agradeço a você por partilhar seus conhecimentos conosco! Seja sempre inspiração em nossas vidas! Beijos!"





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5 de fev. de 2017

Fragmentos de uma ses(são)

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Você entra. Senta, chora. Fala de vazios, espaços que já não fazem mais sentido; por vezes, insone ou com muito; sem fome ou com muita. Detalha os receios, sente o medo chegar, confunde horas, dias, reflexos no espelho. Pergunta se eu já ouvi história mais triste e, antes que eu responda, decide continuar. 

Insiste que eu fale, diga algo, resolva, decida por você. Eu, fico em silêncio por respeito à esta dor que somente você conhece e eu ainda não posso acessar. Ainda. As conexões que se constroem através da escuta e da fala são profundas e alcançam entendimentos e transformações. De novo, profundas. 

Com o tempo, eu falarei também. Quando for necessário. E breve, você não será mais a mesma: após tantos mergulhos, voos, saltos e descansos, descobrirá lugares outros para continuar e seguir. Em frente.

*

Todo o discurso é planta baixa do inconsciente. O não - dito também tem o seu significante. E a psicanálise é um caminho para quem insiste em ver além. Para ser - si, constantemente.

Mayara Almeida 
Psicóloga - CRP 13/5938
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22 de out. de 2016

A Depressão em imagens

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Ano passado, escrevi este post sobre a Depressão: Em tempos de Depressão. É um assunto que estudo e acompanho na clínica e, portanto, dia desses resolvi pensar numa maneira de tornar mais concreta, a compreensão sobre o assunto, fazendo um paralelo com a teoria e as descrições das sensações e vivências que acolho.

Para as imagens utilizei recortes de revistas, alguns objetos e uma flor natural para dizer sobre algo delicado, profundo, intenso e, por vezes, confuso e desconexo - porque assim, também, pode vir-a-ser, considerando a realidade de que existem DEPRESSÕES e, assim, peculiaridades que diz respeito a cada uma delas.


Há algo acontecendo, de um jeito sensível psiquicamente, que nem sempre aparece externamente, mesmo que esteja com a melhor e mais colorida roupa. É algo invisível por dentro.





A compulsão alimentar ou por compras, também pode ser um alerta para um cuidado emocional mais adequado. A mente está em dificuldades para lidar com aquilo que necessita de atenção e, busca uma saída externa para ocupar os espaços confusos. Saída esta, que precisa ser identificada e organizada para não gerar um novo conflito psíquico.



Fica difícil concentrar-se, pois o nível de ansiedade, geralmente está elevado e parece que as portas mentais fecharam. Não é possível adquirir novos conhecimentos - uma simples linha, durante uma leitura, pode exigir um enorme esforço físico e mental - assim como atividades diárias, podem tornar-se intensamente cansativas e sem sentido.



Não apenas a passividade, mas a agressividade também é sinal importante para cuidarmos de si ou daquele que está próximo. Mudanças de humor, seja para qual extremo for, merecem atenção e cuidados específicos.

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Lembrando que para um diagnóstico adequado, profissionais especializados devem ser consultados: psicólogo e psiquiatra.
Compartilhe este post e vamos disseminar, juntos, os cuidados necessários à saúde mental! Conto com você.

Mayara Almeida 
Psicóloga - CRP 13/5938
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4 de set. de 2016

Homoafetividade: como fica a cabeça das crianças?

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Um dos grandes debates atuais, aborda a constituição do que chamamos de novas organizações familiares, discutido sobre a forma de ligação afetiva entre sujeitos: famílias adotivas, casais com e sem filhos, casais homoafetivos, produções independentes, barriga de aluguel, embriões congelados e, ainda, sabe-se lá, a clonagem. Na verdade, muitas destas organizações familiares sempre existiram. Porém, os protagonistas dessas vivências passaram a provocar visibilidade, e a partir daí, surgiram  questões que movimentaram as relações sociais.

Há dificuldades sobre aceitar o relacionamento de pessoas do mesmo sexo e o argumento mais disseminado é "o bem da criança". Em termos da saúde mental, uma criança deve ser criada por adultos que desempenhem funções parentais, as quais chamamos de materna e paterna, promovendo a constituição psíquica do sujeito e facilitando os seus laços sociais. 

Resultado de imagem para Precisamos falar sobre hetero/homo (sexualidade) tumblrUm bebê, por exemplo precisa ser embalado pelo imaginário do adulto, acolhido subjetivamente pela palavra e suposições que não são palpáveis. São ilusões, de fato, mas excelentes ilusões necessárias. Este bebê, então, suposto pelos laços parentais, vai desabrochando e tantas vezes, marcando a diferença daquilo que foi inventado, descobrindo a alteridade em si e no outro.

Além disso, podemos refletir: o gênero de quem cuida da criança não determina benefícios e foi a partir de modelos de famílias tradicionais, que surgiram na sociedade comportamentos anti-sociais, desvios de conduta, marginalidade, perversões, drogas, enfim, as mais diversas formas de sofrimento psíquico. E como bem pontua a psicanalista Vera Iaconeli, “A heterossexualidade nunca foi vacina contra as psicopatias”.

Mayara Almeida
Psicóloga - CRP 13/5938
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14 de jun. de 2016

O que (não) fazer numa entrevista de trabalho

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A entrevista de trabalho, é uma oportunidade para que você seja notado dentro da sua área de atuação e, portanto, uma possibilidade de ser lembrado, até mesmo para contratações futuras. Abaixo, três dicas sobre situações vivenciadas corriqueiramente num processo de seleção de pessoas. Observem bem os alertas para cada situação e compartilhem as informações. 

● Situação 1:
- Você trouxe seu currículo? 
- Não, eu já enviei por email.

Alerta: Leve seu currículo sim, mesmo já tendo enviado por email.

● Situação 2: 
- Ah, que bom! Você já atua na área. Qual o nome do local? 
- Ah, eu sempre esqueço. Deixa eu lembrar...

Alerta: Nunca, jamais, esqueça o nome do local onde você trabalha. A não ser que seu nervosismo seja um motivo real e considerável, certamente será considerado um enorme deslize com a sua própria atuação profissional.

● Situação 3
- Você candidatou-se para qual vaga?
- Para xxxxx. 
- Que bom! E qual a sua experiência na área? 
- Na verdade, eu gosto mais de yyyyy e, só tenho experiência nesta.

Alerta: Se a vaga disponível é para X e o seu interesse é Y, não envie currículo, não marque uma entrevista, não adapte o seu interesse para a vaga, pois um bom entrevistador perceberá nos primeiros cinco minutos de conversa que você não deveria estar ali.

Mayara Almeida
Psicóloga - CRP 13/5938 
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14 de dez. de 2015

A favor de alguns "baratos".

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Não defendo a legalização das drogas pois conheço a capacidade negativa que têm e a desordem que podem causar. Conheço profissionalmente, pelas experiencias no consultório e também por acompanhar desastres com pessoas próximas.

O uso inicial é para relaxar, aliviar a vida e diminuir a ansiedade daquilo que ainda não pode ser. E funciona tão bem que convida à repetições desenfreadas, podendo despertar as fragilidades que, não percebemos, mas estão ali, adormecidas. Não sabemos antes, se afetará a cognição, a emoção, o corpo.

Há quem faça uso recreativo e justifique um bom incentivo à criatividade. Mas como? O uso contínuo desconstrói as possibilidades de inventar algo possível, aproximando déficit de atenção, paranóia e poder desgovernado para o dia-a-dia de um corpo/mente que não suporta essa montanha-russa de emoções.

Desejosos de um gozo maior - e quem não é? - usam a droga como vontade de potência. Porém, para o mesmo fim, recomendo poesia, música e escrita. É um barato!
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15 de nov. de 2015

Entrevista: Sobre a urgência da vida e a surpresa da morte.

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25 de set. de 2015

Emagrecimento - conversar sobre o assunto pode ajudar muito no processo*

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*Texto publicado originalmente na edição 70 da Revista Fashion News.

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Certo dia, alguém sente a necessidade de mudar seus hábitos alimentares, porém, em algum momento, surgem “justificativas” para não se manter nesta nova rotina. Mas o que isto tem a ver com obesidade ou emagrecimento?

Obesidade é um tema bastante trabalhado em terapia, pois envolve tanto sentimentos (comer porque está com raiva, ansioso, deprimido) como comportamentos (alimentação realizada em à TV, ingerindo mais do que percebe). Através do processo, é possível identificar e elaborar fatores que impactam no comportamento do indivíduo. Afinal, é lá no “infinito particular” - o inconsciente - que estão as experiências, referências, afetos e desejos que influenciam a vida como um todo.

Na terapia, lhe é dada a permissão para a palavra. Busca-se compreender o que acontece com aquela pessoa que busca sempre a mesma forma nociva de conforto e que não satisfaz. Não falar sobre o que existe por trás da alimentação, é como se castigar eternamente em vida, fazendo planos apenas para quando emagrecer. E enquanto o peso ideal não chega o sujeito não "pode" viver.

Algumas das reflexões que são feitas em terapia, podem vir a ser:

• Identificar o porquê de querer perder peso: ser aceito pelos outros? 

• Desejo real de emagrecer ou uma espera para que “o outro” o emagreça? Essa postura dos que esperam ser “emagrecidos” é fortalecida por fatores externos (medicação ou cirurgia desnecessária) pois manter-se magro e, o mais importante, saudável, vai depender de sujeito. 

• Como está sua auto-aceitação? Porque é impossível mudar uma coisa que você nem aceita que existe. Parar de brigar com o corpo é necessário para ter tranquilidade suficiente para ser eficiente ao fazer algo por ele.

• A sua forma de alimentação é vício? Como todas as adicções, comer trás satisfação em curto prazo e dor e arrependimento a longo prazo.

Portanto, se você está lendo e pensa em fazer ou está iniciando uma dieta, busque também ajuda psicológica e vá além da reeducação alimentar, permitindo elaboração do seu infinito particular. O retorno, com certeza, será incrivelmente positivo.

Psicóloga Mayara Almeida
CRP 13/5938

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