9 de jan. de 2026

O espetáculo que é, ser vista.

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Nos encontranos num momento onde meu corpo me pedia mais cuidado e menos pressa. E estar com você foi uma forma de dizer sim, à vida, noutro ritmo. Dizer sim aos meus pedidos silenciosos de carinho e também me lançar à experiência que é o malabarismo de um encontro com data pra ter fim. Requer um nível de entrega delicada e intensa, que talvez você já alcançou, algum grau específico de autosustenção e abertura para o incerto, que pra mim, ainda é desconfortável. 

Foi um convite para me lançar na insegurança e "me divertir" no caminho. Me divertir e rir com a sua companhia, observadora, delicada, numa experiência de ser vista e re-vi-si-ta-da, assim mesmo, bem devagar, com calma, como quem soletra cada sílaba da palavra, como quem me lê, sem fazer barulho, me lembrando de mim: engraçada e corajosa, sensível e forte. 

Você me testemunhou sem tentar tirar minha essência, minha sensibilidade, meus risos e silêncios. Sem me pedir pra encolher, rir baixo ou não ser.

Mas acabou. O espetáculo do nosso encontro, porque outros, pela vida, certamente, seguirenos conduzindo. Cada um à sua maneira, em algum lugar do planeta: você fazendo malabarismos na própria vida e eu, reaprendendo a me equilibrar na beleza do acaso que é ser vista.

Agradeço por me lembrar que ainda posso redescobrir e capturar boas doses de mim.

M. 

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