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16 de ago. de 2015

Observações sobre o amor transferencial *

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Inconsciente, associação livre, interpretação, produções imaginárias... Todos juntos não alcançam a dificuldade presente no manejo da transferência. Esta, composta de tantas nuances e luzinhas constantemente acesas, alertando sobre a constância desse fenômeno na clínica e as dificuldades que isso pode significar. Estar ali, à frente de outro que pode despertar inúmeras memórias e descobertas, mas ocupando um outro lugar, de acolhimento saudável ou contenção, mas não de realização de desejos, é no mínimo, delicado.


Numa situação em que o paciente demonstra, claramente ou não, um enamoramento pelo analista, este “[...] deve reconhecer que a atuação é induzida pela situação analítica e não deve ser atribuído aos encantos de sua própria pessoa; de maneira que não tem nenhum motivo para orgulhar-se [...]”. A perturbação pela dúvida, sobre aceitar ou finalizar, para mim, demonstraria uma forte tendência do analista, à contratransferência negativa, desconstruindo os princípios básicos do processo.


O que está em jogo não é a capacidade ou disposição para amar, das partes, mas sim, os limites necessários para que se estabeleça uma análise possível e ética. Novamente, ali é outro lugar, onde o amor dos amantes só é aceito no nível da palavra que ressignifica e constrói novos sentidos.

E aquele que ama na análise, onde está, senão, pensando neste amor e negligenciando tantas outras questões que o salvariam desta incompreensão de amar o "proibido"! Às vezes, amar pode ser sintoma e necessidade de tratamento, pois condiciona o outro a fingir ser aquilo que não é. A resistir diante da real demanda, e assim, ama-se para não ser descoberto, para não ter que se explicar ou reconhecer aquilo que há por dentro.

Este amor circula no setting, usa os lenços, deita no divã, e está lá como se fosse, mas não é, para o analista. É para o sintoma que se viu refletido no outro.

Como princípio fundamental, o analista deve permitir que a necessidade e o anseio da paciente persistam, de modo a poderem servir de forças para o trabalho e para efetuar mudanças. É uma batalha a travar para o analista: em sua própria mente, contra as forças que procuram arrastá-lo para abaixo do nível analítico; fora da análise, contra opositores que discutem a importância que ele dá às forças instintuais sexuais, e, dentro da análise, contra as pacientes, que revelam a supervalorização da vida sexual que as domina.

É preciso, então, deixar vir, mas não ir junto. Estar ao lado, mas não vivenciando as mesmas projeções infantis do paciente. É fato que não receber o amor, pode ser o acesso a receber o seu contrário: ódio, desprezo, pois este, o amor, é um tipo de loucura socialmente permitida. E dentro do processo terapêutico pode ser um método perigoso, mas é também através dele que se alcança informações incríveis sobre o paciente que pode/devem ser delicadamente transformadas para o próprio bem-estar do sujeito.


* Texto original de Freud (1915) 
por Mayara Almeida
Psicóloga – CRP 13/5938
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27 de jul. de 2015

Tecnologia e Subjetividade

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O uso de dispositivos tecnológicos com acesso à internet, tem sido comum para aproximações nos relacionamentos sejam de amizade ou amorosos. Um lugar que cabe no blso ou num canto da sala de casa, nos faz sentir que o outro está sempre ali ou que estamos acompanhados virtualmente.

Outro dia, conversei com alguém que brincou: "Relacionamentos amorosos, só no facebook". E fiquei sabendo que apesar do riso, existua um certo desejo de que fosse possível não ter que fazer esforços para construir um relacionamento real. O que significa este tipo de ideia? De que forma atitudes semelhantes interferem na subjetividade nos sujeitos?

Ter uma conversa com alguém na presença física da pessoa, toma um tempo que não nos permite uma apresentação controlada e na conversa escrita, parcela-se a atenção, o contato e acredita-se "proteger" daquilo que teme acontecer. O relacionamento ideal não existe nem no virtual, exatamente por ser ideal, visto que é imaginado, sonhado por este que deseja aquilo que não existe ou que não pode vir-a-ser.

Por outro lado, é possível sim, chegar a acordos e equilíbrios nas relações, utilizando a tecnologia como apoio diante de imprevistos ou necessidades (viagens ou relacionamento à distância). 

É certo que cada relação pode abrigar aspectos diversos e aqui, não foram citados, mas também percebo que muito pode-se investigar acerca dos comportamentos vinculados ao uso da tecnologia e relacionamentos: Desejo de estar sempre acompanhado ou receio de ser, no real, abandonado? Controle sobre quem fica e sobre quem vai? Sigo curiosa, muito mais do que escolhendo o que é melhor ou pior.

Mayara Almeida
mayarapsicologia@hotmail.com

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13 de jul. de 2015

O Amor no Divã

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Em tempos líquidos, o amor também beira o abismo das relações e faz-se necessário adequar os nossos reais interesses afetivos à realidade dos projetos de vida a dois. Nos consultórios, são trazidas muitas questões atuais de novas configurações amorosas, que refletem os novos tempos e a vulnerabilidade das relações. O amor vai ao divã, e busca elaborar os aspectos de cada relação, embora possam estabelecer padrões semelhantes, são únicas e genuínas, considerando a individualidade de cada sujeito envolvido.
  • Preciso dividir minhas senhas?
Ter um momento só seu, é importante e não representa falta de lealdade. Você pode e deve ter suas experiências particulares, desde que mantenha o respeito pela relação.

  • Morar junto é essencial?
Não há regras, mas é possível experimentar uma viagem mais longa ou passar uma temporada com o (a) companheiro (a) para avaliar como é o dia-a-dia. Façam acordos e não tenha receio de repensar, se as atuações forem desagradáveis.

  • As relações podem ser descartáveis?
A linguagem a velocidade da tecnologia não deve ser projetada nas relações, pois o amor tem um tempo relativo para amadurecimento: tolerância e investimento são indispensáveis para que a parceria dê certo. Não somos copos plásticos.

  • Filhos: ter ou ao ter?
A escolha deve ser exclusiva do casal, assim como as responsabilidades e planejamento sobre a chegada de um bebê. Evite tomar decisões apenas porque o outro deseja: trata-se de um projeto de uma vida.

  • É interesse ou desconfiança?
Monitoramento excessivo não traz garantia de fidelidade, mas deixa claro o sintoma da insegurança, que busca de forma ilusória, dominar o outro e acaba por estremecer a confiança. Uma conversa olho no olho é o que recomendo, sempre que possível.

Apesar das ondas tecnológicas, ainda vivemos no mundo do discurso e a comunicação através da palavra falada faz toda a diferença. O amor é um labirinto e a palavra se configura como a bússola para diminuir as perdas no caminho. A questão do amor, então, passa pela criatividade para ser durável, ou pela patologia, para ser desconsiderável. A Cri(s)e, por exemplo, é questão de uma letra a mais na palavra. O amor, é roma ao contrário. E você sempre pode escolher cuidar de si mesmo, antes de tudo. 

O amor foi ao divã e descobriu que amor mesmo, começa do lado de dentro.

* Texto publicado originalmente na 
Revista Fashion News - João Pessoa/PB
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9 de jul. de 2015

Reflexões sobre a escuta

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A escuta cabe nos espaços em que alguém possa falar. Não apenas com palavras, mas com jeitos e elementos entrelaçados na apresentação. Mas a escuta mesmo, aquela real, só acontece quando há um outro disponível a costurar informações, já que, tantas vezes, o início esteja no final da história que se ouve. É um trabalho artístico também, buscando dar conta de aspectos emocionais e sensoriais vividos pelo sujeito que cala e fala, lembra e esquece, constrói e desconstrói, mostra e esconde.

Há pacientes mais comprometidos emocionalmente e, com estes, cabe-nos uma escuta especial, quiçá, poética, para alcançar às suas representações de (des)afetos. O profissional deve cuidar da sua própria escuta para que, assim, possa investí-la na prática de forma que suporte (e sobreviva subjetivamente) às falas agressivas ou afetadas pelo negativo, vindas de alguns pacientes.

À escuta, cabe ainda - e muito mais - ajudar o paciente a estabelecer ligações através das perguntas devolvidas ou comentários em momentos adequados. O profissional empresta a si mesmo - através da escuta - para o investimento de funções que faltam no paciente, para o ego e para a vida.

Há também que estar ali, fazendo escuta, e ao mesmo tempo, percorrer outros caminhos que podem exigir ao profissional - do ponto de vista técnico - promover ao paciente um certa reserva, contenção quando necessário, sustentação verbal e psíquica e diálogos sinceros que nada tem a ver com conivência. Ir e voltar dos acolhimentos e investimentos. Reserva-se sempre que possível e empresta-se sempre que é preciso.

Havendo continuidade de uma boa escuta, pode-se então, reconstituir-se e se levar a diante, confiando em seguir com sua própria identidade, porque através da escuta, autorizou-se a ser, a pensar. Pode-se enfim, escutar também.

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26 de jun. de 2015

Profissional do "nada" ou de algo?

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Não foi a primeira vez que ouvi um paciente relatar: - "Fui ao médico e ele disse que não tenho 'nada' ou é 'coisa da minha cabeça', por isso eu deveria buscar um psicólogo". Ok. Entendo que muitos casos que chegam ao consultório médico, não apresentem causas fisiológicas ou orgânicas, de forma clara, mas é importante esclarecer ao paciente que na verdade ele tem sim, algo, mas que o profissional ali à sua frente, não dispõe de estratégias para identificar, por isso encaminha ao psicólogo, ou ainda, que os sintomas apresentados parecem ter causas psíquicas ou emocionais e seria adequado buscar um profissional que atue diariamente com estas demandas. Este discurso, se utilizado muda muito e ajuda a desconstruir o estereotipo de que psicólogo cuida apenas da loucura humana ou "de doido". Dizer ao paciente que ele não tem nada, pode fazê-lo acreditar possuir uma condição ilusória de um vazio que o adoece, o nada, e não consegue entender/explicar e por isso só vai piorar, ou ainda, pode fazê-lo não procurar o psicólogo, exatamente por não ter nada, e sem nada, para quê procurar outro profissional? Atendo diariamente sujeitos cheios de nada, vazios de tudo e dispostos a costurar essa mistura de forma mais agradável. Eu não sou uma profissional do "nada", ao contrário, cuido de conexões muito nomeáveis e sui generis, possuidoras de profundas explicações. A saúde pede menos pressa, mais escuta, e profissionais integrados, da melhor forma possível. Os limites existem mas, todos temos responsabilidades com a nossa atuação, exatamente porque ela influência àqueles que nos procuram. 

Psicóloga Mayara Almeida
mayarapsicologia@hotmail.com

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25 de jun. de 2015

Doenças psicofisiológicas e seus aspectos emocionais

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A predisposição genética ou o que podemos chamar de dna psíquico, somado aos fatores ambientais, podem influenciar o surgimento ou piora do quadros psicofisiológicos. Assim, reações orgânicas, também podem estar diretamente relacionadas aos estados emocionais do indivíduo, causando sintomatologias crônicas, inclusive.

O corpo reage a cada investimento positivo ou negativo que proporcionamos a ele e as emoções são como um cobertor que envolve o organismo interno, nada chegando ao mesmo, sem ser tomado de sensações psíquicas. 

A dor e o incômodo físico são sintomas de algo que já tem um caminho percorrido e por isso, muitas vezes, configura-se em doenças muitas graves e desagradáveis. A dor avisa um limite. Há um receio por trás de cada sintoma corporal. Algo que sinaliza possível sentimento de inadequação e medo de lidar com a própria realidade.

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22 de jun. de 2015

Quanto tempo é "normal", para um casal, ficar sem relação sexual?

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Não considero adequado falar em normalidade, pois a ausência ou baixa frequência de relações sexuais em um casamento só deve ser considerada como dificuldade se um dos parceiros não estiver satisfeito, ou seja, é o próprio casal que estabelece o ritmo.

Muitas vezes, os veículos de comunicação propagam padrões sexuais que não se aplicam a todos, e o casal enxerga problema onde não há, porque estabelece uma comparação com outros.

Se eu posso dar uma certeza, é que cada casal faz a sua costura de decisões afetivas, incluindo a frequência das relações sexuais. Não deve importar o quê, ou como, os outros vivem. É No um a um que se sabe um pouco sobre algo.

Psicóloga Mayara Almeida
mayarapsicologia@hotmail.com

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2 de jun. de 2015

Carpe Diem: A arte de se presentear com um tempo.

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(Texto publicado, originalmente, na Revista Fashion News - maio/2015)

Geralmente não pensamos no valor do tempo a não ser quando ele está em falta - ainda assim, quando há tempo disponível, nos sentimos estranhos, com tédio, sem saber o que fazer com as horas livres que nos convidam a escolher. Nessas situações, muitas vezes, escolhemos fazer qualquer coisa, sem refletir se, de fato, será agradável para nós. Algo que é tão valioso - pois é através dele que fazemos uso da nossa energia diária - não é de se deixar sem proveito. De tempos em tempos, recomendo esse presente: um tempo só para você. Para manter seu equilíbrio e energia. Para recarregar as ideias, para estar consigo mesma, para viver o momento, para inspirar-se. Estes momentos de retiro pessoal são extremamente importantes para reconhecer as verdadeiras prioridades em sua vida.
Mas como fazer? Como usar o tempo a seu favor? Não há uma regra, deve ser algo que faça sentido para você. Algo sob medida para seu momento e suas necessidades. Comece pelo seu “por que”. Por que você quer realizar essa atividade? Qual é o significado dela para você?
Posso citar alguns exemplos:
- Criar um momento de cuidados pessoais prazerosos: um escalda-pés, banho à luz de velas, automassagem ou até marcar uma massagem num local adequado.
- Algumas horas de silêncio ou de leitura agradável.
 - Passear na praia e colocar os pés na areia.
- Ir para uma cafeteria e aproveitar o momento lendo um belo livro ou na companhia de um caderninho para anotar ideias.
- Escutar uma música de olhos fechados.
- Fazer um mural de inspirações, com temas que lhe motivam.
- Praticar momentos de meditação, da maneira que mais se adequar ao seu jeito de ser.
- Cantar ou dançar, elevando sua energia e bem estar.
- Contar com apoio de profissionais de saúde (psicoterapia) para lhe orientar e ampliar seu crescimento.

Na verdade - e que bom - há muitas opções para você se dar um tempo e, a maioria delas, só precisa de você, sua presença e o tempo que você vai se permitir aproveitar. A partir daí, podem até surgir importantes insights, pois você está mais presente, distante do foco excessivo no externo e conectada com o mundo interno. Se desejarmos soluções diferentes, precisamos agir diferente. Deixar fluir, deixar ser fácil. Permitir-se.

Psicóloga Mayara Almeida
mayarapsicologia@hotmail.com

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25 de mai. de 2015

Em tempos de depressão

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Gostaria de iniciar dizendo o que a Depressão NÃO é: frescura; falta do que fazer; coisa da sua cabeça; falta de Deus. Há um excesso de desinformação sobre o que a depressão é de verdade, então as pessoas frequentemente pensam que dizer coisas como “seja mais feliz” e “faça um esforço maior” são conselhos válidos. Não são. É preciso compreender o que se passa e, muitas vezes, permanecer ao lado, em silêncio. Infelizmente, há muitas pessoas que ainda não tomaram consciência de que a depressão é algo muito sério e precisa de atenção e cuidados.


Imagine que, por algum motivo, você quebra alguma parte do próprio corpo e precisa fazer cirurgia para colocar no lugar certo, ou fica trinta dias com um membro engessado e ainda passa seis meses fazendo fisioterapia para voltar a locomover-se adequadamente. A depressão é como reaprender a andar, só que a quebra é da ordem do subjetivo. 

Acompanho muitos pacientes com ou beirando a depressão. Chegam desconectados com os próprios desejos, distantes dos próprios sonhos e sem enxergar um caminho possível. Uma cegueira psíquica que não é bem compreendida pelos familiares e pares de relacionamento, na maior parte das vezes. Não é "coitadismo", é doença subjetiva, perda de interesse pela vida.

Diferente de quebrar algum osso, que se vê, a depressão vai desintegrando o colorido de dentro, devagar, bem devagar. Não é de súbito que se dá. Por isso é preciso uma conexão familiar para ajudar na reconstrução dos interesses e na costura dos afetos positivos, além de acompanhamento profisional.

Abaixo, algumas sugetões, para lidar com este problema, 
que, na maioria dos casos, pode sim, ser revertido.

1. Faça sessões de terapia
As sessões de terapia são fundamentais para que a depressão seja superada. Passar a entender o porquê do sofrimento, como ele começou, em quais momentos aparece é importante para modificá-lo. A solução passa pela fala, pela palavra. Apenas substâncias químicas não resolvem: "ou dire ou pire" - dizia Lacan.

2. Tome as medicações prescritas pelo médico
Se o psiquiatra receita um medicamento, ele deve ser tomado da forma correta, para que a sua eficácia aconteça. E vale lembrar que usar álcool ou outras drogas, interfere na medicação e trará consequências.

3. Procure dormir o suficiente
A falta de sono ou vontade de dormir o dia todo são sintomas que tem um grande impacto na depressão. Busque a qualidade do sono para o total reestabelecimento, procurando na medida do possível manter a rotina da hora de dormir e da hora de acordar.

4. Conheça os gatilhos da depressão
Para certos pacientes ter contato com uma pessoa específica recomeça tudo de novo. Para outras pessoas, o gatilho pode vir a ser uma música, um local, programas violentos de TV.
A dica é conhecê-los e evitá-los.

5. Entenda o poder da sua respiração
Ansiedade e stress geram respiração ofegante e, retomar o controle da sua respiração pode acalmar sua mente. Respire fundo algumas vezes quando sentir que está nervoso e isso enviará ao seu cérebro a mensagem que você está calmo – já que, quem está calmo respira devagar.

Cuide-se!


Psicóloga Mayara Almeida
mayarapsicologia@hotmail.com

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23 de abr. de 2015

Carta a um futuro analisando

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Recebi a sua carta. Um pedido de ajuda, será? Penso que também pode ser algo da ordem da dúvida: confiar ou não confiar? Sim, este é um aspecto importante, mas que vai sendo costurado aos poucos a partir do que podemos chamar de disposição subjetiva. O desejo de entender algo é um impulso para iniciar uma análise. Você deseja algo? Se sim, este é um com caminho. Se não, deixemos para quando houver a disposição.

Você enviou um pingente junto com sua carta e não disse nada sobre o mesmo, mas me pergunto: o que refletir sobre um par de asas douradas? Asas, possuem pássaros e dizem, os anjos. Não sou nenhum dos dois.

Em seu escrito também perguntou sobre as minhas características de caráter, para assim, saber se sou uma profissional capacitada para exercer esta atuação.

Vamos lá:

A minha história com a psicologia e psicanálise, iniciou antes mesmo que eu chegasse à universidade e conhecesse teoria e prática da atuação. Iniciou através da ordem do desejo, da subjetividade, que insistia para que eu buscasse algo mais profundo existente no ser humano. Assim foi e é, a minha trajetória, que só me impulsiona a aprender um pouco mais a cada dia e dividir o conhecimento adquirido de maneiras saudáveis e funcionais.

Ouço as pessoas com paciência. No ônibus, na fila do banco, no supermercado. E gosto de ser assim. As palavras pedem espaço e eu as recebo suave e delicadamente. Vou citar um exemplo: certa vez, visitei uma instituição onde realizei um trabalho de orientação aos cuidadores. Em meio à conversa, apontaram um garoto de 4 anos que corria desorganizadamente no local. Pegava um carrinho de bebê e repetidas vezes empurrava contra a parede, subia em cima de uma cadeira e gritava quando assim desejasse, etc. Sozinho. As outras crianças estavam fazendo atividades dentro das respectivas salas, enquanto ele, era o rei. Aproximei-me e pedi para guardar o carrinho e a cadeira. Ele se jogou no chão, gritou e me mordeu. Mas não foi um mordida qualquer. Até hoje tenho a marca desta memória. Para completar, enquanto se debatia, continuou a sua recusa diante da minha presença cuspindo em mim repetidas vezes, e eu, segurando seus braços, só olhava para ele. Alguns minutos se passaram e ele parou. Pediu a chupeta e deitou no chão, como se quisesse descansar e por um tempo foi o que fez. Trago este exemplo para dizer que todos - pequenos e grandes - vamos nos comunicar de diferentes jeitos e é preciso traduzir com tranquilidade. Eu escolho traduzir pessoas, escutar vidas tragicômicas e ainda me surpreender cada vez que um paciente me conta um segredo.


Gosto de algo mais, além da própria atuação de psicóloga. E tudo que faço além, me confere uma subjetividade interessante para que eu exerça o ofício com necessário apreço ao conhecimento: vou à praia, à cafés e livrarias, também escrevo e sim, me alimento. Portanto, faço parte do grupo humano e real.

Não acredito na cura propriamente dita, mas na organização das potencialidades e da normalidade que é individual a cada sujeito. Ouço, faço silêncio, falo, faço barulho e suporto as mesmas reações vindas do outro, exceto sujeitos que não querem querer. Não precisa estar completamente pronto para iniciar o processo de terapia, mas ter algum vir-a-ser-de-desejo para que possamos continuar. Enfim, seja como for, não precisará de armas aqui.

Ah, e por fim, antes de ser borboleta, todos precisamos ser lagartas.
Que assim seja!

Estimo uma boa reflexão!
Psicóloga Mayara Almeida

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26 de mar. de 2015

Um grito de fumaça

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Não fuma-se por amor à vida, mas devido a prazeres e razões inconscientes que nos movem sem que possamos reconhecer ou dominar facilmente. Um suicídio vivenciado aos poucos, silenciosamente, prazerosamente: a fumaça preenche o vazio da vida. Acende-se o cigarro buscando iluminar a consciência, buscando importância para algo. Um grito de fumaça. O cigarro é companhia e relação do sujeito com sua fantasia. Ah, um cigarro para me acalmar. Mas a calma é falsa. Melhor viver e não fumar.

• Saiba mais sobre o Tabagismo.
Dicas para ajudar na mudança de hábito:

- Evite situações em que a vontade de fumar é maior e procure evitá-las: álcool, festas, etc;
- Retire de casa os produtos relacionados, como cinzeiros e isqueiros;
- Combine com familiares e amigos que não fumem perto de você.
- Beba bastante água e procure comer alimentos mais leves;
- Evite locais fechados em que possa haver pessoas fumando;
- Pratique atividade física;
- Procure acompanhamento psicológico se perceber que não está evoluindo positivamente.

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20 de fev. de 2015

Benefícios da psicologia

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Que tal fazer algo muito bom por você mesmo?
Faça psicoterapia.

·        Maior controle sobre a sua vida.
·        Avaliar nível de stress e eliminá-lo.
·        Estabelecer metas e objetivos claros e alcançáveis.
·        Adquirir mais confiança, flexibilidade e criatividade.
·        Reestruturação das emoções e pensamentos negativos.
·        Entender os mecanismos da motivação e aumentá-la.
·        Aprimorar confiança e autoestima.
·        Adquirir habilidades de comunicação e relacionamento eficazes.
·        Aprender lidar com emoções limitantes como medo e ansiedade.
·        Ser mais equilibrado e otimista.
·        Estabelecer harmonia interna.
·        Identificar e transformar crenças limitantes.
·        Identificar e fortalecer crenças fortalecedoras.
·        Superação de limites e obstáculos.
·        Desenvolvimento das competências necessárias para alcançar metas e ultrapassar limites.
·        Eliminação de bloqueios nas várias áreas de atuação (inclusive aprendizagem)
·        Sentir-se bem consigo mesmo.
·        Ampliar e manter a parceria e o diálogo entre o casal.
·        Gerenciar e entender as mudanças pessoais com inteligência emocional.
·        Conciliar a satisfação pessoal e profissional.
·        Conciliação de carreira e maternidade/paternidade.
·        Melhorar o relacionamento entre familiares e colegas de trabalho.
·        Permitir descobrir formas novas e criativas de tirar o máximo prazer e satisfação da sua vida familiar.
·     Encontrar estratégias práticas para lidar com o comportamento desafiante das crianças.
·    Encontrar apoio para tomar decisões relativas à educação, saúde e cuidados com os seus filhos.
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30 de jan. de 2015

Violência contra a mulher

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O comportamento agressivo ou violento, seja ele, da forma mais mascarada ou concreta, afeta a vida do indivíduo em todos os aspectos, podendo, certamente gerar: um sentido obscuro de culpa, acreditando que a situação foi gerada pela própria vítima agredida; dificuldades afetivas, ou privações emocionais: medo de não ser reconhecido, não ser amado, de não ter ou ser o suficiente e medo de perder. A violência contra a mulher poderá desenvolver um estado crônico de terror, que, paradoxalmente, faz cair em um estado de submissão e possível deprimência grave.

É importante esclarecer que: assumir a condição de vítima pode ser paralisante para sair desta situação. Com esta nomeação: “vítima”, a mulher depende de outro; porém, quando a mulher é referida como “estando em situação de violência”, ela está em outra condição, ou seja, ela acessa um lugar de passagem, pois é um sujeito na situação, e não um objeto. O fato de “estar” em uma situação, oferece a possibilidade da mudança, mobilidade subjetiva que compõe esta condição. Posteriormente, é muito importante procurar ajuda, deixar que alguém saiba e possa ajudar na resolução da situação que causa sofrimento e desconforto individual e/ou social, para que a mulher possa, então, tomar consciência de seus recursos psíquicos, e desvincular-se do homem; pois só assim é possível deixá-lo, e escolher seu próprio caminho.

Assim, o tratamento psicológico para reaprender a lidar com a realidade é extremamente necessário.

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12 de dez. de 2014

Comprar, comprar e... O que eu busco com isto?

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Comprar. Hoje em dia, há um prazer enorme nisto. As facilidades que geralmente encontramos: cartões de crédito, promoções, encantam quem estimula-se com compras. Mas é possível não render-se a tudo isto?



Comecemos pensando sobre alguns fatos: já comprou algo que não usou? Ou comprou por impulsividade e nem lembrava mais que tinha? Ou comprou algo que não lhe cabe corporalmente? Ou ainda, comprou e arrependeu-se da atitude, sentindo-se angustiado pelo fato, esperando a fatura chegar com medo do valor registrado? A questão não é querer estar/sentir-se bem ou confortável, mas não conseguir reconhecer os limites que existem entre comprar o que precisa e evitar o desnecessário... E o objeto que poderia preencher, acaba tornando-se um novo vazio, satisfação passageira.

Reflita: o que você deseja conseguir quando compra? Talvez esta resposta ajude no verdadeiro encontro com a realidade e a possibilidade de preenchimento.

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7 de dez. de 2014

Timidez

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A timidez é definida como um desconforto nas atividades sociais que atrapalha a pessoa na conquista de seus objetivos, sejam eles pessoais ou profissionais. A timidez pode ser crônica, caracterizada por um desconforto diante de toda e qualquer situação social, ou situacional, quando a pessoa apresenta a dificuldade somente diante de uma situação específica.

Uma das estratégias que o indivíduo pode utilizar para aumentar suas chances de sucesso, é tentar ensaiar menos (mentalmente) antes de entrar numa situação. O tímido pensa demais, e isso compromete a espontaneidade.

É importante buscar a ajuda de um profissional, porque há uma porção de coisas que não conseguimos fazer sozinhos, e dessa forma, será bem vindo o ponto de vista de alguém neutro e bem preparado.

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5 de dez. de 2014

Entrevista - Orientações para Adolescentes

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1. Aluna de Psicologia - Unipê:
Os jovens "ficam" para evitar relacionamentos mais sérios?

Psicóloga Mayara AlmeidaAlguns sim, pois nestes casos, não possuem família de referência que tenha os ensinado a valorizar a responsabilidade de uma relação.
2. A.P - Unipê:
Os adolescentes possuem medo de relacionamentos?

Psicóloga Mayara Almeida: Devido às mudanças naturais desta fase, os jovens podem ficar em dúvida sobre as experiências que compõem este momento de transição entre a infância e a vida adulta.

3. A.P - Unipê:
O que os adolescentes falam sobre seus relacionamentos?

Psicóloga Mayara Almeida: Faz-se necessário desenvolver um vínculo de confiança e logo que sente-se à vontade, iniciam uma comunicação mais aberta, buscam sanar dúvidas e receber orientações que não os critique ou diminua.

4. A.P - Unipê:
Como no mundo de hoje os adolescentes estão iniciando a vida sexual mais cedo, qual orientação daria para os pais dos mesmos?

Psicóloga Mayara Almeida: É importante que os pais iniciem a construção de um relacionamento seguro com os filhos, para que estes possam vir em busca quando não souberem que caminho seguir. E como fazer isso? Inicialmente, apresentando-se disponível e atentos às suas angústias e dúvidas, como uma forma de dizer: conte conosco.

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28 de nov. de 2014

Transtorno Obsessivo Compulsivo - TOC

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O Transtorno obsessivo-compulsivo consiste na combinação de obsessões e compulsões. Obsessões são pensamentos recorrentes e insistentes que se caracterizam por serem desagradáveis, repulsivos e contrários à índole do paciente. Como o paciente perde o controle sobre os pensamentos, muitas vezes passa a praticar atos que, por serem repetitivos, tornam-se rituais.
As compulsões podem ser secundárias às obsessões: são gestos, rituais ou ações sempre iguais, repetitivas e incontroláveis. Um paciente que tente evitar as compulsões acaba submetido a uma tensão insuportável, por isso sempre cede às compulsões.
No transtorno, os dois tipos de sintomas quase sempre estão juntos, mas pode haver a predominância de um sobre o outro.

* Os sintomas obsessivos mais comuns:
- Medo de contaminar-se por germes, sujeiras etc.
- Imaginar que tenha ferido ou ofendido outras pessoas
- Imaginar-se perdendo o controle, realizando violentas agressões ou até assassinatos.
- Pensamentos sexuais urgentes e intrusivos
- Dúvidas morais e religiosas
- Pensamentos proibidos

* Os sintomas compulsivos mais comuns:
- Lavar-se para se descontaminar
- Repetir determinados gestos
- Verificar se as coisas estão como deveriam, porta trancada, gás desligado, etc.
- Tocar objetos
- Contar objetos
- Ordenar ou arrumar os objetos de uma determinada maneira
- Rezar

Além dos sintomas, são necessários outros critérios para fazer o diagnóstico: o tempo gasto com os sintomas deve ser de no mínimo uma hora por dia ou quando o tempo for inferior a isso é necessária a existência de marcante aborrecimento ou algum prejuízo pessoal. É preciso que em algum momento o paciente reconheça que o que está acontecendo seja excessivo, exagerado, injustificável ou anormal. Isso faz com que o paciente ache que está enlouquecendo e tente esconder o que se passa, fica assustado e quando chega ao médico apresenta essa preocupação.

Este transtorno apresenta dois picos de incidência: o primeiro na infância e o segundo em torno dos trinta anos de idade. Muitas crianças apresentam esse problema nessa fase e depois nunca mais têm nada. Outras continuam tendo durante a vida adulta. Os adultos também apresentam oscilações do problema; podem ficar livres dos sintomas e dos remédios, mas também podem precisar de uso contínuo.

Psicóloga Mayara Almeida
mayarapsicologia@hotmail.com

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31 de out. de 2014

Sete "pecados" mentais (capitais)

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* Preguiça
A preguiça é uma importante causa do alcoolismo e das toxicomanias. O preguiçoso quer sensações? Então basta enbreaguar-se em alguma droga. É bem mais fácil do que esforçar-se para entender a realidade. Posição de vítima, zanga-se facilmente, achando que o mundo existe apenas para servi-lo. Terreno fértil para as doenças mentais: não pensando, a pessoa perde o sentido da realidade, torna-se imatura, rancorosa e acusadora. Vive na fantasia. Frigidez ou desinteresse na vida sexual. No amor, não quer relacionamentos que lhe deem trabalho. Preguiça de viver a própria vida. 

* Ira
Uma agressividade exagerada arruina os relacionamentos. Qualquer coisinha gera, de início, rancor. Difícil afeição que prospere. O mundo torna-se detestável e extremamente perigoso. A personalidade agressiva enxerga tudo por uma lente de aumento. Essa é uma das importantes causas da paranóia e da mania de perseguição. Possuído pelo pessimismo e pelo medo, muitas vezes vai morar na fantasia. A tentação de resolver tudo, não pela habilidade e compreensão, mas pela força bruta, no peito e na marra.

* Gula
Por gula a psicanálise entende uma tentação à comilança, em todos os sentidos do termo. Inclui a comida, o aspecto intelectual, a afetividade; a vida sexual e financeira. O problema da gula é que ela proporciona um permanente estado de frustração. Isso se manifesta também com relação ao apetite de conhecimento. Não lê livros. Devora-os. Num primeiro momento, provoca o impulso para a bisbilhotagem, para a espionagem. Ainda, uma sexualidade gulosa vai gerar a ninfomania nas mulheres e a sexomania nos homens. 

* Avareza
A pessoa está sempre fissurada no mesquinho, no detalhe, no irrelevante, no banal. Ligam-se desesperadamente em dinheiro. Usa as emoções a conta-gotas, como se elas fossem acabar. Várias depressões ou manias de perse­guição são causadas pela avareza.

* Inveja
A inveja é considerada pela psicanálise uma das principais causas de todas as doenças mentais. No entanto, a inveja tem limites, além dos quais ela arruina a vida de qualquer um. Isso porque a inveja desperta, a todo momento, os piores sentimentos. Existem apenas competidores, em uma luta de vida e morte, da qual só poderá sair um único vencedor. Cada conquista na vida de seus pares e parceiros é uma tortura.

* Orgulho
Uma certa dose de narcisismo, vaidade e orgulho faz parte da natureza humana e é saudável. Contudo, orgulho em excesso gera, uma vaidade doentia, uma das principais causas da insegurança e da timidez. Além de tudo o mais, o orgulho em demasia gera um estado de arrogância, de não poder reconhecer os erros. Tudo se torna motivo para que a pessoa se sinta humilhada.

* Luxúria
Várias são as causas que podem levar a uma supervalorização do sexo, ou seja, à luxúria. No fundo, são pessoas inseguras e não amam o sexo tanto quanto dizem. Estão apenas viciadas na ilusão de entrega que ele provoca.

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28 de set. de 2014

Sexo e Sexualidade via internet

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Ao anunciar o assunto sexo, há quem já se anime, esperando a coisa, o ato, a cena, a cópula, a imagem. Outros associam a algo pornográfico, sujo, feio, embora um dos meios mais lucrativos da pornografia é a pornofonia, representada pelo “Disk Sexo”, que não está associado a imagens, apenas à fala, palavras e fantasias de quem está do outro lado.
As pesquisas dizem que os usuários do sexo via internet são, em sua maioria, ainda, do sexo masculino, enquanto as mulheres consomem, em média, 70% de produtos sexuais do mercado erótico: pequenos objetos, ou grandes. Como dizia Lacan: “a mulher vai no real da coisa”.
Talvez em razão da própria origem da palavra: o sexo, o órgão, que sempre foi algo que devia ser mantido guardado; ou seria escondido?, tornou-se bagagem excessiva para alguns suportarem.
Todo esse fervor sexual que se apresenta, considero uma resposta da sociedade que está escassa de afeto, toque e tato. E aquilo que é proibido, vivencia a tendência do desejo obrigatório. Assim, nestes tempos modernos, deseja-se aproveitar qualquer espaço para sensualizar ou mesmo atuar sexualmente. A internet está esborrando sexo: seja o ato (em vídeos), seja o próprio desejo 9em palavras, imagens e propagandas convidativas)
Para a Psicanálise, a sexualidade está diretamente relacionada à libido (pulsão), fantasia, desejo, erotismo que reage ao toque, à escuta, à visão, ao olfato e que, não está só relacionado ao órgão sexual, mas com o corpo, como um todo, tendo o prazer como a sua meta e só secundariamente vindo a servir às finalidades de reprodução.
Muitos usuários de site e chats eróticos, de encontros ou mesmo pornográficos apresentam papéis diferentes em situações diferentes porque buscam ser aceitos pelos outros, ou mesmo para os seduzir. E no espaço virtual há uma possibilidade menor de sermos ‘desmascarados’. É possível que quando um homem, ou mesmo uma mulher se faz passar por alguém do sexo oposto, esta pessoa esteja ‘vivendo’ sua homossexualidade, mas também pode ser que esteja experimentando suas fantasias sexuais ou mesmo exercendo sua criatividade. Só será possível escolher uma das opções se tomarmos uma análise pessoal e individualizada.
Eu acredito que sujeitos saudáveis, farão bom uso do sexo via internet e da liberação dos costumes, Já os menos estruturados mentalmente, farão outro uso, que pode levar à descoberta de patologias, pois a linha que separa o saudável do patológico é muito tênue, e nós buscamos respostas no nível de separá-los. Poderíamos dizer que se uma pessoa usa a internet para sexo virtual com o objetivo de encontrar sexo real, isto estaria dentro do saudável, mas se usa para fugir de relacionamentos reais, isto já poderia estar no quadro patológico. O voyeurismo (prazer de olhar intimidade de outros) e exibicionismo (prazer de mostrar suas intimidades para os outros) são duas formas de comportamentos sexuais patológicos que se encontram e se complementam na internet.
O sexo também pode estar dentro do grupo das adicções (vícios). Existem, inclusive, grupos de autoajuda para os compulsivos sexuais. Também é alvo dos movimentos machistas, como se apenas o homem pudesse desfrutar do prazer sexual.
Reich, um psicanalista austríaco, discípulo de Freud, falou sobre a miséria sexual, nos anos 60, 70... E acredito que ainda há: o sexo via internet, é como um bolsa família, para alguns. Não é que acabou o desejo, mas a libido foi transferida para o computador, que certamente, precisamos pensar, dispõe de custos-benefícios que são oferecidos nesta situação do sexo virtual: o sujeito pára a qualquer hora, continua a qualquer hora, escolhe o parceiro ou parceiros sem pré-julgamentos, entre outros. De qualquer forma, considero o sexo virtual vinculado a uma espécie de gozo solitário, e este, seria o custo, ou um dos custos.

Pode ser excitante, saudável ou um problema, depende de como se atua e do que se espera quando se atua. Ou seja, o desejo depende do desejo. O sexo depende do desejo e é necessário (porque o prazer é intrínseco ao sujeito mano), possível (porque faz parte da nossa atualidade), contingente (considerando a grande possibilidade de que o algo – o orgasmo – não aconteça) e impossível (porque como dizia Lacan: “não há relação sexual”; e virtual então...).

Texto apresentado em junho/2014, em reunião do grupo Papo Cabeça - 
Campina Grande/PB, na Universidade Federal

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