14 de ago. de 2025

Entrevista - Adultos adotam chupeta para aliviar estresse e ansiedade

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(Entrevista concedida à TV Correio - Programa Com Você) - AGO/25

1. O que está acontecendo com os adultos?

Concordo que há uma “busca por conforto ou segurança emocional, a partir de objetos associados à infância. Há objetos que ajudam a criança a lidar com a ansiedade da separação, e na Psicanálise, há um conceito chamado de objetos de transição, de Donald Winnicott. Para adultos, a busca por objetos ou atividades que remetem a um tempo de menos responsabilidades pode ser um mecanismo de autorregulação emocional, porém, que merece um olhar cuidadoso.

2. Quais os limites entre bem-estar e escapismo?

O bem-estar é quando o objeto ou comportamento complementa a vida adulta. Por exemplo, usar um chaveiro der um personagem de um desenho, na bolsa, enquanto a pessoa continua a enfrentar suas responsabilidades e desafios. O escapismo, por outro lado, é quando o comportamento substitui a vida adulta. Se a pessoa usa esses objetos ou comportamentos para evitar responsabilidades, compromissos ou enfrentar problemas reais, tornando-se uma muleta constante que impede o crescimento e a maturidade, aí entramos em uma zona de atenção.

3. Infantilização ou busca segurança emocional?

A vida moderna impõe uma carga imensa de estresse, incertezas e pressão por produtividade. O esgotamento mental é real. Diante de uma sobrecarga de informações e responsabilidades, o cérebro busca atalhos para se acalmar. Os comportamentos associados à infância representam um tempo de menor responsabilidade, maior cuidado e proteção. Não é imaturidade, mas uma estratégia, não recomendada, para lidar com a exaustão emocional.

4. Quais os efeitos psicológicos de buscar conforto em objetos infantis?

Podem proporcionar um alívio momentâneo do estresse, uma sensação de calma, segurança e conforto. Funcionam como uma "pausa mental" necessária. Se o uso desses objetos se torna a única forma de lidar com o estresse, pode haver um prejuízo no desenvolvimento de mecanismos de enfrentamento (coping) mais maduros. Isso pode levar a uma dependência emocional e à evitação de problemas, em vez de enfrentá-los de forma construtiva.

5. Chupeta como regressão? Quais os riscos?

Sim, este fenômeno que vêm chamando a atenção por causa das redes sociais, pode ser visto como um ato de regressão psicológica, pois remete a uma fase de desenvolvimento precoce. O cérebro associa o ato de chupar a sucção do leite, que é sinônimo de nutrição, segurança e calma. É uma tentativa de reativar esses sentimentos. Riscos físicos: o uso prolongado pode causar problemas dentários, como má oclusão. Riscos psicológicos: se a chupeta se torna o único "dispositivo" para acalmar a ansiedade, a pessoa pode deixar de desenvolver habilidades internas de autorregulação, gerando uma dependência emocional do objeto e nutrindo uma fuga, um atalho que impede de processar e resolver a causa real de sua angústia.

6. Como a sociedade pode apoiar os adultos?

O primeiro passo é parar de julgar, pois a busca por conforto não é um sinal de fraqueza, mas de uma necessidade humana legítima. E a maior ajuda que a sociedade pode oferecer é normalizar a terapia e a conversa sobre saúde mental. Se uma pessoa sente a necessidade constante de se refugiar em objetos infantis, isso pode ser um sinal de que precisa de apoio para desenvolver estratégias mais robustas para lidar com o estresse. Criar ambientes de trabalho e relacionamentos mais empáticos, onde as pessoas sintam segurança para expressar suas vulnerabilidades, sem medo de serem rotuladas.

7. Estratégias para lidar com o estresse de forma madura

- Mindfulness e meditação, Exercícios físicos regulares, Higiene do sono, Terapia, Hobbies e conexões sociais.

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