19 de out. de 2026

Desaparecendo

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Viajar é uma tentativa de desaparecimento. Dizia um trecho do artigo que li, dia desses. Exatamente, após minha chegada no destino planejado. Comentei com colegas e, entre algumas opiniões, chamou minha atenção uma fala: "desaparecemos para alguns, mas aparecemos para outros". Isto me revelou a dificuldade que enfrentamos, de descansar, diminuir ou pausar as interações e agitações da rotina. 

Agora, corta para: perdi meu celular nesta viagem. A perda ocorreu fora do país, na noite anterior à viagem de volta. O celular, para mim, faz a função de mediar comunicações afetivas, familiares, de trabalho, anotações, estudos, projetos e planos escritos. Eu "desapareci", mas não totalmente, pois enviei mensagem para minha irmã através do Instagram, usando o tablet e deixei um aviso no stories, para alcançar parte das pessoas que costumo me comunicar (as redes sociais precisam nos servir, e não o contrário). 

Do lado de cá, do desaparecimento, eu existi: usei o tablet para seguir o necessário e como despertador, tomei café da manhã, comprei as últimas lembrança física da viagem e também uma lâmpada "mágica". Dona Guadalupe, dona da loja, vendeu a lâmpada do aladim, sem saber que eu levava ali, um resgate da minha leveza, que foi colocada à prova, quando me dei conta que estava tão longe de casa e sem celular. Era final da viagem e o meu corpo me dizia para resolver racionalmente e ir sentindo aos poucos (um salve, às meditações, respirações, escrita terapêutica, socos no saco de box, músicas relaxantes e animadas, terapia e a maturidade que, só chega, quando eu vou buscar). 

Enquanto eu finalizava as malas, naquela última manhã, coloquei músicas e torci para que o aparelho não fosse acessado, já que não consegui bloquear os chips das operadoras. Agora mesmo, enquanto escrevo, durante o voo, reconheço o meu incômodo: não foi perder as fotos e vídeos, pois eu vivi os momentos, sinto no corpo e conseguirei recuperar algumas; me incomodou, perder o que escrevi, o que salvei para ler depois, pois não conseguirei recuperar este histórico. Me incomodou perder as palavras, porque há exatos dois meses, o celular anterior quebrou, então, eu atravessei este processo de recuperação incompleta, recentemente. Literalmente, ainda em recuperação da recuperação anterior. Assim, me atrevo a contar a história: ela fica, mesmo depois que tudo se desaparece - celular, fotos, textos, pedaços da memória. Sigo me salvando pela palavra. E desaparecendo, sempre que possível ou necessário. 

M.✨
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6 de out. de 2026

Um guia (in)completo para lidar com crianças pequenas (3 a 5 anos)

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• As crianças farão uma série de perguntas "por quê?". Elas não estão tentando te irritar; apenas não têm repertório com informações suficientes para compreender explicações. Responda até não poder mais, ou admita que não sabe e faça uma pergunta de volta. Elas se distrairão por um momento e confiarão que você leva suas perguntas a sério.


• Se você precisar que uma criança faça algo, não desista com um "Eu não quero". Você pode dizer "Eu expliquei o porquê e ainda preciso que você faça". Seja calmo e firme. Normalmente, as crianças ouvem na segunda ou terceira vez.

• Se uma criança não obedece a uma instrução repetidamente, pergunte por que não está obedecendo sem acusá-la, e ela lhe dirá o que está acontecendo na maioria das vezes. Motivos comuns: Estou com medo, não sei fazer, estou cansado, estou com raiva/frustrado/triste, preciso de ajuda. Aborde o obstáculo e ajude a encontrar um acordo que funcione para ambos.

• Se a criança não come, mantenha a refeição por 10-20 minutos; depois retire sem drama. Não ofereça substitutos imediatos por pelo menos 30-60 minutos (salvo necessidades médicas). Criança com fome, vai comer. Ela só está testando seus próprios limites e desejos, pedindo por outros alimentos. Acontece que nem sempre suas escolhas são as mais saudáveis para a saúde. Não há problema em dizer: "Algumas coisas são decisão dos pais. Algumas coisas são decisão da criança. Esta, agora, é a minha decisão. E você pode decidir como quer se sentir a respeito. Se você quiser ficar chateado, tudo bem".

• Até mesmo as consequências devem ser comunicadas com linguagem adequada: "Se eu chegar a cinco e você não estiver sentado na sua cadeira com os pés no chão, não haverá TV hoje à noite." Lembre-se que a consequência precisa ser no nível certo; se for muito severa, causa sobrecarga e se fechamento; se for muito leve, não ensinará o que for necessário.

• Não bata. Não aumente continuamente as consequências até que ela faça o que você diz. Isso pode torná-la mais insegura no futuro, além de ser cruel, e contraproducente para corrigir  comportamento. Reconheça quando você está ficando com raiva e aprenda a parar de falar antes de direcionar essa raiva a eles. Se somos rígidos e agressivos quando estamos chateados com ela, por que nos surpreendemos quando ela é rígida e agressiva quando está chateada? Todos nós ficamos chateados. Mas o objetivo deve ser recuperar o autocontrole, se disciplinar primeiro e a criança depois. 

• As crianças querem se sentir ouvidas. Se elas quiserem mostrar ou contar "algo legal" e você tiver alguns momentos, observe/ouça e reconheça. As crianças levam a sério a opinião dos adultos e precisam de pelo menos um adulto, que seja encantado por ela. 

• Não grite. Você conseguiria aguentar alguém gritando com você sem sentir raiva? Não? Não peça a uma criança para fazer isso. Mesmo que você ache que conseguiria, considere se conseguiria fazer isso com as mesmas limitações que essa criança tem. Você conseguiria fazer isso sem a regulação emocional e o controle de impulsos que só desenvolveu como adulto? A maneira como falamos, se torna a voz interior deles.

• Dê instruções explícitas. "Pare com isso" pode não ser entendido facilmente. "Pare de jogar os brinquedos; por favor, coloque-os no balde com cuidado" é muito mais fácil para uma criança seguir.

• Ajude a traduzir a reclamação/comentário perguntando: "Você está me pedindo alguma coisa?" E mais tarde, isto será um grande apoio na comunicação assertiva. 
___________________

"As crianças não são uma distração de um trabalho mais importante. 
Elas são o trabalho mais importante." - C.S. Lewis

M. ✨
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3 de out. de 2026

Toque de apoio

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Quando percebemos uma ameaça, como fracasso ou rejeição, nosso sistema nervoso simpático, ativa a clássica resposta de luta, fuga ou congelamento. Nossos níveis de cortisol aumentam. Nosso corpo reage como se estivéssemos em perigo, mesmo que o "inimigo" possa ser nossa própria humanidade imperfeita. Lutamos contra nós mesmos com críticas severas, esperando que isso nos ajude a ficar alertas e evitar danos. Fugimos para a vergonha ou ruminamos, acreditando que, se pensarmos no problema por tempo suficiente, o resolveremos. Em nível fisiológico, nossos corpos estão tentando nos proteger e nos manter seguros - só que não de uma maneira muito útil.

Quando outros cometem um erro ou enfrentam problemas, não nos sentimos tão ameaçados pessoalmente, pois um mecanismo de segurança diferente pode entrar em ação: o sistema de cuidado, pois a sobrevivência de pessoas próximas nos ajuda (e aos nossos genes) a sobreviver.

Também podemos aprender a responder a nós mesmos com cuidado em vez de crítica ou ameaça e quando praticamos autocompaixão, os níveis de cortisol e frequência cardíaca diminuem e os marcadores de calma e resiliência emocional, aumentam. Uma maneira eficaz de habituar-se ao estado de calma é usar práticas que sinalizam segurança para o corpo, como o toque de apoio. Colocar a mão sobre o coração, automassagem, ativam as vias associadas ao sistema de cuidado e mesmo que sua mente, não consiga alcançar, seu corpo consegue. Aenas 20 segundos por dia de toque de apoio, diariamente, durante um mês, são suficientes para aumentar significativamente o hábito da autocompaixão.

Nossa biologia tende à autocrítica sob estresse, mas podemos treinar o corpo e a mente para enfrentar as dificuldades com cuidado. Esses atos simples, podem mudar o seu sistema nervoso e a sua vida.

M. 
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Compulsão por jogos de apostas

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O anúncio do Ministério da Saúde sobre a criação de um novo serviço do SUS voltado ao atendimento de pessoas com compulsão por apostas online marca um avanço importante na forma como o Brasil começa a tratar esse problema como uma questão de saúde mental — e não apenas como falta de controle ou irresponsabilidade individual.

As chamadas “bets” fazem parte de um fenômeno relativamente recente no país, mas que cresceu de forma muito acelerada. Hoje, as apostas online estão na palma da mão, disponíveis 24 horas por dia, com forte estímulo publicitário e promessas de ganho rápido. Do ponto de vista psicológico, esse tipo de jogo ativa mecanismos muito potentes do nosso sistema de recompensa cerebral. A lógica da recompensa variável — quando a pessoa nunca sabe exatamente quando vai ganhar — é a mesma que sustenta outros comportamentos aditivos. Isso aumenta a excitação, a expectativa e dificulta a interrupção.

O que muitas pessoas ainda não compreendem é que a compulsão por apostas não é apenas um “mau hábito”. Ela pode se tornar um transtorno, com impactos profundos na vida financeira, emocional e familiar. Estudos já apontam prejuízos econômicos e sociais bilionários no país, mas, para além dos números, estamos falando de endividamento, conflitos conjugais, rompimentos familiares, ansiedade, depressão e, em casos mais graves, risco aumentado de ideação suicida.

Um ponto muito relevante desse novo serviço é que ele oferece atendimento gratuito por teleconsulta, com sessões de aproximadamente 45 minutos, podendo chegar a até 13 encontros com uma equipe multiprofissional formada por psicólogos, terapeutas ocupacionais e, quando necessário, psiquiatras. Isso amplia o acesso e reduz uma das principais barreiras ao cuidado: a vergonha. Muitas pessoas demoram a buscar ajuda porque sentem culpa, medo de julgamento ou dificuldade de admitir que perderam o controle.

O acesso acontece pelo aplicativo Meu SUS Digital, onde o usuário realiza um autoteste para identificar o nível de risco. Casos moderados ou graves já são encaminhados automaticamente para o atendimento online, enquanto situações mais leves recebem orientação para procurar a rede presencial. Essa triagem inicial é importante porque permite que o cuidado seja direcionado de forma mais adequada.

Outro aspecto que merece destaque é a inclusão de familiares e pessoas da rede de apoio no atendimento. A compulsão por apostas raramente afeta apenas quem joga. O impacto costuma atingir todo o sistema familiar. Por isso, envolver a família no processo terapêutico não é apenas um detalhe — é parte fundamental do tratamento.

Além do atendimento clínico, a disponibilização de uma plataforma de autoexclusão para bloquear o acesso aos sites e reduzir a exposição às propagandas também é uma estratégia interessante. Sabemos que, em casos de comportamento compulsivo, diminuir estímulos ambientais é uma medida concreta de proteção. Não se trata apenas de “força de vontade”, mas de criar barreiras que ajudem a interromper o ciclo.

Do ponto de vista da saúde pública, essa iniciativa sinaliza um reconhecimento importante: estamos diante de um problema coletivo que precisa de resposta estruturada. A compulsão por apostas não nasce no vazio. Ela se insere em um contexto de vulnerabilidade econômica, promessa de dinheiro fácil, pressão social por sucesso rápido e alta exposição digital.

Por fim, é essencial reforçar que buscar ajuda não é sinal de fraqueza. É sinal de responsabilidade consigo mesmo e com quem está ao redor. Quando o Estado amplia o acesso ao cuidado, ele também contribui para diminuir o estigma. E quanto mais falarmos sobre o tema de forma aberta e informada, mais chances teremos de transformar sofrimento silencioso em possibilidade real de tratamento e recuperação.

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21 de set. de 2026

A Paz, onde vive?

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Há milhares de anos, as pessoas recorrem à oração, meditação e gratidão, não apenas porque conectam a um poder superior, mas também porque aproxima ao poder interior. Em outras palavras, estas práticas permitem entrar no silêncio, ensaiar a paz e momentos calmos, para que o sistema nervoso possa acessá-la quando necessário. Pequenas doses intencionais de paz, ensinam ao seu corpo um padrão para repetir.

A vida pode ser estressante e caótica. Nenhum de nós escapa disso, mas podemos aprender como voltar à paz. Por exemplo, praticar meditação, não exige o espaço perfeito, acessórios perfeitos ou a quantidade perfeita de silêncio. Pois nada na vida é perfeito. O objetivo da meditação não é esvaziar a mente; é perceber o que ela está fazendo e gentilmente se trazer de volta. Aprender a manter a esperança, não como certeza, mas como uma escolha feita sem garantias. Revelar as camadas de proteção que você construiu internamente, tomar consciência dos ruídos que a mente é capaz de criar.

Na vida, coisas vão sair do lugar, pessoas vão agir diferente do que você esperava, planos vão mudar. Se a sua estabilidade depende completamente de que a vida obedeça, é possível que viva em constante tensão, se esforçando para prever, evitar, segurar, controlar. Mas paz não é ausência de problema, é a capacidade de manter a flexibilidade possível para o momento. 

Cabe a cada um, deixar a calma chegar, antes do barulho. Convencer sua mente a agir de acordo com o que seu coração já sabe. Não começar mais guerras por dentro para manter a paz por fora. Ficar em silêncio ou se movimentar, quando precisar. Até chegar a um lugar com o qual possa fazer a(s) paz(es). 

É uma  escolha de se dispor a parar de passar pela paz correndo e, realmente, convidá-la para entrar e ficar. Repetidamente, dentro de nós.

O amor não salva. Terapia não conserta tudo. Autoconhecimento não impede recaídas. E talvez, a questão não seja saber mais, mas aprender a habitar as próprias falhas. Não há final somente feliz, há processos íntimos de tréguas e pausas. Privados. Impublicáveis. 

M. ♥︎

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17 de set. de 2026

Anatomia do Afeto: nossas orelhas têm formato de coração

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Se você fechar os olhos e imaginar as duas orelhas humanas unidas, vai perceber um design anatômico curioso: elas formam o desenho de um coração. Há quem diga que é apenas uma feliz coincidência da evolução biológica, para otimizar a captação de ondas sonoras. Mas eu prefiro uma perspectiva mais poética (e com uma pitada de neurociência): o nosso ouvido é o primeiro portal para o coração do outro. E se a anatomia nos deu "filtros" neste formato, talvez seja um lembrete concreto de que fomos desenhados para ouvir - e falar - com afeto.

A "Ciência" (Vozes da minha cabeça e psicologia real)

Esta analogia me fez pensar como a nossa saúde mental e relacionamentos é fortemente influenciada pela forma como usamos esses "corações geométricos" que carregamos nas laterais do rosto.
Na psicologia, estudei a diferença entre ouvir (o processo biológico do som batendo no tímpano) e escutar (o processo psicológico de dar significado, acolher e compreender). Assim: 
- Palavras agradáveis, tons de voz suaves e até o silêncio compartilhado de forma confortável, funcionam como um bálsamo, pois ativam o sistema nervoso parassimpático, reduzindo os níveis de cortisol (o hormônio do estresse).
- Uma conversa onde há escuta real, libera oxitocina - o hormônio do vínculo, do amor e da segurança física e emocional.
Então, se nossas orelhas têm formato de coração, faz todo sentido que a gente selecione muito bem as palavras que permitimos entrar de maneira profunda. Ruídos externos, críticas e grosserias, criam pequenos "infartos" na nossa paz de espírito.
Teste esta "tese anatômica" hoje mesmo. 
  • Peça para se aproximar de alguém com quem tem intimidade.
  • Fale o que você admira num tom de voz suave, bem de perto.
  • Observe a reação: o relaxamento dos ombros, o sorriso involuntário.
Isso é psicologia aplicada, combinada com mágica e com o melhor design da natureza. 
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Quero uma vida simples e tranquila...

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Eu já quis ter mil vidas em uma só, como os filmes e séries mostram: a garota que trabalha, treina, viaja, cozinha e descansa dez horas. Num mesmo dia. Mas a pouco mais de um ano, venho admitindo pra mim mesma, que quero uma vida simples e tranquila.

Uma pesquisadora de Stanford, Jeanne Tsai, trabalha com "ideal affect", o estado emocional que a gente quer sentir, e não o que de fato sente. Ela identificou que no ocidente aprendemos a buscar os estados de alta ativação (empolgação, animação) enquanto em culturas do leste asiático, desejam baixa ativação (calma, tranquila, paz). É cultura programada, que já aparece em crianças de 3 a 5 anos: as americanas escolhem o sorriso empolgado muito mais do que as taiwanesas. Aparece também nos livros infantis, onde personagens americanos sorriem mais aberto e vivem fazendo coisas. Fomos criados dentro de um material didático que ensina, o tempo todo, que vida boa, é vida agitada, sempre produzindo algo.

Assim, dizer em voz alta que você quer menos, mexe com as pessoas, principalmente se elas têm muito. E deixa eu ser bem clara sobre o que eu não estou dizendo, porque essa conversa desanda fácil: não estou dizendo que você deve ter uma vida simples a ponto de penalizar tudo que te trás conforto e fazer tudo na base do esforço. Você ainda pode ter uma lava-louças, uma máquina lava e seca, uma tv, robô aspirador, wifi. Mas acredito que devemos normalizar querer uma vida menos agitada, com menos empolgação rasa, menos estímulos frequentes. E praticar, pois ver beleza no comum e simples, é habilidade, treinável, não prêmio. 

(Na imagem, ao lado, uma borboleta de cauda - Spicauda procne). 
Se você não tem visto borboletas, é porque está andando rápido demais... 
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15 de set. de 2026

Carta 7 - Adultos também (se) aprendem brincando

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Vejo as nossas diferenças, mas numa brincadeira despretensiosa, descobri onde não precisamos de esforço para nos entender: habitamos a cor AZUL e a mesma estação: o OUTONO - numa frequente transição entre o verão e o inverno. Você me enxerga um PAVÃO, colorida e imponente. Eu me rendo à sua força de TUBARÃO, que guarda nas profundezas um mistério imenso. Sou o seu GIRASSOL, buscando a luz e energia, enquanto você é a minha LANÇA DE SÃO JORGE, trazendo fortaleza e proteção. Goto muito do seu CÉREBRO, de como recorda as melodias que eu esqueço e te revelo a minha parte MARGARIDA, charmosa e decidida. Nossa história tem o mistério de uma BIBLIOTECA e REDE, pra refletir devagar e descansar. Também tem música, VIOLÃO e vontade de ESCREVER sobre você. Sou o CAFÉ que desperta a vida cedo e você é o MARTINI, brinde sofisticado que celebra a noite. Nosso sabor tem sido de um MACARRÃO, regado a bastante MOLHO.

Vejo nossas diferenças e suponho que se alguém passar dez minutos ao nosso lado, também verá. Mas construir uma relação, também é suportar as diferenças, rir delas depois e continuar escolhendo ficar, pra a vi(ver) a vida e transitar, delicadamente num outro jeito de seguir.

PS.: Acho que não entendo de amor, mais do que entendo de brincar. Que a gente se divirta, enquanto encontra vestígios do querer, alimenta a esperança de construir caminhos possíveis, arranca matinhos, ouve música, cava areia, divide o pão, o beijo, a paz, a razão e dorme entrelaçando as mãos. Derramando amor em você. Me avise se eu tiver que parar... 

"O homem chega à sua maturidade, quando encara a vida com a mesma seriedade que uma criança encara uma brincadeira". - Nietzsche

✨
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3 de set. de 2026

O cuidado das mulheres, também precisa ser estudado por mulheres

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O sistema nervoso feminino nunca esteve quebrado. Ele foi estudado por homens, tratado por homens e diagnosticado por sistemas que nunca questionaram como as mulheres realmente se desencarnam.

Van der Kolk. Levine. Porges. O trabalho deles mudou o campo. Mas suas estruturas emergiram de corpos em crise aguda. Então, elas foram entregues às mulheres sem perguntar se nossa descorporificação parecia a mesma.

Descorporificação. Não parece. A descorporificação feminina não requer um único evento traumático. Acontece na vida comum. Seja desejável, mas não sexual demais. Carinhosa, mas não carente. Administre as emoções de todos. Ocupe menos espaço. Este é o ar que as mulheres respiram.

O sistema nervoso feminino é feito para o ritmo. Para a sintonia. Para a conexão. Ele não se cura sob pressão. Ele se cura quando é atendido. E o mundo continua exigindo o oposto. Então, fomos em busca de algo. E encontraram uma indústria que oferecia regulação sem relacionamento. Ferramentas projetadas para corpos isolados - não para corpos que se curam através da conexão.

O que é rotulado como ansiedade muitas vezes é uma percepção precisa. O que é rotulado como sensibilidade muitas vezes é uma sintonia precisa. O que é rotulado como burnout muitas vezes é o seu corpo se recusando a continuar funcionando. Seus sintomas não são disfunções. São o seu sistema nervoso dizendo a verdade sobre o que você está vivendo por dentro.

"O corpo guarda as marcas" tornou-se a linguagem da cura. Mas é uma metáfora masculina. Trauma como marcas de contagem. Sintomas como prestação de contas. Os corpos das mulheres não guardam marcas. Eles guardam a história. A história de ser observada antes de ser vista. De aprender que seu corpo pertenceu a outros antes de pertencer a você.

Você não pode se autorregular em um mundo que te desregula. O autocuidado se torna outra forma de silenciamento quando implica que o problema é sua incapacidade de se acalmar e não a cultura que atrela seu valor à sua aparência, extrai seu trabalho e lucra com sua descorporificação.

Mulheres corporais são inconvenientes. Sentem a verdade no peito antes de conseguirem explicá-la. Elas param de regular para o conforto dos outros. Elas se tornam indisponíveis para os sistemas que precisam delas esgotadas.

Voltar para o seu corpo não é aprender a tolerar mais. É finalmente entender a história que seu sistema nervoso estava guardando. E deixar seus sintomas fazerem sentido.

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Inspirado em Ailey Jolie, MPC, MA - Psicóloga Somática

Podcast In This Body / www.aileyjolie.com / @aileyjolie

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30 de ago. de 2026

Qual é o prêmio de querer PROVAR SER PRODUTIVA?

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"A preguiça incomoda não apenas porque desacelera, mas porque ameaça uma ordem social baseada em controle do tempo." (Mariane Santana, em Quem dá conta de tudo não dá conta de si mesmo).

Muitas pessoas constroem toda a sua identidade em torno do trabalho, do relacionamento ou do esforço direcionado a outros. Quando uma dessas coisas muda, elas desmoronam completamente. Conhecer a si mesma, é uma riqueza que nenhuma circunstância pode tirar de você. Porque afundar é para navios, não para mulheres que transformam drama em histórias épicas. PRATIQUE O ÓCIO. Não romantize a exaustão. 

Quanto mais você precisa, menos acha que tem tempo. Quanto mais cansada está, mais difícil é parar. Espera ter tempo livre para, então, descansar. Mas descanso não é recompensa, é manutenção, como escovar os dentes. Você não espera "ter tempo", Faz porque precisa. Seus momentos de descanso são tão importantes quanto sua escova de dentes. Quanto mais acelerado o dia, mais necessária a pausa. Trate o descanso como prioridade, não como luxo.

Aproveite seu tempo livre pra ler, dormir, tomar banho premium, se cuidar. Se acordar cedo, tome um café da manhã especial e devagar, como se estivesse sendo filmada em câmera lenta; arrume o cabelo como se fosse estampar a capa de uma revista, trabalhe ou estude como se estivesse sendo paga em dólares, aprenda algo novo e se desenvolva. 

Por aqui, existe uma mulher, além do trabalho, além de viver cenas de força física e subjetiva, absurdas. Uma mulher que gargalha. Condutora de crises de riso com a cabeça pra trás. Uma mulher cinematográfica, pois reconheço o quão interessante sou. Uma mulher composta por pedaços de todos os lugares por onde passei e das pessoas que convivi, costurada por letras de músicas, citações de livros, frutas colhidas com a mão e no chão, conversas na calçada, lua, estrelas e o cheiro do café feito pela minha avó. Uma alma antiga, habitada pela teimosia silenciosa de ainda acreditar no amor. Uma mulher-poética, composta por um romantismo resistente, transbordante e incurável. Uma mulher-casa da melancolia, zona de (des)conforto. A mulher que divide quarto com a esperança, o medo e a coragem. Uma mulher que canta e dança. Uma mulher que busca ver o céu e procura arco-íris. Uma mulher que não economiza afetos e mantém os olhos encantados pela magia das coisas simples, oferecendo espaço para enxergar pequenos milagres. Uma mulher que documenta ideias e aprendizados. Minha vida é a minha obra de arte mais íntima.

Durma, tire cochilos, tome banhos longos, perca tempo, passe horas ouvindo música ou observando as estrelas. Massageie cada músculo até que ele quase derreta. Ensine seu corpo que basta existir, na suavidade da sua essência. Dê a si mesma tempo para passar com o sol, apreciar frutas, ler livros longos sem intenção de aprender, apenas pelos detalhes descritos. Absorva tudo, os contos de fadas, os romances, os tons exatos do céu. Isso não é preguiça, porque mesmo quando descansamos, ainda somos pressionados por um milhão de coisas em nossa mente - a culpa ancestral e programada nos perturbando a cada segundos. Assim, como mulher, um dos maiores propósitos é ensinar seu corpo a relaxar em abundância, a desaprender a culpa implantada, a relaxar cada músculo, cada célula, até que o descanso pareça mais confortável. 

Uma mulher bem descansada, hidratada, alimentada, alongada e amada (especialmente por si mesma), recalibra sua frequência, aguça a intuição, aumenta seus padrões e amplifica seu magnetismo. 

Experimente dizer: - Vou descansar. E vá. Lembre-se que ser uma mulher que dá conta de tudo é bom pra todo mundo. Menos pra você.

M. ✨

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Carta 6 - Trapezistas do nosso Amor

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Entrada permitida apenas para o CEO e Co-fundador desta empresa e meu artista favorito.

Quarenta dias, Jesus passou no deserto e também não nos vimos pessoalmente. Neste tempo, reconheço que aprendi algumas coisas sobre você e sobre mim, mas também admito que já passamos tempo demais longe um do outro - anos - e pra mim, foram muitos desertos e mais do que suficientes. Agora, quero aproveitar a alegria e a curiosidade do espetáculo que pode ser o (nosso) amor, se a gente quiser. Somos um casal de trapezistas. Em nosso estilo único de risco e técnica, (des)preparados pelas experiências individuais e diferentes, indo na mesma direção, ainda que a corda seja bamba. Exige força e precisão no tempo em que estamos juntos. Fé, sincronia e coragem. Manter o equilíbrio, enquanto administramos o espaço-tempo, o clima, a distância e as demandas da vida adulta.

Você já conhece os meus silêncios. Eu conheço o teu olhar quando está tentando parecer forte. Você tem o meu amor do jeito mais bonito e atento e sei que o seu cérebro precisa de dengo. Ofereço o remédio da doçura, permito que se aconchegue em meu colo e carinhos, além de outras soluções secretas. Quando me recebe, me cuida e diz com clareza o que vai fazer, honra o meu querer, a minha feminilidade e o mais ousado número do nosso espetáculo é sermos um casal. Eu não preciso mais fugir com o circo para viver uma grande aventura, pois me sinto uma artista escrevendo sobre uma obra. De arte. Pintando com palavras, um painel de sensações. Meus pincéis, são os próprios dedos, Que ajustam a saudade, com base na inspiração. Tenho você na minha mente (e na minha boca). Seu gosto, no meu pensamento. Você morando no meu cérebro-sentimento. Sorrindo e validando, que a tempos, precisávamos nos encontrar. Sou melhor quando estou amando e sendo amada de volta. 

Me interesso pelo conhecimento sagrado de como amar você, delicadamente, divinamente e abundantemente. Busco os códigos de como ancorar a Lua no oceano. E com você, ativo a minha versão, fada mágica do amor, com glitter e, relaxo nos meu interesses e paixões. 

Ps.: Se você é o CEO desta empresa, precisa cuidar. Defina o tom e o investimento, eu multiplico e reflito o que oferece. Breve, volto com mais dicas mágicas. 🪄

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28 de ago. de 2026

Carta 5 - Que sigamos improvisando, juntos.

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Que bom que você veio. E resgatamos essa coragem curiosa, mesmo depois de tanto tempo - talvez, exatamente, porque passou uma década e acreditamos, pelo jeito como nos cuidamos, que ainda vale a pena sentir. Sou entusiasta de que a verdadeira conexão é construída descobrindo o que estabiliza o outro, o que fere e o que cura. Por isso, quero sempre dizer o que precisamos, onde queremos chegar, o que dói e o que ajuda. 

Quero reaprender o amor com você. Nada de quente, frio. Presente, depois distante. A hipervigilância não é uma habilidade que eu quero potencializar... Quero é você desligando meu modo de sobrevivência, reparando no meu jeito, no meu tom, nas minhas cores e repetições. Me fotografando sem pedir, me filmando sem dizer ou dizendo, apenas pra pedir a repetição do movimento e registrando porque decidiu que, aquele momento merece ficar. Quero seguir escrevendo e te descrevendo para os meus medos: com você é diferente. Alguém que me quer com calma e, literalmente, é o amor que veio me encontrar. 

Você me enche de inspiração e ilumina minhas qualidades. O meu desejo para nós dois, é que tenhamos curiosidade sobre o outro e criatividade para nutrir a lealdade.  Quando conversar for difícil, que possamos acalmar, improvisar, enviar músicas, tocar, cantar, escrever, brincar, escolher um filme, não se afastar mais. 

É preciso um homem maduro e consciente emocionalmente, para colocar uma mulher como eu, em sua era suave. Trago devoção de nível shakespeariano e repertório para potentes transformações. Não é apenas companhia que busco; é um alinhamento profundo. Ou você é o meu futuro marido e um encontro seguro, que respeita os meus limites, ou eu retiro o acesso, sempre que necessário. Ser amada da maneira correta, é o que me traz paz. Eu trabalhei muito em mim, para aprender a desejar quem me oferece segurança, respeito e constância. Isso significou esculpir um novo cérebro, ainda em lapidação, mas já mais forte e consciente do privilégio que é a minha companhia. Quero amar um único homem, com intenção e viver um amor leve. De onde eu não saia totalmente despedaçada. Na verdade, de onde eu não precise sair. Que eu queira ficar, porque é saudável e há coisas boas suficientes, pra continuar. 

Este não é um trabalho pequeno, eu sei, requer cada um fazendo a sua parte. Então, segura aqui na minha mão e vamos: não fugir dos riscos, construindo e cuidando do vínculo que já sobreviveu ao tempo e agora, sobrevive à distância e à realidade. Não quero outra escolha a não ser, enfrentar e, vencer.

P. s.: Se alguém disser que o amor não vai bater à porta e te encontrar no sofá de casa... Lembraremos que, temos o nosso próprio conto de fadas, com muito encanto e dengo (inegociável).

M. 🤎

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Autorrevelação da analista

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Penso em você além do tempo em que está sentado à minha frente. Entre as sessões, pesquiso tópicos relacionados ao seu caso, passo horas fazendo anotações e planejamento, 

converso com colegas para garantir que estou fornecendo o melhor tratamento. E embora eu saiba sobre técnicas e estratégias científicas, continuo aprendendo todos os dias. Para também (me) acompanhar. Trabalhar como psicóloga não me torna imune à dor, me faz ter mais consciência dela. 

Meu propósito é despertar a empolgação e a singularidade do seu próprio processo evolutivo, para que sua vida se torne uma jornada significativa.

Responder mensagens, café da manhã, exercício físico, banho, validar a dor de uma infância sem afeto, acolher o luto, preencher prontuários, celebrar uma conquista, almoçar ajudar uma pessoa com depressão, manejar a desconfiança na relação terapêntica, promover enfrentamento do medo de uma crise de pânico, uma fruta, cuidar de um machucado, reconhecer uma relação abusiva, organizar a agenda, dar espaço para a raira, evocar motivos para viver, emitir nota fiscal, responder novas mensagens, banho, jantar, refletir, dormir. 

É mais do que cinquenta minutos.

M. ✨

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25 de jul. de 2026

Proteja sua fantasia

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O mundo continua tentando endurecer as mulheres, dizendo para serem realistas, centradas, despreocupadas. Por isso, uma das coisas mais saudáveis ​​que podemos fazer por nossa saúde mental é proteger a fantasia. Não a produtividade, não a imagem, mas a magia. Que existem anjos, elfos, duendes, fadas e bruxas, silenciosamente, trabalhando a seu favor. Beleza e magnetismo estão conectados ao quão relaxado está nosso sistema nervoso, por isso, sempre que possível, escolha se afastar de pessoas ou situações que causem estresse. Quando não for possível, construa o caminho para ser.

Quando se tem um mundo emocional mais amplo do que a realidade física, essa energia precisa ir para algum lugar ou poderá machucar. A profundidade precisa ter uma função, ou queima. Canalize a profundidade para a arte. Crie seus próprios mundos, se demorar no processo, na busca pela inspiração, além do comum.

Há uma força em permanecer encantada, ainda acreditando em coisas boas depois de ter visto como a vida pode ser cruel. Proteja e regue sua ilusão. Mantenha o brilho, a imaginação. Não é negação, é resistência. Manter a esperança é sua própria rebeldia silenciosa. Como os outros respondem ou não à sua autoexpressão não é da sua conta. Tanto porque não é possível controlar, quanto porque não é o objetivo. A finalidade é se conhecer mais profundamente, reconhecer o que está dentro de você e observar isso ganhar vida. Quando você começa a se envolver de forma autêntica nesse processo, ele se torna muito mais interessante do que fazer coisas para agradar ou impressionar os outros. A imitação torna-se desinteressante e, conhecer-se melhor se torna a nova fonte de novidade.

"Instruções para salvar sua vida. Começa com duas constatações. Primeiro, que você vale a pena ser salvo. Segundo, que você terá que fazer isso sozinho. Você expira. Você liberta a criatura inquieta que anda de um lado para o outro dentro de você. Você se divorcia da expectativa e se casa novamente com o desejo. Você dá voz ao seu instinto, permissão ao seu corpo. Você finalmente pega o que precisa, não as sobras que acha que merece. Você deixa ir, sabendo agora que não perde nada ao liberar o que não é seu". [L.E. Bowman]

A arte 'não serve para nada', por isso mesmo, é essencial. Ela não serve a nenhuma lógica de produtividade, ela serve ao desejo de cada mulher. E isso é precioso. Por aqui, pratico o exercício de me olhar com enorme admiração e me encorajo, sempre que consigo, a não diminuir o meu talento e esforço à sorte de estrela cadente ou destino desavisado. E esses encontros, vez em quando, não me tornam má, apenas mágica, pois a natureza feminina transita livremente por todas as formas. 

M. 

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11 de jun. de 2026

Entrevista - Aspectos emocionais do Lipedema

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O lipedema também atravessa a forma como a pessoa habitando o próprio corpo. Existe a dor física, sim, mas também uma dor silenciosa, de se estranhar. Muitas vezes, a pessoa começa a se olhar com dureza, como se o próprio corpo fosse um problema — e não um território que precisa de cuidado.

Porque o corpo deixa de ser só um lugar de existência… e passa a ser um lugar de incômodo constante.”

⬤ Existe um sofrimento muito grande em não ser nomeada. Em passar anos ouvindo que é descuido, exagero. O diagnóstico, apesar de difícil, muitas vezes traz um tipo de alívio: o de finalmente ser vista.

Também pode trazer um luto… pelo corpo que mudou, pelas tentativas frustradas, pelo tempo em que ela não foi escutada.

💔 Autoestima e relação com o corpo
Quando o corpo passa a ser um lugar de incômodo constante, a autoestima também É afetada: ansiedade, tristeza, isolamento… porque viver em desconforto constante, físico e emocional, vai minando aos poucos a forma como a pessoa se movimenta no mundo.
A reconstrução da autoestima passa por um deslocamento: sair da ideia de corpo como aparência e começar a reconhecê-lo como território de experiência. Um corpo que sente, que atravessa histórias, que merece cuidado - não punido. É um processo de reaprender a se olhar com mais gentileza.

Viver com dor crônica e com um corpo que é constantemente julgado pode favorecer quadros de ansiedade, tristeza profunda e até isolamento. Aos poucos, a pessoa pode ir se afastando — não só dos outros, mas também de si mesma.

Sofremos pelo que sentimos e também pelo olhar que recebemos. E esse olhar, muitas vezes, é atravessado por uma gordofobia estrutural, que reduz o corpo à aparência e associa valor à magreza. Isso faz com que a pessoa, além de lidar com uma condição de saúde, ainda carregue o peso do julgamento - e o corpo passa a ser um lugar de vergonha, não de pertencimento.

🌿 O acompanhamento psicológico tem um papel fundamental, porque sustenta o caminho de ressignificação, além de incentivar a estar em espaços onde a pessoa se sente validada, compreendida… e onde ela possa reconstruir, aos poucos, uma relação mais respeitosa com o próprio corpo.

💬  O sofrimento não está apenas no corpo que dói, mas no olhar que julga, na escuta que falta e na sensação de não pertencimento.

M. 
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10 de jun. de 2026

Carta 4 - Negociar a imperfeição

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Você notará a diferença quando não estiver sendo adequado comigo. Haverá silêncio, onde minha voz costumava confortar e espaço vazio, onde minha presença preenchia. 

Um relacionamento comigo vai te desafiar. Porque não aceito fugas em sequência. Eu espero, semelhante ao que entrego: trocas, presença, comunicação clara, isto sim, repetidamente. Mesmo quando é difícil. Mesmo quando é desconfortável. Eu exijo reciprocidade...

Sou uma mulher profunda. Isto tornou difícil encontrar alguém que conseguisse manter um relacionamento comigo. Num determinado momento, não fluía mais, exatamente por causa da minha profundidade (ou seria por causa da preferência do outro em encontrar alguém mais fácil? Assim, não teria que melhorar padrões não saudáveis). 

Eu faço perguntas profundas. Algumas, talvez não esteja preparado para responder. Exijo presença. Sou honesta. Algumas vezes, direta demais. Levo minha integridade a sério e espero o mesmo de volta. 

Me interesso em construir um relacionamento profundo. Com alguém que esteja interessado pela minha versão melancólica e curioso pela versão feliz. Alguém que seja um lugar seguro para as minhas emoções. Alguém que permanece firme e diz: "Eu não vou a lugar nenhum". Espero que, eventualmente você se esforce para me encontrar no meu infinito particular e não aceito que as minhas comunicações, não mudem algo em você. 

Porém, se estiver mais comprometido em permanecer o mesmo; se prefirir o costume dos seus padrões, ao meu amor; se o ego for mais importante do que a evolução, ou a autopreservação seja mais urgente do que a manutenção adequada de um relacionamento comigo, encontre alguém que permita isso. Eu me afasto diante de inconsistência ou comportamento instável. Posso ser um pouco intimidadora, porque questiono e vou apontar o que vejo. A minha paz não é negociável e eu não permaneço mais com pessoas que não querem conversar. Não tenho mais medo de ficar sozinha. 

Quero alguém com quem eu consiga negociar imperfeições, incluindo as minhas.

Você consegue lidar com tudo isso (comigo)?

M. ✨

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9 de jun. de 2026

Recalcular a rota

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Passei por muita coisa sozinha. E nos momentos em que estava lutando, ainda abri espaço para aqueles que precisavam de mim. Mas, por ter aberto meus braços, criei um convite silencioso para sanguessugas energéticas que tentaram se aproveitar da minha generosidade emocional. Isso me transformou. Seguir em frente e me afastar das pessoas erradas, se tornou necessário. Esta liberdade ainda é dolorida, mas não tem preço.

Às vezes, precisamos lembrar que não somos responsáveis pelo mau comportamento de outras pessoas em relação a nós - manipulação, falta de gentileza - isso é problema delas. O que depende de você é como escolhe responder, estabelecer limites e não deixar que as ações delas afetem a pessoa incrível que você é. 

Ainda me permito ser gentil, porque não foi o mundo inteiro que me machucou, então, venho reaprendendo a recuperar confiança, liberar ressentimentos, acreditar novamente no amor. De olhos bem abertos - ciente de que, ainda assim, não enxergarei tudo. 

É só continuar. Após vários erros, os aprendizados formam um especialista.

Talvez crescer seja isto, um pouco, a cada vez... 

M. 

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27 de abr. de 2026

Carta 3 - Eu, aos seus cuidados

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Agradeço por me receber. Por me buscar, me mostrar o seu trabalho, me mimar e dar muitas risadas comigo. 

Por me deixar saber que sempre gostou de mim. 

Agradeço por me apresentar filmes, me deixar fazer comentários, me emocionar e pedir pra dormir no meio. 

Agradeço por me servir vinho, comida e afeto. 

Pelos passeios e cuidados. 

Pelas músicas cantadas, na sua, na minha e na nossa voz. 

Por me mostrar lugares que tem significado pra você. 

Agradeço por cada detalhe que te exigiu ceder um pouco mais. E por compartilhar comigo uma boa dose de confiança e presença.

Eu sempre vou escolher quem encontra espaço pra mim na vida, porque ocupados todos nós estamos. Por isso, agradeço, novamente, por me receber. 

Você me nutre. 

E eu atravesso limites geográficos por você.

M. ♥︎

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21 de abr. de 2026

O que acontece quando seu filho comete um erro?

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❥ Quando seu filho mente ou erra de outras formas, você só corrige ou também ensina?

Muitas vezes, a mentira vem do medo, insegurança ou da tentativa de evitar uma punição.

→ Por exemplifies, mentir pode ser uma forma de garantir a proteção na relação.

O quanto, na sua família, o seu filho(a) pode errar e continuar sendo aceito(a) ?


❥ 5 formas de incentivar a verdade

1.Abra espaço para a verdade mesmo que difícil: "Você pode confiar em mim. O que realmente aconteceu?"

2.Valide o medo ou a insegurança: "Você ficou com medo de eu ficar bravo? Pode ficar tranquilo, a gente vai resolver isso juntos."

3.Mostre o valor da honestidade: "Errar faz parte e contar a verdade é importante para que possamos aprender e melhorar."

4.Incentive sem pressionar: "Se quiser, me conta aos pouquinhos.

5.Reforce o vínculo e a segurança: “A verdade parece difícil agora, mas ela nos deixa mais próximos. Estou aqui para te ajudar, não para te punir ou castigar."


❥ Trabalhe em suas cresnças para que, diante de falhas, você:

Permita que seu filho expresse grandes emoções com segurança. 

Incentive a curiosidade, não apenas a obediência. 

Celebre o esforço, não apenas as conquistas. 

Rspeite os limites do seu filho, tanto físicos quanto emocionais.

Reserve um tempo para se conectar, não apenas para corrigir. 

Esteja disposto(a) a crescer e reaprender por ele. 

Ouve mais do que dá sermões e permite que tenha uma opinião diferente da sua. 

Valide os sentimentos dele, mesmo que não possa consertá-los. 

Nutra a individualidade dele, não apenas quem você acha que ele deveria ser. 

Ensine por meio de suas ações, não apenas de suas palavras. 


❥ Construir um Lar Seguro para Ser Honesto

Ouça Sem Interromper: Dê atenção quando seu filho falar, mostrando que as palavras dele importam.

Ensine o Perdão e a Restauração: Mostre que a honestidade leva à cura, não à rejeição.

Mantenha a Confidencialidade Quando Apropriado: Respeite o que seu filho compartilha em particular.

Evite Reações Exageradas: Mantenha a calma quando verdades difíceis vierem à tona, para que as crianças não tenham medo de compartilhar.

Celebre a Sinceridade: Elogie a honestidade para reforçar seu valor em relação a esconder ou fingir.

Crie Momentos Regulares para Conversar: Reserve momentos para conversar sem distrações.

Seja um Modelo de Honestidade: Seja transparente sobre suas próprias lutas e erros para encorajar a abertura.

Incentive perguntas: Torne a curiosidade segura, acolhendo perguntas e explorando respostas juntos.

Responda com graça, não com julgamento: Crie uma atmosfera onde os erros levem ao aprendizado, não à punição.

Valide os sentimentos: Reconheça as emoções como reais e importantes, mesmo quando você não as entende completamente. 

ᥫ᭡ Para educar, é preciso ser (ou intencionalmente, estar tentando). 

M. ♥︎

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Carta 2 - A métrica de tocar (a vida com) você

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A primeira vez, aconteceu quase sem que a gente desse conta. Os encontros seguintes, foram como pequenos incêndios que tentamos, sem sucesso, apagar. Uma década depois, apesar do que pareceu igual, venho percebendo a diferença. Todas as outras vezes, foram acidentes. Agora, tem sido um ato de coragem intencional - ou uma dose de aventura mística, com trilha sonora de filme confortável.

Existem os românticos, que escrevem poesia e arrepiam no toque: sou eu. E existe você: um romanticamente depois. Não prometeu flores, mas entregou sensibilidade. Não falou alto, mas descobriu exatamente o que exaltar. 

Na métrica da música, o primeiro tempo, geralmente, é o mais forte. Comigo, a pulsação é forte, quase o tempo todo. Com você, também há um jeito específico de manter o ritmo, o passo, o compasso. Por isso, tenho me interessado em compreender a sua métrica. Aprender a tocar (a vida com) você. Não acelerar o tom. Não bagunçar (demais) a sua rotina, o seu espaço, a sua mente. E tenho praticado um sentimento em narrativa lenta... Assim como faz, um dos meus sobrinhos, quando brinca de tocar e afinar melodias, nas cordas do violão. Com calma e repetições. Nós dois precisamos de paciência. E de olhos e ouvidos abertos. Há coisas que relações passadas ​​nos ensinaram e precisamos desaprender. Há coisas que ​​não nos ensinaram e estamos tentando aprender. Por aqui, a principal linguagem de amor é a segurança. E me sentir emocionalmente segura, significa, coletar evidências de que posso ser autêntica, confusa, às vezes, e ainda ser respeitada, cuidada e não abandonada. 

Eu considero um incrível privilégio, estarmos escolhendo o mesmo caminho. Por isso, abro a porta da delicadeza pra você (o amor) entrar e escrevo a melodia mais bonita, quando me entrego e encontro você, no mesmo lugar. Um compasso personalizado, nossa métrica pessoal: um, dois, um, dois. Ninguém na frente, ninguém depois. 

Acredito que um relacionamento é uma longa conversa e, deve-se perguntar: conseguirei ter boas conversas com esta pessoa ao envelhecer? Aposto em nossa conexão e sempre lembrarei que você escolheu afinar, organizar a métrica e não se afastar. 

Temos uma longa conversa pela frente - com trilha sonora garantida. 

M. 🤎

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