11 de jun. de 2026
Entrevista - Aspectos emocionais do Lipedema
O lipedema também atravessa a forma como a pessoa habitando o próprio corpo. Existe a dor física, sim, mas também uma dor silenciosa, de se estranhar. Muitas vezes, a pessoa começa a se olhar com dureza, como se o próprio corpo fosse um problema — e não um território que precisa de cuidado.
Porque o corpo deixa de ser só um lugar de existência… e passa a ser um lugar de incômodo constante.”⬤ Existe um sofrimento muito grande em não ser nomeada. Em passar anos ouvindo que é descuido, exagero. O diagnóstico, apesar de difícil, muitas vezes traz um tipo de alívio: o de finalmente ser vista.
Também pode trazer um luto… pelo corpo que mudou, pelas tentativas frustradas, pelo tempo em que ela não foi escutada.
💔 Autoestima e relação com o corpo
Quando o corpo passa a ser um lugar de incômodo constante, a autoestima também É afetada: ansiedade, tristeza, isolamento… porque viver em desconforto constante, físico e emocional, vai minando aos poucos a forma como a pessoa se movimenta no mundo.
A reconstrução da autoestima passa por um deslocamento: sair da ideia de corpo como aparência e começar a reconhecê-lo como território de experiência. Um corpo que sente, que atravessa histórias, que merece cuidado - não punido. É um processo de reaprender a se olhar com mais gentileza.
Viver com dor crônica e com um corpo que é constantemente julgado pode favorecer quadros de ansiedade, tristeza profunda e até isolamento. Aos poucos, a pessoa pode ir se afastando — não só dos outros, mas também de si mesma.
Sofremos pelo que sentimos e também pelo olhar que recebemos. E esse olhar, muitas vezes, é atravessado por uma gordofobia estrutural, que reduz o corpo à aparência e associa valor à magreza. Isso faz com que a pessoa, além de lidar com uma condição de saúde, ainda carregue o peso do julgamento - e o corpo passa a ser um lugar de vergonha, não de pertencimento.
🌿 O acompanhamento psicológico tem um papel fundamental, porque sustenta o caminho de ressignificação, além de incentivar a estar em espaços onde a pessoa se sente validada, compreendida… e onde ela possa reconstruir, aos poucos, uma relação mais respeitosa com o próprio corpo.
💬 O sofrimento não está apenas no corpo que dói, mas no olhar que julga, na escuta que falta e na sensação de não pertencimento.
10 de jun. de 2026
Carta 4 - Negociar a imperfeição
Você notará a diferença quando não estiver sendo adequado comigo. Haverá silêncio, onde minha voz costumava confortar e espaço vazio, onde minha presença preenchia.
Um relacionamento comigo vai te desafiar. Porque não aceito fugas em sequência. Eu espero, semelhante ao que entrego: trocas, presença, comunicação clara, isto sim, repetidamente. Mesmo quando é difícil. Mesmo quando é desconfortável. Eu exijo reciprocidade...
Sou uma mulher profunda. Isto tornou difícil encontrar alguém que conseguisse manter um relacionamento comigo. Num determinado momento, não fluía mais, exatamente por causa da minha profundidade (ou seria por causa da preferência do outro em encontrar alguém mais fácil? Assim, não teria que melhorar padrões não saudáveis).
Eu faço perguntas profundas. Algumas, talvez não esteja preparado para responder. Exijo presença. Sou honesta. Algumas vezes, direta demais. Levo minha integridade a sério e espero o mesmo de volta.
Me interesso em construir um relacionamento profundo. Com alguém que esteja interessado pela minha versão melancólica e curioso pela versão feliz. Alguém que seja um lugar seguro para as minhas emoções. Alguém que permanece firme e diz: "Eu não vou a lugar nenhum". Espero que, eventualmente você se esforce para me encontrar no meu infinito particular e não aceito que as minhas comunicações, não mudem algo em você.
Porém, se estiver mais comprometido em permanecer o mesmo; se prefirir o costume dos seus padrões, ao meu amor; se o ego for mais importante do que a evolução, ou a autopreservação seja mais urgente do que a manutenção adequada de um relacionamento comigo, encontre alguém que permita isso. Eu me afasto diante de inconsistência ou comportamento instável. Posso ser um pouco intimidadora, porque questiono e vou apontar o que vejo. A minha paz não é negociável e eu não permaneço mais com pessoas que não querem conversar. Não tenho mais medo de ficar sozinha.
Quero alguém com quem eu consiga negociar imperfeições, incluindo as minhas.
Você consegue lidar com tudo isso (comigo)?
M. ✨
9 de jun. de 2026
Recalcular a rota
Às vezes, precisamos lembrar que não somos responsáveis pelo mau comportamento de outras pessoas em relação a nós - manipulação, falta de gentileza - isso é problema delas. O que depende de você é como escolhe responder, estabelecer limites e não deixar que as ações delas afetem a pessoa incrível que você é.
Ainda me permito ser gentil, porque não foi o mundo inteiro que me machucou, então, venho reaprendendo a recuperar confiança, liberar ressentimentos, acreditar novamente no amor. De olhos bem abertos - ciente de que, ainda assim, não enxergarei tudo.
É só continuar. Após vários erros, os aprendizados formam um especialista.
Talvez crescer seja isto, um pouco, a cada vez...
M.
27 de abr. de 2026
Carta 3 - Eu, aos seus cuidados
Agradeço por me receber. Por me buscar, me mostrar o seu trabalho, me mimar e dar muitas risadas comigo.
Por me deixar saber que sempre gostou de mim.
Agradeço por me apresentar filmes, me deixar fazer comentários, me emocionar e pedir pra dormir no meio.
Agradeço por me servir vinho, comida e afeto.
Pelos passeios e cuidados.
Pelas músicas cantadas, na sua, na minha e na nossa voz.
Por me mostrar lugares que tem significado pra você.
Agradeço por cada detalhe que te exigiu ceder um pouco mais. E por compartilhar comigo uma boa dose de confiança e presença.
Eu sempre vou escolher quem encontra espaço pra mim na vida, porque ocupados todos nós estamos. Por isso, agradeço, novamente, por me receber.
Você me nutre.
E eu atravesso limites geográficos por você.
M. ♥︎
21 de abr. de 2026
O que acontece quando seu filho comete um erro?
❥ Quando seu filho mente ou erra de outras formas, você só corrige ou também ensina?
Muitas vezes, a mentira vem do medo, insegurança ou da tentativa de evitar uma punição.
→ Por exemplifies, mentir pode ser uma forma de garantir a proteção na relação.
O quanto, na sua família, o seu filho(a) pode errar e continuar sendo aceito(a) ?
❥ 5 formas de incentivar a verdade
1.Abra espaço para a verdade mesmo que difícil contar: "Você pode confiar em mim. O que realmente aconteceu?"
2.Valide o medo ou a insegurança: "Você ficou com medo de eu ficar bravo? Pode ficar tranquilo, a gente vai resolver isso juntos."
3.Mostre o valor da honestidade: "Errar faz parte e contar a verdade é importante para que possamos aprender e melhorar."
4.Incentive sem pressionar: "Se quiser, me conta aos pouquinhos.
5.Reforce o vínculo e a segurança: “A verdade parecer difícil agora, mas ela nos deixa mais próximos. Estou aqui para te ajudar, não para te punir."
❥ Trabalhe em suas cresnças para que, diante de falhas, você:
Permite que seu filho expresse grandes emoções com segurança.
Incentiva a curiosidade, não apenas a obediência.
Celebra o esforço, não apenas as conquistas.
Rspeita os limites do seu filho, tanto físicos quanto emocionais.
Reserva um tempo para se conectar, não apenas para corrigir.
Está disposto(a) a crescer e reaprender por ele.
Ouve mais do que dá sermões e permite que o outro tenha uma opinião diferente da sua.
Valida os sentimentos dele, mesmo que não possa consertá-los.
Nutre a individualidade dele, não apenas quem você acha que ele deveria ser.
Ensina por meio de suas ações, não apenas de suas palavras.
ᥫ᭡ Para educar, é preciso ser (ou intencionalmente, estar tentando).
M. ♥︎
Carta 2 - A métrica de tocar (a vida com) você
A primeira vez, aconteceu quase sem que a gente desse conta. Os encontros seguintes, foram como pequenos incêndios que tentamos, sem sucesso, apagar. Uma década depois, apesar do que pareceu igual, venho percebendo a diferença. Todas as outras vezes, foram acidentes. Agora, tem sido um ato de coragem intencional - ou uma dose de aventura mística, com trilha sonora de filme confortável.
Existem os românticos, que escrevem poesia e arrepiam no toque: sou eu. E existe você: um romanticamente depois. Não prometeu flores, mas entregou sensibilidade. Não falou alto, mas descobriu exatamente o que exaltar.
Na métrica da música, o primeiro tempo, geralmente, é o mais forte. Comigo, a pulsação é forte, quase o tempo todo. Com você, também há um jeito específico de manter o ritmo, o passo, o compasso. Por isso, tenho me interessado em compreender a sua métrica. Aprender a tocar (a vida com) você. Não acelerar o tom. Não bagunçar (demais) a sua rotina, o seu espaço, a sua mente. E tenho praticado um sentimento em narrativa lenta... Assim como faz, um dos meus sobrinhos, quando brinca de tocar e afinar melodias, nas cordas do violão. Com calma e repetições. Nós dois precisamos de paciência. E de olhos e ouvidos abertos. Há coisas que relações passadas nos ensinaram e precisamos desaprender. Há coisas que não nos ensinaram e estamos tentando aprender. Por aqui, a principal linguagem de amor é a segurança. E me sentir emocionalmente segura, significa, coletar evidências de que posso ser autêntica, confusa, às vezes, e ainda ser respeitada, cuidada e não abandonada.
Eu considero um incrível privilégio, estarmos escolhendo o mesmo caminho. Por isso, abro a porta da delicadeza pra você (o amor) entrar e escrevo a melodia mais bonita, quando me entrego e encontro você, no mesmo lugar. Um compasso personalizado, nossa métrica pessoal: um, dois, um, dois. Ninguém na frente, ninguém depois.
Acredito que um relacionamento é uma longa conversa e, deve-se perguntar: conseguirei ter boas conversas com esta pessoa ao envelhecer? Aposto em nossa conexão e sempre lembrarei que você escolheu afinar, organizar a métrica e não se afastar.
Temos uma longa conversa pela frente - com trilha sonora garantida.
M. 🤎
18 de abr. de 2026
Lembranças (para a minha avó)
Hoje lembrei da senhora. Na verdade, lembrei e decidi escrever, porque lembrar, eu sempre lembro...
Então, eu estava no shopping, nenhum motivo específico para me sensibilizar, até que sentei para um café: eu, meus pensamentos e algumas compras, recém feitas.
Hoje em dia, muita coisa mudou, mas a saudade se mantém, intacta, mais de vinte anos depois da sua partida, precoce pra mim, que era uma adolescente com sonhos e esperançosa de realizar muitos deles em sua companhia.
Vó, eu nem queria terminar o café, só pra ficar imaginando, como seria se tivesse sido... A senhora não me viu concluir os estudos do famoso ensino médio, não acompanhou a minha despedida do interior para a capital, não Estacada mais aqui, quando fiz as oito mudanças até o apartanento próprio, não participou da minha formatura do ensino superior, não esteve nos lançamentos dos meus livros, nas viagens dentro e fora do Brasil... Mas a senhora deixou, entre muitos ensinamentos, um que recordei hoje: "Enquanto depender de mim, minha filha..." E dentro do possível para a época, a senhora cumpriu e eu aprendi que dependo de mim, o que tantas vezes, me cansa, mas também me sustenta e impulsiona.
Hoje choveu, enquanto também havia sol. Acho que isto me lembrou da senhora. Ativou minha memória e me levou a recordar que nessas condições climáticas, provavelmente, em algum lugar, há uma raposa se casand... E é isso. Não sei se a raposa casou, mas lembro. Não sei se a senhora me lê, mas continuarei escrevendo e, às vezes, me dando conta só depois, que situações simples, me lembram a senhora e nosso vínculo. Porque enquanto depender de mim... Lembro e te escrevo, vozinha! E a cada vez, talvez, transformo um pouco, esse luto, essa ausência, em algo que pode ser integrado, sem precisar lutar.
M. ᥫ᭡
9 de mar. de 2026
Viajar para vi(ver) melhor
Estudos mostram que experiências curtas e novas - uma viagem de um dia, uma caminhada não planejada, explorar uma nova rua - aumentam a dopamina e redefinem o humor. Não é preciso férias grandiosas, mas interrupção. O cérebro prospera com pequenas doses de novidade. A rotina mantém você vivo. A novidade faz você se sentir vivo.
Mudanças importantes, muitas vezes acontecem depois de uma experiência de viagem: pessoas deixam empregos, terminam relacionamentos, mudam de cidades, ou finalmente começam algo que adiaram por anos. O corpo aprende por meio de movimento e emoção. A viagem desfaz a ilusão de que o jeito que você vive, é a única maneira possível. Sou analista e sei que a terapia contribui para descobrir quem você é. Viajar apresenta quem você poderia ser. E, para muitas pessoas, esse vislumbre é suficiente para mudar tudo. Você se perde, resolve problemas novos e sobrevive. Isso restaura silenciosamente a autoconfiança, pois ela cresce não por falar sobre coragem, mas por usá-la.
Doses de experiência direta e saída do modo automático. Novas ruas, comidas, rostos sistema nervoso não pode confiar em roteiros antigos. Às vezes, pode parecer que você está vivendo a vida de outra pessoa, mas é também a sua, só que de outros jeitos.Viajar remove temporariamente os papéis sociais. Em casa, você é o parceiro(a), filho(a) ou mãe ou pai de alguém. Na ponte-estrada, esses rótulos enfraquecem. Você se torna apenas uma pessoa se movendo pelo espaço. Esta perda de pressão social, permite que as pessoas ouçam seus desejos atuais.
Viagens pra mim, têm uma natureza pedagógica, didática. As experiências me conectam com a sensação de ciclos. Também é sobre ampliação, expansão. Sobre viver para além do centro de mim. Sobre perceber limites. Experimentar o silêncio, a pressa e a pausa, o recolhimento, o movimento do não controle. É sobre soltar, ir e voltar. A vida é cíclica.
Viajar me relembra.
5 de fev. de 2026
O desafio de estar lúcida
Seu chamado vai te esmagar. Se você for chamado para curar os corações partidos, vai lutar contra a dor de um coração partido.
Se for chamado para profetizar, vai lutar para controlar sua boca.
Se for chamado para ensinar, será sufocado pela sabedoria que envolve sua mensagem.
Se for chamado para empoderar, sua autoestima será atacada e seus sucessos serão conquistados com muita luta. Seu chamado virá com desafios e espinhos que são necessários para que seu processo seja autêntico, humilde e poderoso. Não será fácil porque sua tarefa não é fácil.
Entropia é um conceito da física, ligada à Segunda Lei da Termodinâmica, mostrando que os processos naturais evoluem espontaneamente para estados mais desorganizados. Ou seja, o caos é naturalmente uma realidade física, química, biológica, cosmológica, astrológica, descrevendo a tendência do universo para a complexidade.
O caminho não é só de ida. Então, volta. Volta a ler livros, a caminhar descalço, a ver o pôr do sol, a olhar o mar... É preciso criar rachaduras no caos. É pela falha que, tantas vezes, entra a luz.
M.
4 de fev. de 2026
É só ir "num" cartório, eles disseram...
Hoje eu encontrei Deus
Hoje eu encontrei Deus.
Ele foi me buscar numa loja de material de construções, porque a maçaneta do portão quebrou. Era um motorista de aplicativo e dirigia calmamente, quando outro começou a buzinar, e fez uma ultrapassagem, xingando-o.
Eu comentei que foi uma ação tão ruim e desnecessária e ele completou, com o semblante calmo e um level sorriso: "Essse problema não é meu". E sugeriu que eu poderia começar a ler a Bíblia, por Genesis, aos poucos e diariamente.
Também me lembrou que inteligência não sustenta se não houver sabedoria e, é na calma, que é possível reconhecer e cultivar. Me disse pra pedir sabedoria pra Ele e ouvir suas perguntas. Nelas, estão as respostas.
Quando a maçaneta quebra, é Deus quem conserta.
M./2025
Pensar rápido ou devagar: eis a questão
Baseado em: Evans, I. M. (2015). How and why thoughts change. New York: Oxford University Press.
Diversas pesquisas em Psicologia têm
demonstrado que alguns dos nossos pensamentos são extremamente rápidos,
impulsivos por assim dizer, e geralmente um carregados de emoção. Pense nas
vezes que você fez um julgamento precipitado, falou algo que se arrependeu
depois, enviou um e-mail desaforado, comprou alguma coisa que não precisava no
calor do momento ou então gritou com seus filhos ou outra pessoa que você ama.
Com certeza você já fez coisas desse tipo - todos nós fazemos.
Por outro lado, também temos outro tipo de pensamentos, que são mais frios, lentos e deliberados. Às vezes, pensamos sobre nossos próprios pensamentos de forma reflexiva e construtiva, sem nos preocuparmos com o conteúdo eles.
Nós realmente precisamos de ambas formas de pensar.
- Pensamentos rápidos são absolutamente necessários para automatizar a realização de tarefas rotineiras, de modo que possamos investir nossa capacidade mental em outras atividades mais demandantes.
- Pensamentos lentos, por seu turno, são imprescindíveis para fazermos julgamentos mais acurados e agirmos de forma adaptativa nas situações complexas da vida (aquelas em que muitos fatores importantes estão em jogo).
O problema é que os pensamentos rápidos, por geralmente serem mais baseados na emoção do que na razão, às vezes podem colocar você em apuros. Isso, provavelmente, é o que acontece com você nas situações que lhe incomodam: você é muito rápida em tecer comentários auto-críticos para si mesma, ou ligeira demais em julgar uma situação como uma ameaça ao seu bem estar físico ou psicológico. Devido ao fato do pensamento rápido ser baseado em suas experiências do passado e dirigido por emoções escondidas, nem sempre você terá consciência da origem desses pensamentos.
Suponha que você diga para si mesma: “ser feio é ruim” - esse é o seu pensamento automático ao olhar-se no espelho. De onde veio tal pensamento? Não há como saber com certeza, mas provavelmente sua origem está relacionada ao bulliyng, ou do consumo de informações manipuladas em redes sociais e tv. Todas as emoções agradáveis ou negativas, são armazenadas em nossa memória - não de maneira precisa e associada a uma lembrança específica, mas como registros negativos genéricos. Estes registros, por sua vez, passam a funcionar como uma espécie lente através da qual vemos o mundo, dando o "colorido" (ou falta dele) às experiências atuais.
Assim, não faz sentido dar a você orientações do tipo “pare de ter esses pensamentos negativos!”, pois eles são automáticos, involuntários e constituem parte integral do funcionamento psicológico normal. Por outro lado, o que faz sentido é, tentar equilibrar esses pensamentos rápidos e intensos com outros pensamentos mais lentos, mais reflexivos e mais baseados na realidade e contexto do momento.
Quando você está de mau humor, pessimista, se sentido deprimido ou algo que o valha... adivinhe! O esquema negativo que você tem sobre si, fica mais forte e seus pensamentos automáticos autocríticos tornam-se mais frequentes. Pensamentos ruins, fazem com que outros pensamentos ruins, sejam mais prováveis de ocorrer. Pesquisadores do estresse afirmam: "zebras não têm úlceras"! Por quê? Porque entre um e outro episódio de perigo real - como ser perseguida por um leão - elas não estão ruminando negativamente sobre suas experiências, lamentando por não terem comido mais daquele pasto nutritivo ou culpando suas mães por não tê-las treinado para correr mais rápido. Consegue perceber a diferença em relação a sua forma de encarar a vida?
A boa notícia a respeito do funcionamento da mente humana é que, da mesma forma que pensamentos negativos atuais facilitam a ocorrência de novos pensamentos negativos, a presença de pensamentos positivos favorece o surgimento de mais pensamentos positivos. Em outras palavras, é possível transformar o círculo vicioso em um círculo virtuoso.
M.
28 de jan. de 2026
Não isole seu filho.
9 de jan. de 2026
Pó quebrado e uma reflexão sobre hábitos
A questão é que, mesmo já usando um pó facial novo há mais de duas semanas, meu cérebro insistiu em me levar para o lugar antigo, onde o pó quebrado costumava ficar. Puro hábito, uma espécie de piloto automático que me empurrava para o "inferno conhecido" (o local do pó quebrado) em vez de me direcionar para o "paraíso desconhecido" (local mais prático, junto dos outros produtos de maquiagem).
Esta situação é um exemplo de que hábitos novos podem levar um tempo para se enraizar. Por mais que a gente queira mudar, nosso cérebro busca a segurança do que já conhece, mesmo que não seja o mais adequado, buscando nos proteger do novo pois, não sabendo como será, repete a ação anterior.
Precisa nos ser constantes e insistentes, para que o novo hábito se estabeleça. É como plantar uma semente: não vemos a flor desabrochar no dia seguinte, mas sabemos que, com paciência e cuidados necessários, ela vai se desenvolver.
Um pó facial num lugar diferente, uma nova rotina ou outro objetivo que envolve o seu comportamento, convida a reconhecer que o novo pode ser desconfortável no início, mas é ali que o crescimento acontece.
Qual é o "pó quebrado" que você insiste em buscar, mesmo quando há um "pó novo" te esperando noutro lugar?
O espetáculo que é, ser vista.
Foi um convite para me lançar na insegurança e "me divertir" no caminho. Me divertir e rir com a sua companhia, observadora, delicada, numa experiência de ser vista e re-vi-si-ta-da, assim mesmo, bem devagar, com calma, como quem soletra cada sílaba da palavra, como quem me lê, sem fazer barulho, me lembrando de mim: engraçada e corajosa, sensível e forte.
Você me testemunhou sem tentar tirar minha essência, minha sensibilidade, meus risos e silêncios. Sem me pedir pra encolher, rir baixo ou não ser.Mas acabou. O espetáculo do nosso encontro, porque outros, pela vida, certamente, seguirenos conduzindo. Cada um à sua maneira, em algum lugar do planeta: você fazendo malabarismos na própria vida e eu, reaprendendo a me equilibrar na beleza do acaso que é ser vista.
Agradeço por me lembrar que ainda posso redescobrir e capturar boas doses de mim.
M.
Carta 1 - Dar a volta por dentro
Há anos eu atravesso o mar, num barquinho de papel. Um mar, que tantas vezes, eu não quero entrar. Ele é profundo, barulhento e cheio de ondas. Meu barco já virou algumas vezes e precisei refazê-lo e, sem muita ajuda, pois os mergulhos que dei e dou, não apetecem quem me conheceu quando eu não sabia nadar, nem remar, nem mergulhar.
A cada dia que passa, escolho seguir me curando, pois não quero sangrar em quem passa, muito menos em quem escolher ficar. Embora eu saiba que, provavelmente, pode acontecer, não será proposital, nem por um coração amargo. O que tem por traz é um cansaço geracional que deságua em mim. Uma melancolia de estimação. Sabe Deus o porquê.
P.S.1: "Pra você, que sabe que é pra você":
- Estou indo dominar o (meu) mundo. Você vem?
1 de out. de 2025
Como ajudar a desenvolver Empatia?
▶ Empatia envolve a habilidade de entender a perspectiva de outra pessoa e como ela se sente sobre isso. Em crianças, a habilidade de empatia avança, conforme suas estruturas cognitivas se desenvolvem.
1 – Tenha empatia
com seu filho e demonstre empatia pelos outros.
Reflita sobre as emoções que a criança demonstra e
valide como ela está se sentindo. Mostre que você entende, que você está
preocupado e que aceita seus sentimentos. Mesmo que pareça trivial (como um
colapso enorme por causa de uma meia "perdida"), tente simplesmente
dizer o que você vê: “você parece chateado. Essa meia está frustrando
você". Da mesma forma, modele empatia por animais, familiares e pessoas em
um filme.
2 – Ensine as
crianças a administrar suas emoções e a se autorregular de forma eficaz.
Expressar empatia nem sempre é fácil para as
crianças, principalmente se elas próprias estão vivenciando emoções negativas
ou sentimentos avassaladores. Um dos passos iniciais para desenvolver empatia
em relação aos outros é conseguir administrar suas próprias emoções de forma
eficaz.
3 – Use as
oportunidades diárias para abordar a tomada de perspectiva.
Todas as crianças nascem com a capacidade de
demonstrar empatia, só precisamos nutri-la. Você pode usar momentos da vida
cotidiana para encorajar pensamentos atenciosos e compassivos por meio da
"tomada de perspectiva". Fale abertamente sobre como outra pessoa
pode se sentir quando você identifica situações que provocam uma resposta
empática em livros, filmes, no shopping, ou em casa. Os livros, por exemplo,
são uma ferramenta essencial para auxiliar o desenvolvimento emocional, pois
ajudam as crianças a se relacionarem e a se lembrarem de lições importantes da
vida.
4 – Ajude a
descobrir o que têm em comum com os outros.
A empatia é mais forte em relação às pessoas com
quem temos coisas em comum. Incentive a inclusão, a diversidade e o calor
ajudando seu filho a descobrir o que ele tem em comum com pessoas de todas as
perspectivas diferentes. Isso pode ser em situações em que seu filho aponta
diferenças (meu filho de quatro anos é bom em apontar diferenças físicas nas
pessoas no momento – que vergonha). Para encorajar a semelhança, você pode
responder com “Ela também está usando roxo, ela deve gostar dessa cor como você”
ou algo semelhante que destaque semelhanças em vez de diferenças.
– Incentive a
gentileza, a consideração e a compaixão por todas as criaturas vivas.
Priorize essas características em todas as situações
e para todas as coisas vivas. Aumentar a preocupação empática não deve ser
apenas um caso de "seja legal com sua irmã". Procure desencorajar
julgamentos e estereótipos, enquanto tenta estabelecer que todas as criaturas
vivas se beneficiam das características positivas de cuidado.
6 – Ajude as
crianças a desenvolver a capacidade de ler sinais emocionais.
A empatia exige que as crianças identifiquem como os
outros se sentem, não apenas com base em sua própria percepção emocional, mas
também nos sinais emocionais e pistas fornecidos pela outra pessoa – nem todas
as pessoas reagem e sentem o mesmo em todas as situações. Como alternativa,
brinque de “como você se sente”, com objetivo de ler as expressões faciais um
do outro e s linguagem corporal, diante de uma situação hipotética.
7 - Incentive e
elogie o compartilhamento emocional.
Seu filho precisa ser tranquilizado de que não há
problema em sentir emoções negativas e positivas. Ele também deve se sentir
seguro para expressar todas as emoções para você. Você pode incentivar isso
perguntando ao seu filho como ele se sentiu quando vivenciou uma situação que
pode ter produzido uma resposta empática, particularmente forte. Quando a
criança demonstrar empatia, reforce o comportamento elogiando-o. Se
compartilhar uma emoção com você, mesmo desagradável, certifique-se de
dizer que é maravilhoso que ele esteja compartilhando suas emoções, e que
isso demonstra o quão gentil e atencioso ele é.
24 de ago. de 2025
Como identificar e mudar padrões relacionais?
- Os nossos padrões são construídos:
1. Por condicionamento social: Aprendemos a nos comportar com base no que experimentamos, no que vemos sendo modelado em nossos vínculos, na mídia e na sociedade.
2. Por não conhecer situações diferentes: Se não vimos ou experimentamos dinâmicas de relacionamento saudáveis, não sabemos como se parecem ou como criá-las.
3. Por Mecanismos de enfrentamento: Padrões podem ser resultado de estratégias de enfrentamento que aprendemos na infância, por exemplo: se afastar e ficar em silêncio para manter alguma segurança ou estar emocionalmente distante porque não sente que pode confiar.
4. Por Medo: Às vezes, o medo de perder, a baixa autoestima ou sentimentos de indignidade nos torna hiperconscientes de nossos padrões e, portanto, é muito difícil observá-los e mudá-los. Torná-los visíveis através da escrita, pode ser um caminho de autocuidado.
- Questione:
- Em que áreas dos meus relacionamentos tenho problemas consistentes, com comunicação, questões emocionais, confiança?
- O que desperta emoções fortes em mim? Como administro essas emoções quando elas estão presentes?
- Há alguma experiência relacional passada que esteja influenciando a forma como me relaciono atualmente? Qual é o impacto disso: positivo ou negativo?
- Alguém próximo e importante me deu algum feedback sobre possíveis padrões? Estou aberto a receber feedback?
- Como começar a mudar padrões relacionais:
- Esteja presente: preste atenção à dinâmica ou aos padrões e observe quando surgem.
- Questione como você faz as coisas, caso não estiverem funcionando. Existe outra maneira de responder, se comportar ou pensar sobre a situação?
- Tente algo novo: para alcançar um resultado diferente, precisamos realmente nos comprometer a fazer as coisas de maneira diferente. Pratique tolerar o desconforto.
- Comunique-se: fale sobre a dinâmica ou padrões repetitivos.
- Pratique: continue praticando. Leva tempo e esforço para fazer mudanças e mudar padrões, então seja gentil e paciente consigo mesmo(a).
Quebrar velhos padrões relacionais é um trabalho corajoso. Não há problema se parecer lento, confuso ou desconhecido. Cada momento de consciência, cada pausa intencional, cada nova escolha, é um poderoso ato de cura. Você não está falhando, está aprendendo.
Quando queremos aprender a comunicar melhor e evitar brigas e discussões desnecessárias, ou outro novo comportamento, é importante saber que esse processo pode ser desafiador, porque precisaremos aprender a fazer algo que ainda não sabemos. Aprender a expressar melhor em situações difíceis, a controlar as emoções, a impor limites, a conversar sem reatividade, a desacelerar num mundo que cobra rapidez, é um processo de reeducação profunda. Não é do dia para a noite e não tem fórmula mágica (lamentável, eu sei). Ser aprendiz não é fácil: dá trabalho, angustia, tem frustração, tem confusão. Mas ser iniciante, é o único caminho.
Fonte: @LUCILLE.SHACKLETON
23 de ago. de 2025
“A Geração Ansiosa”: redes sociais e ansiedade
Fonte: Ler matéria completa - CNN
O livro do psicólogo americano Jonathan Haidt (JUL/2024) condensa uma
série de estudos que mostram que o uso das redes sociais não apenas está
correlacionado a transtornos mentais em crianças e adolescentes da geração Z,
mas é sua causa. Segundo o autor, “os custos de utilizar redes sociais
são particularmente altos na adolescência, em comparação com a vida adulta, e
os benefícios são mínimos”. Para o autor, a “infância baseada no brincar” entrou em declínio na década de 1980 e foi substituída pela “infância
baseada no celular”, acompanhada por uma hiperconectividade que alterou o
desenvolvimento social e neurológico dos jovens e tem causado privação de sono,
privação social, fragmentação da atenção e vício. Assim, a saída para
evitar que o cenário se agrave é uma ação coordenada, com escolha de ações fundamentais
e mais benéficas para todos:
1. Nada de
smartphone antes do nono ano (o equivalente ao 1º ano do ensino médio no
Brasil). Antes disso, os pais devem dar aos filhos apenas celulares básicos
(com aplicativos limitados e sem navegador de internet). “Smartphones, tablets,
computadores e televisões não são apropriados para crianças muito pequenas. Em
comparação com outros objetos e brinquedos, esses aparelhos incentivam o
comportamento passivo e o consumo de informações, o que pode retardar o
aprendizado”.
2. Nada de redes sociais antes
dos 16 anos. As crianças devem passar pelo período mais vulnerável do
desenvolvimento cerebral sem ter acesso a um fluxo sem filtro de comparações
sociais e influenciadores escolhidos por algoritmos.
3. Escolas
não devem permitir celulares, pois atrapalham a capacidade de concentração.
4. As crianças
devem brincar mais, de maneira não supervisionada e independente. Dessa
maneira, desenvolvem naturalmente habilidades sociais, superam a ansiedade e se
tornam jovens adultos autônomos.
“Crianças prosperam quando têm raízes em comunidades do mundo real, não em redes de contatos virtuais e descorporificadas. Crescer no mundo virtual, promove ansiedade, anomia e solidão. É hora de dar fim a esse experimento. Vamos trazer nossas crianças de volta para casa”, conclui o autor.
21 de ago. de 2025
Dance...
Eu gosto de dançar. De seguir passos, da coreografia escorrendo pelo corpo e levando o corpo a escorregar.
Durante a pandemia, vi uma possibilidade de aulas online e me inscrevi. Não fluiu muito e eu deixei passar. Fazia um tempo que eu não dançava, até mesmo na frente do espelho, em casa.
Recentemente, me inscrevi para aulas presenciais e fui. Eu sei dançar. Eu tenho ritmo, tenho música em mim...
Os primeiro exercícios: muita frustração. A dura diferença entre a expectativa da minha cabeça, e os passos de colegas que já estava fazendo aulas à alguns meses. Era prova de fogo para desistir. Mas eu estava ali pelo processo. E o processo valia a pena.
Precisei lidar com a parte de mim que não gosta de errar, não fica confortável em mostrar que também erra e desaprendeu a escorregar.
Eu continuei, não da forma como gostaria, presente sempre e fielmente, mas da forma como pude.
Dançar é um jogo de controle e descontrole. Um certo controle sobre a técnica, o controle do corpo e movimentos. Mediados pelo descontrole do imprevisível, do erro, a relação com a música, a física se impondo sobre suas vontades e sobre o corpo que não é tão jovem quanto em outros carnavais. Há um estado de relaxamento e tensão que precisam se relacionar, amigavelmente.
E tem a minha paciência com o tempo das coisas. Que não estava tão presente. O meu corpo não obedecia e estava resistente ao comandos do meu cérebro. Mas eu reconheco que o contrário também é possível.
Senti o desconforto de ter que aprender algo novo, de novo, mas disso, eu precisei, conforme sabedoria popular: "aquilo que mais evita, talvez seja, o que mais precisa encarar".
Então encarei a experiência como um convite que me fiz: me tirei pra dançar e fui. Errei passos, mas continuei, porque assim, vou reaprendendo a escorregar, a fluir, sendo menos concreta, mais leve, mais líquida. Mais presente em mim. Mais eu.

















