4 de fev. de 2026
Pensar rápido ou devagar: eis a questão
Baseado em: Evans, I. M. (2015). How and why thoughts change. New York: Oxford University Press.
Diversas pesquisas em Psicologia têm
demonstrado que alguns dos nossos pensamentos são extremamente rápidos,
impulsivos por assim dizer, e geralmente um carregados de emoção. Pense nas
vezes que você fez um julgamento precipitado, falou algo que se arrependeu
depois, enviou um e-mail desaforado, comprou alguma coisa que não precisava no
calor do momento ou então gritou com seus filhos ou outra pessoa que você ama.
Com certeza você já fez coisas desse tipo - todos nós fazemos.
Por outro lado, também temos outro tipo de pensamentos, que são mais frios, lentos e deliberados. Às vezes, pensamos sobre nossos próprios pensamentos de forma reflexiva e construtiva, sem nos preocuparmos com o conteúdo eles.
Nós realmente precisamos de ambas formas de pensar.
- Pensamentos rápidos são absolutamente necessários para automatizar a realização de tarefas rotineiras, de modo que possamos investir nossa capacidade mental em outras atividades mais demandantes.
- Pensamentos lentos, por seu turno, são imprescindíveis para fazermos julgamentos mais acurados e agirmos de forma adaptativa nas situações complexas da vida (aquelas em que muitos fatores importantes estão em jogo).
O problema é que os pensamentos rápidos, por geralmente serem mais baseados na emoção do que na razão, às vezes podem colocar você em apuros. Isso, provavelmente, é o que acontece com você nas situações que lhe incomodam: você é muito rápida em tecer comentários auto-críticos para si mesma, ou ligeira demais em julgar uma situação como uma ameaça ao seu bem estar físico ou psicológico. Devido ao fato do pensamento rápido ser baseado em suas experiências do passado e dirigido por emoções escondidas, nem sempre você terá consciência da origem desses pensamentos.
Suponha que você diga para si mesma: “ser feio é ruim” - esse é o seu pensamento automático ao olhar-se no espelho. De onde veio tal pensamento? Não há como saber com certeza, mas provavelmente sua origem está relacionada ao bulliyng, ou do consumo de informações manipuladas em redes sociais e tv. Todas as emoções agradáveis ou negativas, são armazenadas em nossa memória - não de maneira precisa e associada a uma lembrança específica, mas como registros negativos genéricos. Estes registros, por sua vez, passam a funcionar como uma espécie lente através da qual vemos o mundo, dando o "colorido" (ou falta dele) às experiências atuais.
Assim, não faz sentido dar a você orientações do tipo “pare de ter esses pensamentos negativos!”, pois eles são automáticos, involuntários e constituem parte integral do funcionamento psicológico normal. Por outro lado, o que faz sentido é, tentar equilibrar esses pensamentos rápidos e intensos com outros pensamentos mais lentos, mais reflexivos e mais baseados na realidade e contexto do momento.
Quando você está de mau humor, pessimista, se sentido deprimido ou algo que o valha... adivinhe! O esquema negativo que você tem sobre si, fica mais forte e seus pensamentos automáticos autocríticos tornam-se mais frequentes. Pensamentos ruins, fazem com que outros pensamentos ruins, sejam mais prováveis de ocorrer. Pesquisadores do estresse afirmam: "zebras não têm úlceras"! Por quê? Porque entre um e outro episódio de perigo real - como ser perseguida por um leão - elas não estão ruminando negativamente sobre suas experiências, lamentando por não terem comido mais daquele pasto nutritivo ou culpando suas mães por não tê-las treinado para correr mais rápido. Consegue perceber a diferença em relação a sua forma de encarar a vida?
A boa notícia a respeito do funcionamento da mente humana é que, da mesma forma que pensamentos negativos atuais facilitam a ocorrência de novos pensamentos negativos, a presença de pensamentos positivos favorece o surgimento de mais pensamentos positivos. Em outras palavras, é possível transformar o círculo vicioso em um círculo virtuoso.
M.
9 de jan. de 2026
Pó quebrado e uma reflexão sobre hábitos
A questão é que, mesmo já usando um pó facial novo há mais de duas semanas, meu cérebro insistiu em me levar para o lugar antigo, onde o pó quebrado costumava ficar. Puro hábito, uma espécie de piloto automático que me empurrava para o "inferno conhecido" (o local do pó quebrado) em vez de me direcionar para o "paraíso desconhecido" (local mais prático, junto dos outros produtos de maquiagem).
Esta situação é um exemplo de que hábitos novos podem levar um tempo para se enraizar. Por mais que a gente queira mudar, nosso cérebro busca a segurança do que já conhece, mesmo que não seja o mais adequado, buscando nos proteger do novo pois, não sabendo como será, repete a ação anterior.
Precisa nos ser constantes e insistentes, para que o novo hábito se estabeleça. É como plantar uma semente: não vemos a flor desabrochar no dia seguinte, mas sabemos que, com paciência e cuidados necessários, ela vai se desenvolver.
Um pó facial num lugar diferente, uma nova rotina ou outro objetivo que envolve o seu comportamento, convida a reconhecer que o novo pode ser desconfortável no início, mas é ali que o crescimento acontece.
Qual é o "pó quebrado" que você insiste em buscar, mesmo quando há um "pó novo" te esperando noutro lugar?
24 de ago. de 2025
Como identificar e mudar padrões relacionais?
- Os nossos padrões são construídos:
1. Por condicionamento social: Aprendemos a nos comportar com base no que experimentamos, no que vemos sendo modelado em nossos vínculos, na mídia e na sociedade.
2. Por não conhecer situações diferentes: Se não vimos ou experimentamos dinâmicas de relacionamento saudáveis, não sabemos como se parecem ou como criá-las.
3. Por Mecanismos de enfrentamento: Padrões podem ser resultado de estratégias de enfrentamento que aprendemos na infância, por exemplo: se afastar e ficar em silêncio para manter alguma segurança ou estar emocionalmente distante porque não sente que pode confiar.
4. Por Medo: Às vezes, o medo de perder, a baixa autoestima ou sentimentos de indignidade nos torna hiperconscientes de nossos padrões e, portanto, é muito difícil observá-los e mudá-los. Torná-los visíveis através da escrita, pode ser um caminho de autocuidado.
- Questione:
- Em que áreas dos meus relacionamentos tenho problemas consistentes, com comunicação, questões emocionais, confiança?
- O que desperta emoções fortes em mim? Como administro essas emoções quando elas estão presentes?
- Há alguma experiência relacional passada que esteja influenciando a forma como me relaciono atualmente? Qual é o impacto disso: positivo ou negativo?
- Alguém próximo e importante me deu algum feedback sobre possíveis padrões? Estou aberto a receber feedback?
- Como começar a mudar padrões relacionais:
- Esteja presente: preste atenção à dinâmica ou aos padrões e observe quando surgem.
- Questione como você faz as coisas, caso não estiverem funcionando. Existe outra maneira de responder, se comportar ou pensar sobre a situação?
- Tente algo novo: para alcançar um resultado diferente, precisamos realmente nos comprometer a fazer as coisas de maneira diferente. Pratique tolerar o desconforto.
- Comunique-se: fale sobre a dinâmica ou padrões repetitivos.
- Pratique: continue praticando. Leva tempo e esforço para fazer mudanças e mudar padrões, então seja gentil e paciente consigo mesmo(a).
Quebrar velhos padrões relacionais é um trabalho corajoso. Não há problema se parecer lento, confuso ou desconhecido. Cada momento de consciência, cada pausa intencional, cada nova escolha, é um poderoso ato de cura. Você não está falhando, está aprendendo.
Quando queremos aprender a comunicar melhor e evitar brigas e discussões desnecessárias, ou outro novo comportamento, é importante saber que esse processo pode ser desafiador, porque precisaremos aprender a fazer algo que ainda não sabemos. Aprender a expressar melhor em situações difíceis, a controlar as emoções, a impor limites, a conversar sem reatividade, a desacelerar num mundo que cobra rapidez, é um processo de reeducação profunda. Não é do dia para a noite e não tem fórmula mágica (lamentável, eu sei). Ser aprendiz não é fácil: dá trabalho, angustia, tem frustração, tem confusão. Mas ser iniciante, é o único caminho.
Fonte: @LUCILLE.SHACKLETON
16 de ago. de 2025
Melanie Klein e a vida intrauterina - um território não explorado.
Não há
base numa citação direta de Klein. Mas o pensamento kleiniano, com sua ênfase
no inato e na pulsão de morte, abre um campo teórico, para incluir a vida
intrauterina como um cenário de fantasias primitivas. Foco nos conceitos que
abrem espaço para a minha ideia, mesmo que a própria Klein não tenha explorado
esse espaço e encontro uma base indireta, em dois conceitos-chave da teoria
kleiniana:
► Klein estabeleceu que a pulsão de morte é inata e que a fantasia é uma realidade psíquica. Partindo dessas duas premissas, entendo que a vida intrauterina, o primeiro ambiente do indivíduo, é o cenário onde a pulsão de morte já atua, e onde as primeiras fantasias se formam, mesmo que de forma rudimentar, como sensações e estados psíquicos.
Melanie
Klein se diferencia de Freud ao postular que a pulsão de morte é uma força
destrutiva e inata, presente desde o nascimento. Para ela, essa pulsão não é
apenas uma ideia teórica; ela se manifesta na forma de uma angústia primordial,
que o bebê projeta para fora em um ambiente hostil.
A vida
intrauterina é, por definição, um estado de proteção contra o ambiente externo.
O nascimento, por sua vez, é um evento dramático, de separação e exposição. A
pulsão de morte, sendo inata, já está ativa no útero. A angústia - o afeto
dessa pulsão - seria desencadeada pelo nascimento. A fantasia inconsciente,
então, não seria sobre o útero em si, mas sobre o medo da aniquilação (a pulsão
de morte) que o bebê sente ao vir ao mundo.
Embora
Klein não mencione o útero, ela não nega a existência da pulsão de morte antes
do nascimento. Portanto, minha premissa é que se a pulsão de morte existe desde
o início da vida, também existem, as fantasias a ela associadas.
2. A Fantasia como "Realidade Psíquica"
Klein foi pioneira ao tratar as fantasias inconscientes como uma realidade psíquica, tão importante quanto a realidade externa. Para ela, o bebê não apenas reage ao seio materno; ele o molda em uma fantasia, transformando-o em um "seio bom" ou "seio mau".
A vida
intrauterina é o primeiro e mais primitivo ambiente do indivíduo. A sua
experiência neste ambiente, mesmo que seja de forma rudimentar (movimentos,
sons abafados, sensações de calor e frio), poderia ser a matéria-prima para as
primeiras fantasias.
O bebê
não precisa ter consciência do útero como um objeto externo para ter uma
fantasia sobre ele como uma realidade psíquica. O útero é a primeira
"realidade interna" do bebê, e que as sensações de aconchego ou, em
contrapartida, de restrição, já seriam as primeiras fantasias. Nesse sentido, a
fantasia não seria sobre o útero como um objeto externo, mas sobre as sensações
e os estados de ser que o bebê experimenta dentro dele.
• Klein, M. (1996). Obras completas de Melanie Klein: Vol. 1 - Amor, Culpa e Reparação e Outros Trabalhos (1921-1945). Rio de Janeiro: Imago. (para os conceitos de Pulsão de Morte e Inato) - Klein realmente postula que as fantasias são inatas e que a pulsão de morte existe.
- Estágios
Iniciais do Conflito Edipiano (1928) - Klein descreve a natureza inata da
angústia e das fantasias primitivas. O conceito de "posições"
(esquizo-paranóide e depressiva) é central aqui e a
base para isto já existia no útero.
• Ferenczi, S. (2011). Thalassa: Ensaio sobre a Teoria da Genitalidade (Originalmente publicado em 1924) - Conceito de regressão à vida intrauterina e a ideia de que o nascimento é um trauma que inicia uma busca por um estado de fusão e segurança. Ferenczi é a principal referência que conecta a psicanálise à vida intrauterina.
• Bion, W. R. (1991). Obras completas de Wilfred R. Bion: Vol. 1 - Experiências com Grupos (Originalmente publicado em 1961). Rio de Janeiro: Imago.
• Winnicott, D. W. (1983). O Ambiente e os Processos de Maturação (Originalmente publicado em 1965). Porto Alegre: Artes Médicas. Os conceitos de "dependência absoluta" e "holding", descrevem um estado em que o bebê e a mãe formam uma unidade, um eco da vida uterina.
14 de ago. de 2025
Entrevista - Adultos adotam chupeta para aliviar estresse e ansiedade
(Entrevista concedida à TV Correio - Programa Com Você) - AGO/25
1. O que está acontecendo com os adultos?
Concordo
que há uma “busca por conforto ou segurança emocional, a partir de objetos
associados à infância. Há objetos que ajudam a criança a lidar com a ansiedade
da separação, e na Psicanálise, há um conceito chamado de objetos de
transição, de Donald Winnicott. Para adultos, a busca por objetos ou
atividades que remetem a um tempo de menos responsabilidades pode ser um
mecanismo de autorregulação emocional, porém, que merece um olhar
cuidadoso.
2. Quais os limites entre bem-estar e escapismo?
O bem-estar
é quando o objeto ou comportamento complementa a vida adulta. Por exemplo, usar
um chaveiro der um personagem de um desenho, na bolsa, enquanto a pessoa
continua a enfrentar suas responsabilidades e desafios. O escapismo, por
outro lado, é quando o comportamento substitui a vida adulta. Se a
pessoa usa esses objetos ou comportamentos para evitar responsabilidades,
compromissos ou enfrentar problemas reais, tornando-se uma muleta constante que
impede o crescimento e a maturidade, aí entramos em uma zona de atenção.
3. Infantilização ou busca segurança emocional?
A vida
moderna impõe uma carga imensa de estresse, incertezas e pressão por
produtividade. O esgotamento mental é real. Diante de uma sobrecarga de
informações e responsabilidades, o cérebro busca atalhos para se acalmar. Os
comportamentos associados à infância representam um tempo de menor
responsabilidade, maior cuidado e proteção. Não é imaturidade, mas uma
estratégia, não recomendada, para lidar com a exaustão emocional.
4. Quais os efeitos psicológicos de buscar conforto em objetos infantis?
Podem
proporcionar um alívio momentâneo do estresse, uma sensação de calma, segurança
e conforto. Funcionam como uma "pausa mental" necessária. Se o uso
desses objetos se torna a única forma de lidar com o estresse, pode haver um
prejuízo no desenvolvimento de mecanismos de enfrentamento (coping) mais
maduros. Isso pode levar a uma dependência emocional e à evitação de problemas,
em vez de enfrentá-los de forma construtiva.
5. Chupeta como regressão? Quais os riscos?
Sim, este
fenômeno que vêm chamando a atenção por causa das redes sociais, pode ser visto
como um ato de regressão psicológica, pois remete a uma fase de desenvolvimento
precoce. O cérebro associa o ato de chupar a sucção do leite, que é sinônimo de
nutrição, segurança e calma. É uma tentativa de reativar esses sentimentos. Riscos
físicos: o uso prolongado pode causar problemas dentários, como má oclusão.
Riscos psicológicos: se a chupeta se torna o único
"dispositivo" para acalmar a ansiedade, a pessoa pode deixar de
desenvolver habilidades internas de autorregulação, gerando uma dependência
emocional do objeto e nutrindo uma fuga, um atalho que impede de processar e
resolver a causa real de sua angústia.
6. Como a sociedade pode apoiar os adultos?
O primeiro passo é parar de julgar, pois a busca por conforto não é um sinal de fraqueza, mas de uma necessidade humana legítima. E a maior ajuda que a sociedade pode oferecer é normalizar a terapia e a conversa sobre saúde mental. Se uma pessoa sente a necessidade constante de se refugiar em objetos infantis, isso pode ser um sinal de que precisa de apoio para desenvolver estratégias mais robustas para lidar com o estresse. Criar ambientes de trabalho e relacionamentos mais empáticos, onde as pessoas sintam segurança para expressar suas vulnerabilidades, sem medo de serem rotuladas.
7. Estratégias para lidar com o estresse de forma madura
- Mindfulness e meditação, Exercícios físicos regulares, Higiene do sono, Terapia, Hobbies e conexões sociais.
12 de abr. de 2025
Princípios, Valores e Virtudes
Princípios (o alicerce da casa interior) são leis ou pressupostos considerados universais que definem as regras pela qual uma sociedade civilizada deve se orientar. Vale no âmbito pessoal e profissional.
Amor, felicidade, liberdade, paz e plenitude são exemplos de princípios considerados universais. Como cidadãos, esses princípios fazem parte da nossa existência e durante uma vida estaremos buscando torná-los inabaláveis. A base dos nossos princípios é construída na família e, em muitos casos, se perdem no caminho. São como bússolas internas que nos guiam em meio à complexidade das relações. Eles refletem nossas crenças fundamentais sobre o que é certo e errado, justo e injusto, e moldam nossas expectativas e comportamentos.
Valores (as paredes da casa interior) são normas ou padrões sociais geralmente aceitos ou mantidos por determinado indivíduo, classe ou sociedade, portanto, em geral, dependem basicamente da cultura relacionada com o ambiente inserido. Os valores são pessoais, subjetivos e, acima de tudo, contestáveis. O que vale para você não vale necessariamente para os demais colegas de trabalho. Sua aplicação pode ser ética ou não e depende muito do caráter ou da personalidade da pessoa que os adota. Eles influenciam nossas escolhas de parceiros, amigos e colegas, e determinam o tipo de conexão que buscamos estabelecer.
Virtudes, (os móveis da casa interior) segundo o Aurélio, são disposições constantes do espírito, as quais, por um esforço da vontade, inclinam à prática do bem. Aristóteles afirmava que há duas espécies de virtudes: a intelectual e a moral. A primeira é gerada cresce através ensino e por isso, requer experiência e tempo; já a virtude moral é adquirida com o resultado do hábito.
Assim, virtudes são hábitos que se originam do meio onde somos criados e condicionados através de exemplos e comportamentos semelhantes. Elas nos permitem reconhecer e responder às necessidades dos outros, construindo relacionamentos saudáveis e significativos.
Uma pessoa pode ter valores e não ter princípios. Hitler, por exemplo, conhecia os princípios, mas preferiu ignorá-los e adotar valores como a supremacia da raça, a aniquilação da oposição e a dominação pela força. Significa que também não dispunha de virtudes, pois as virtudes são decorrentes dos princípios e o seu legado foi um dos mais nefastos da história. Sua ambição desmedida o tornou obcecado por valores que contrastam com os princípios universais.
Valores e virtudes baseados em princípios universais são inegociáveis e, assim como a ética e a lealdade, ou você tem, ou não tem. Entretanto, conceitos como liberdade, felicidade ou riqueza não podem ser definidos com exatidão. Cada pessoa tem recordações, experiências, imagens internas e sentimentos que dão um sentido particular a esses conceitos. A justiça, por exemplo, é uma virtude tão difícil, e tão negligenciada, que a própria justiça sente dificuldades em aplicá-la.
A manutenção da Casa interior é essencial e deve ser contínua!
11 de mai. de 2024
Reparentar
A infância é a época em que o subconsciente de cada pessoa é formado. Ou seja, aprendemos como processamos as emoções, como são os relacionamentos, como manter limites e inúmeros outros hábitos e comportamentos.
Perceber que fomos criados por seres humanos imperfeitos é uma grande parte da jornada, mas a nossa tarefa definitivamente não termina aí. Para deixar de agir a partir dos padrões ancestrais que carregamos ou das feridas que nos foram feitas, devemos nos curar.
Para muitas pessoas, fazer isso é compreender que os pais só podem ser pais a partir do seu próprio nível de consciência e que devemos dar a nós mesmos o que os outros não nos deram.
É nisso que consiste a REPARAÇÃO PARENTAL, que tem 4 pilares: Disciplina, Alegria, Regulação Emocional e Autocuidado. Aqui estão 5 passos para começar:
1. Respire: Reparar é um processo. Não é algo que acontece da noite para o dia. Se você tentar fazer muito desse trabalho de uma vez, você se sentirá sobrecarregado e voltará aos velhos padrões. Enquanto isso, respire.
2. Mantenha uma pequena promessa para si mesmo todos os dias: tão pequena que parece insignificante, mas você sabe que não é para você. Alguns bons exemplos são: meditar por 2 minutos, dar uma volta no quarteirão todas as manhãs por 5 minutos, preparar uma refeição em casa todos os dias, fazer um diário sobre o futuro todas as noites antes de dormir. O tempo é importante aqui – não escolha nenhuma promessa que leve mais de 10 minutos no total.
3. Diga a alguém em quem você confia que você está iniciando o processo: Seus pais fizeram o melhor que puderam com seu nível de consciência e provavelmente ficarão na defensiva se você falar sobre isso com eles. A reparação é para você, mas contar para alguém que você confia, pode ser útil.
4. Pergunte a si mesmo “O que posso me dar agora?”: Quando sentir emoções fortes, pergunte-se esta pergunta. Não há problema se, ao começar a fazer essa pergunta, você se sentir confuso ou como se não houvesse resposta. Continue perguntando. É uma prática de conexão com a intuição. Pode ser tomar um banho de espuma, desconectar-se das redes sociais ou sair ao sol por 15 minutos.
5. Comemore suas vitórias: valide-se, reconheça seu progresso. Comemore a pessoa que você está se tornando.
6. Seja gentil com você.
18 de abr. de 2020
O que Freud diria? (Em meio à Pandemia do Covid-19)
Primeiro ele contaria uma história: a dele. Diria que viveu a
experiência do sofrimento da gripe espanhola. Diria que perdeu ali, sua filha
Sophie. Ah, perdão. Diria antes que, foram anos muito difíceis com a Primeira
Guerra que deixava rastros de dor e parcos escritos. Talvez porque, com a dor
não seja ou não fosse tão possível escrever, para ele. Diria que houve
inflação, falta de suprimentos de infraestrutura nos transportes e nas
comunicações. Diria que sua família recebeu ajuda financeira da Max Eitington,
médico e psicanalista da Bielorussia - Alemanha - e seu amigo. Freud diria que
não se deixou paralisar, pois cuidar da sua família e atender pacientes que o
procuravam e conseguiam pagá-lo, era uma forma de lidar com a impotência diante
da situação. Diria que dias antes, num cordial almoço de domingo, recebeu o
filho de Pfister, seu amigo discreto, psicanalista, teólogo e pastor. E diria
também que era ateu, Freud. Diria em seguida que logo passaram pela tragédia
que os marcaria para sempre. “A descarada brutalidade dos tempos nos aperta”.
Continuaria a dizer sobre começo: não pôde se despedir da filha e isto parece
ter lhe causado uma ferida narcísica. E então: “trabalho tanto quanto posso...”,
em gratidão pela possibilidade de não ser paralisado pela morte. Que a
esperança também compareça entre nós, em 2020. Freud diria que a Todestrieb (pulsão
de morte) é difícil de sustentar e, talvez, escrever tenha o ajudado a
atravessar.17 de fev. de 2018
O que é Psicanálise?
A psicanálise não é oráculo. Exige Tempo. E aposta: no analista e, especialmente, em si mesmo.
11 de fev. de 2018
26 de ago. de 2017
Família: uma ficção necessária? *
2 de jun. de 2017
O “Lugar” dos pais no atendimento infantil
27 de mai. de 2017
Livro Digital - Contos de Fadas e a Construção da Identidade Infantil
• Quer adquirir? Entre em contato •
Email: mayarapsicologia@hotmail.com
Instagram: @institutomayaralmeida
8 de mar. de 2017
O sucesso está em você!
● Veja aqui, alguns trechos da palestra:
24 de fev. de 2017
Desafio Diário - JOGO
Permita-se experimentar de forma consciente, persistente e constante. Assim que começar os desafios, reforce diariamente a sua continuação, escrevendo o que a experiência te fez perceber. Sem dúvidas, vai valer a pena! Não acredite apenas. Experimente.
📍O que é o #desafiodiario?
É um kit com 21 cards/tarefas propostas + 1 caderninho.
📍Por que 21?
O período de 21 dias é adequado para quem deseja mudar ou aperfeiçoar comportamentos.
📍Para quem serve o #desafiodiario?
Crianças, a partir dos 6 anos, adolescentes e adultos.
📍Que transformações os desafios podem nos causar?
O jogo #desafiodiário foi idealizado para contribuir com o desenvolvimento pessoal: autocuidado (com tarefas intencionais que favorecem o bem-estar; autoconhecimento (buscando despertar a identificação das emoções) e estimular a inteligência emocional (despertando o interesse em gerenciar conflitos e equilibrar os próprios sentimentos, sem desestabilizar a vida. As tarefas/desafios provocam reflexões no âmbito mais subjetivo, atenção às suas próprias questões e incentivo a tomada de atitudes com uma ação responsiva.
📍Como pode ser utilizado?
Pode ser usado individualmente ou em grupo.
• Antes de utilizar com outros, sugiro que realize consigo e descubra a melhor forma de colocar os desafios em em prática. A sua (melhor) maneira.
• Você pode criar uma sequência ou seguir aleatoriamente, se preferir.
• Sugiro que só passe para a próxima tarefa após realizar a anterior, porém, fique à vontade para pular e aos poucos ir superando os desafios de acordo com a sua disponibilidade.
• Você pode fazer um jogo de cartas: espalhar com a frente escondida e aquela tarefa que escolhida aleatoriamente, deverá ser realizada.
• Os desafios podem ser repetidos quantas vezes desejar para aperfeiçoar cada vez mais, as práticas propostas.
• Use a criatividade, descubra novas maneiras de usar e desafie-se positivamente!
✏ Adquira o seu: entre em contato através do email: mayarapsicologia@hotmail.com
Depoimentos de quem está utilizando:
💭 Mais do que reviver o delicioso tempo em que jogava bola de gude com meus irmãos e crianças da rua, resolvi apresentar a brincadeira à minha prima de seis anos. Ela adorou! Em meio à tanta tecnologia então... Diversão maior ainda. Gratidão, Desafio Diário, pela ajuda em exercer esses pequenos prazeres da vida, mas que se tornam grandes, diante do que nos pode proporcionar".
💭 "Hoje foi assim que terminei meu dia de trabalho com as crianças da ONG em que atuo. Elas tem entre 5 e 6 anos. Resolvi surpreendê-las com elogios pertinentes às suas conquistas, seus valores mais sutis. Vi brilhos nos olhos, choros emocionados, risos nervosos e tímidos. Depois abraços e beijos! Aí uma criança disse: agora nós vamos falar. E chorando tentou devolver todo o afeto. Eu, não esperava por isso e me emocionei tanto quanto eles. Você nem imagina as vibrações e emoções desse momento!!! Agradeço a você por partilhar seus conhecimentos conosco! Seja sempre inspiração em nossas vidas! Beijos!"
5 de fev. de 2017
Fragmentos de uma ses(são)
22 de out. de 2016
A Depressão em imagens
Há algo acontecendo, de um jeito sensível psiquicamente, que nem sempre aparece externamente, mesmo que esteja com a melhor e mais colorida roupa. É algo invisível por dentro.
A compulsão alimentar ou por compras, também pode ser um alerta para um cuidado emocional mais adequado. A mente está em dificuldades para lidar com aquilo que necessita de atenção e, busca uma saída externa para ocupar os espaços confusos. Saída esta, que precisa ser identificada e organizada para não gerar um novo conflito psíquico.
4 de set. de 2016
Homoafetividade: como fica a cabeça das crianças?
Há dificuldades sobre aceitar o relacionamento de pessoas do mesmo sexo e o argumento mais disseminado é "o bem da criança". Em termos da saúde mental, uma criança deve ser criada por adultos que desempenhem funções parentais, as quais chamamos de materna e paterna, promovendo a constituição psíquica do sujeito e facilitando os seus laços sociais.
Um bebê, por exemplo precisa ser embalado pelo imaginário do adulto, acolhido subjetivamente pela palavra e suposições que não são palpáveis. São ilusões, de fato, mas excelentes ilusões necessárias. Este bebê, então, suposto pelos laços parentais, vai desabrochando e tantas vezes, marcando a diferença daquilo que foi inventado, descobrindo a alteridade em si e no outro.14 de jun. de 2016
O que (não) fazer numa entrevista de trabalho
14 de dez. de 2015
A favor de alguns "baratos".
O uso inicial é para relaxar, aliviar a vida e diminuir a ansiedade daquilo que ainda não pode ser. E funciona tão bem que convida à repetições desenfreadas, podendo despertar as fragilidades que, não percebemos, mas estão ali, adormecidas. Não sabemos antes, se afetará a cognição, a emoção, o corpo.
Há quem faça uso recreativo e justifique um bom incentivo à criatividade. Mas como? O uso contínuo desconstrói as possibilidades de inventar algo possível, aproximando déficit de atenção, paranóia e poder desgovernado para o dia-a-dia de um corpo/mente que não suporta essa montanha-russa de emoções.
Desejosos de um gozo maior - e quem não é? - usam a droga como vontade de potência. Porém, para o mesmo fim, recomendo poesia, música e escrita. É um barato!






















