27 de dez. de 2015
Motivos pra continuar.
Um: há uma porção para te encolher.
Dois: um bolo que pode te fazer crescer.
Três: animais que podem falar.
Quatro: gatos que podem desaparecer.
Cinco: um lugar chamado país da maravilhas.
Seis: Eu posso...”.
[Alice no País das Maravilhas]
Em quantas coisas impossíveis você acredita para viver? Quais os motivos que te fazem continuar? Mesmo quando tudo parece difícil, recorrer ao que faz sentido e acalenta é um ótimo antídoto para levantar e seguir.
As minhas melhores coisas eu desejo pra você. Milkshake. Borboletas no estômago. Sorriso com covinhas. Cheiro de perfume doce. Pessoas pontuais. Plástico bolha. Praia. Pão de queijo. Olhar o mar. Abraço carinhoso. Beijo na testa. Dedicatória. Voz e violão. Beijo de amor. Massagem nos pés. Chocolate ouro branco. Foto no pôr do sol. Torta de chocolate. Elogio. Presente. Sorvete. Clips. Saudade correspondida. Reencontro. Promoção. Bloquinho de anotações. Romance. Nos livros e na vida. Arco-íris. Flores. Leituras. Aparador de sonhos. Bons sonhos. Canetas. Sorvete. Saúde. No corpo e na alma.
Compartilho aqui, meus aprendizados.
1. Crescer, muitas vezes, significa se sentir sozinho.
2. Ajudar os outros te faz melhorar como pessoa.
3. Insistir naquilo que você acredita, pode te trazer um pouco de dor de cabeça e decepção, mas é extremamente necessário. Continue.
4. Gaste o dinheiro que você ganha com experiências, não com coisas materiais. Mas saiba que muitas pessoas vão tentar te convencer do contrário; aprenda a não deixar-se afetar.
5. Aprenda a escolher as suas batalhas. Existem coisas pelas quais não vale a pena enfrentar uma guerra interna.
6. Escreva! Escrever cura. Coloque no papel os seus próximos passos, suas tarefas importantes, possíveis soluções, sentimentos. Assim, você permite que sua mente respire e libera espaço para a próxima dica.
7. Permita-se descansar e, acredite, se você não escolhe descansar, o seu corpo escolherá por você e, geralmente, não é de uma forma saudável.
8. Sinta o que é preciso e possível, fazer por si mesmo, agora. Pratique o autocuidado.
9. Não desista. Encontre seus motivos pra continuar, pois haverá sempre alguém se inspirando em você. Sempre!
23 de dez. de 2015
Diagnósticos na infância: como lidar
Dia desses, durante uma sessão de psicoterapia, inúmeras vezes, uma criança agiu com socos, chutes e afins. Chegou com laudo de transtorno de comportamento. Informação vazia, não me diz sobre como atuar e, na verdade, nenhum diagnóstico dirá.
Além da agressividade e força, apesar dos seus sete anos, apresenta também crises de ausência constantes e permanece desmaiado por 5 a 10 segundos diversas vezes, em qualquer lugar que está. Isto já causou alguns acidente que marcaram sua pele e seu rosto, mas nem sempre sua memória consciente, pois não lembra como se machucou.
É uma criança afetiva, sim, a cada sessão um abraço forte e um grito: “tiiiaaa a senhora tava aonde?” Como se cobrasse a minha ausência nos dias em que não o atendo, pois a sessão é semanal, no serviço onde é acompanhado por mim.
Trago este recorte clínico, para convidar a pensar sobre crianças com diagnóstico médico, seja qual for ou com a possibilidade de. Julgo imprescindível dirigir a escuta para: (1) o que a criança está querendo dizer; (2) o que a família da criança diz ao conviver com ela; (3) o
modo como se dá a relação do diagnóstico com a história do sujeito e o meio em que vive. Aspectos que podem desaprisionar a criança e oferecer liberdade pra a subjetividade circular.
Abaixo, alguns dos principais diagnósticos na infância:
● Transtorno de conduta: é caracterizado por comportamento antissocial, persistente, com violação de normas sociais ou direitos individuais. Aplica-se a indivíduos com idade inferior a 18 anos e trazendo limitações importantes do ponto de vista familiar e escolar. Observa-se que o comportamento apresenta maior impacto nos outros do que em si mesmo, e não aparentam sofrimento psíquico ou constrangimento com as próprias atitudes, não se importam em ferir os sentimentos das pessoas ou desrespeitar seus direitos.
● TDAH: descreve comportamentos ligados à falta de atenção, hiperatividade e impulsividade. Esses sintomas devem se manifestar em pelo menos dois contextos, no caso de crianças, os ambientes doméstico e o escolar. Pode predominar a desatenção ou a hiperatividade, ou os quadros podem ser mistos. Alguns dos sintomas já estariam presentes antes dos sete anos de idade e não se apresentariam exclusivamente associados a outros transtornos mentais.
● Altas Habilidades e Superdotação: um fenômeno que agrega todas as características de desenvolvimento do indivíduo sejam eles: aspectos afetivos, cognitivos, neuropsicomotores e de personalidade. A superdotação não independe do meio, é necessário estímulo. Nenhuma criança nasce superdotada, apenas com o potencial para superdotação e àquelas que tiverem oportunidades de desenvolverem seus talentos e singularidades em um ambiente que responda aos seus padrões particulares e necessidades, serão capazes de atualizar as suas habilidades.
● Transtorno Desafiador Opositor: consiste de um padrão de sintomas que incluem frequentemente: perda de paciência, discussão com adultos, desafio ou recusa ativa a obedecer a solicitações ou regras dos adultos, perturba as pessoas deliberadamente, responsabiliza os outros por seus erros. Embora possa começar já aos 2/3 anos de idade, ele tipicamente inicia por volta dos 8 anos de idade.
Relembro que e imprescindível pensar: o porquê do sintoma? O que está acontecendo com a criança? Estão dormindo bem? Como estão seus pais? Alguma mudança na estrutura familiar? Problemas de trabalho, com álcool ou drogas na família? Mudança de residência? Alguma doença? Brigas? É importante registrar que alguns comportamentos isolados fazem parte do desenvolvimento da criança, sendo assim, não se enquadra num transtorno e cabe à família orientar e superar estes comportamentos indesejados.
É muito importante, que o diagnóstico não seja o fim, mas um dos meios de se chegar até o sintoma. Sim, um dos, pois a criança não deve ser paralisada pelo que foi identificado. É um processo de aprendizado sobre como viver com algo que nem todos conhecem ou respeitam.
14 de dez. de 2015
A favor de alguns "baratos".
Não defendo a legalização das drogas pois conheço a capacidade negativa que têm e a desordem que podem causar. Conheço profissionalmente, pelas experiencias no consultório e também por acompanhar desastres com pessoas próximas.
O uso inicial é para relaxar, aliviar a vida e diminuir a ansiedade daquilo que ainda não pode ser. E funciona tão bem que convida à repetições desenfreadas, podendo despertar as fragilidades que, não percebemos, mas estão ali, adormecidas. Não sabemos antes, se afetará a cognição, a emoção, o corpo.
Há quem faça uso recreativo e justifique um bom incentivo à criatividade. Mas como? O uso contínuo desconstrói as possibilidades de inventar algo possível, aproximando déficit de atenção, paranóia e poder desgovernado para o dia-a-dia de um corpo/mente que não suporta essa montanha-russa de emoções.
Desejosos de um gozo maior - e quem não é? - usam a droga como vontade de potência. Porém, para o mesmo fim, recomendo poesia, música e escrita. É um barato!
O uso inicial é para relaxar, aliviar a vida e diminuir a ansiedade daquilo que ainda não pode ser. E funciona tão bem que convida à repetições desenfreadas, podendo despertar as fragilidades que, não percebemos, mas estão ali, adormecidas. Não sabemos antes, se afetará a cognição, a emoção, o corpo.
Há quem faça uso recreativo e justifique um bom incentivo à criatividade. Mas como? O uso contínuo desconstrói as possibilidades de inventar algo possível, aproximando déficit de atenção, paranóia e poder desgovernado para o dia-a-dia de um corpo/mente que não suporta essa montanha-russa de emoções.
Desejosos de um gozo maior - e quem não é? - usam a droga como vontade de potência. Porém, para o mesmo fim, recomendo poesia, música e escrita. É um barato!
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