20 de out. de 2019
Intervenção precossíssima com Bebês
Vamos conversar sobre o desenvolvimento sensório - motor normal e atípico dos bebês, considerando a integração sensorial e a formatação corporal - da vida intrauterina até a marcha - considerando as necessidades de intervenção na clínica Psicanalitica com bebês (entre 0 e 2 anos de idade) com caráter precossissimo, pois as intervenções acontecem em tempo anterior à cristalização de defesas patológicas, atuando na intersubjetividade primária.
Primeiro: o nascimento de um bebê não é ruptura, é continuidade, mas que precisa de uma organização sensorial e gravitacional para dar conta das novas demandas: respiração, alimentação, lidar com as sensibilidades profundas. Uma curiosidade para compreender ainda mais sobre a sensibilidade do bebê, é que o líquido amniótico tem a mesma densidade do bebê.
Segundo: O corpo do bebê é uma representação do organismo e vai se constituindo no movimento, na relação com o outro, pois o sentido tátil, por exemplo, é um envelope corporal, bem como, a comunicação que faz ligação com o outro, um laço entre a escuta e tônus muscular: converse com o bebê.
Terceiro: O sistema vestibular está ligado às funções psíquicas. E todos os sistemas precisam se conectar para que as fronteiras corporais se estabilizem. Assim, quanto menor a criança ou prematura, mais está submetida a uma sensibilidade profunda e às forças da gravidade e necessita de atividades corporais de dar apoio, como o enrolamento.
Quarto: Quando não há uma relação afetiva e comunicativa entre o bebê e os cuidados primordiais, após o nascimento, pode haver um desabamento tônico podendo gerar no bebê uma reação de assassino da função parental (bebê killer). Ainda: movimentos esteriotipados, rígidos, sincrônicos, contração dos membros, movimentos caóticos, bruscos, de grande amplidão, instabilidade postural, desregulação entre a parte baixa e a parte alta do corpo, esticamento ao invés do agrupamento.
Quinto: Casos de Hipoxia (baixo teor de oxigênio no cérebro) ou Anoxia (ausência de oxigênio e um agravante da hipoxia) também podem causar desorganização corporal. Bem como: refluxo gastroesafâgico, retenção, encoprese e falta de investimento na bacia (que é um ponto de articulação e precisa de investimento para, futuramente, atender à marcha, o sentar, o engatinhar, a coordenação). Situações de operações cardíacas ou digestivas, tendenciam a se afastar do traço da dor. E o Bebês em desenvolvimento normal são imprevisíveis, fluidos, com movimentos variáveis e complexos.
Sexto: A intervenção nos Períodos Sensíveis (3 e 6 meses) - onde podemos obsevar os movimentos gerais do bebê, sua motricidade espontânea - possui um alto valor prognóstico: tão preditivo quanto uma ressonância magnética. Nas sessões o psicanalista atua como um Terceiro tempo pulsional, O grande outro, a Lei do Pai e, junto dos pais, acreditar, pois se você acredita no outro, o outro vira sujeito. Busque um profissional para oferecer apoio de formatação e tratar as informações sensoriais (segurar, conter, dialogar). Isto já é um trabalho psíquico.
8 de jul. de 2019
Como e quando falar sobre a morte com crianças?
Não existe idade certa para falar sobre a morte, porém, a criança pode demonstrar curiosidade, seja porque vivenciou uma perda, assistiu no desenho ou ouviu alguém usar a expressão e, daí, já é um sinal para manter a via aberta para falar sobre o assunto. Exemplos utilizando o ciclo da natureza, livros infantis, desenhos e filmes, são recursos importantes: o feijãozinho no algodão, a planta no jardim, o animal que nasce, cresce, reproduz e morre (a escola também faz este papel de mediação, embora, sem dizer que está fazendo).
Talvez a criança apresente medo de estar sozinha ou de perder membros da familia que ainda estão vivos; pode voltar a estágios anteriores de desenvolvimento (exigir mais atenção, falar como um bebê, etc); apresentar insônia, perda de apetite, diminuição do desempenho escolar e até vontade de estar com a pessoa que morreu. Faz parte do viver, de quem, pequeno ficou, para elaborar a morte.
Recomendações aos adultos:
1. Não use expressões como: "ele viajou para bem longe", "adormeceu", ou "virou estrelinha". As crianças costumam compreender o que é falado de forma literal e as expressões anteriores podem alimentar o medo de morrer e ser abandonado, trazendo mais ansiedade e confusão. Ainda, por verem personagens de desenhos animados que "morrem" e "renascem", tantas vezes os questionamentos vem e vão, compondo o processo de elaboração das situações do real, para além do pensamento mágico, característico da primeira infância.
2. Permita, se for a vontade da criança (desde que antecipe o que vai ver e ouvir, explicando que aquele ritual ajuda as pessoas a cuidar da saudade, pois terão um tempo para se despedir). Se a criança não quiser ver o corpo ou participar de qualquer ato, não force.
3. Incentive a participação nas tarefas de se despedir de objetos/guardar alguns, mas evite mudanças drásticas, com objetivo de esquecer rapidamente o acontecimento; incentive que a criança sinta-se bem, mesmo na ausência da pessoa que morreu, deixe-a brincar e envolver-se em novas atividades.
• Quando e como dar a notícia?
Após o primeiro tempo de maior intensidade e confusão, procure um local apropriado para explicar o que aconteceu de forma simples e sincera. Por exemplo: "Sabe o vovô, que estava no hospital? Ele morreu, então, não estará mais conosco. Estou muito triste, por isso você poderá me ver chorando em alguns momentos". Se for um acidente, podemos dizer que os médicos e os enfermeiros fizeram o seu melhor para "consertar" o corpo, mas, às vezes, o machucado é grave e os medicamentos não puderam curar. Qualquer explicação deve ser feita com poucas palavras. Mas, se ainda assim, houverem muitos questionado, escolha a verdade, sempre, pois os adultos também não entendemos tão bem tudo o que acontece. Ainda, peça ajuda de outro adulto menos envolvido com as emoções da criança para ajudar.
Dela - a morte - não podemos escapar. Mas podemos esculpir um caminho de consciência menos doloroso (ou pelo menos acreditar que pode ser assim, enquanto der).
29 de jun. de 2019
Amamentação e Desmame Consciente
A organização Mundial da saúde recomenda a amamentação pelo menos até completarem 2 anos de idade, quando, supostamente, a criança apresentará maturidade para envolver-se com outras atividades. Peito tem função de alimento, chupeta, carinho, amor, conforto, calma e solução para cólicas. Sim, peito é tudo isso.
•
Prepare-se emocionalmente para desmamar, consultando profissionais especialistas no assunto. Não faça de forma alguma o desmame por pressão do parceiro, outros familiares ou amigos palpiteiros.
•
Quando tiver sua decisão tomada, use a verdade para si e para seu bebê: converse, fale a verdade, permita um tempo para a criança se despedir.
•
Anote os horários de mamada. Quando estiver próximo ao horário de amamentar ofereça um alimento e faça uma atividade divertida (como cantar, ler livros, brincar). A criança poderá se distrair e não solicitará o peito, aprendendo novas formas de conforto emocional.
•
Evite roupas que normalmente usa para amamentar, ou de fácil acesso ao peito.
•
Qual a necessidade por trás do pedido de peito? Sede, fome, sono, conforto, aconchego, carinho, stress. Perceba se uma substituição - um colo, uma comidinha especial - atende a necessidade da criança.
•
Por aqui, defendo a amamentação em livre demanda, desde que também esteja confortável e seja possível para a mãe, pois o bebê fica bem quando a mãe está bem.
Assinar:
Comentários
(
Atom
)


