8 de jul de 2019

Como e quando falar sobre a morte com crianças?

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Não existe idade certa para falar sobre a morte, porém, a criança pode demonstrar curiosidade, seja porque vivenciou uma perda, assistiu no desenho ou ouviu alguém usar a expressão e, daí, já é um sinal para manter a via aberta para falar sobre o assunto. Exemplos utilizando o ciclo da natureza, livros infantis, desenhos e filmes, são recursos importantes: o feijãozinho no algodão, a planta no jardim, o animal que nasce, cresce, reproduz e morre (a escola também faz este papel de mediação, embora, sem dizer que está fazendo).

Talvez a criança apresente medo de estar sozinha ou de perder membros da familia que ainda estão vivos; pode voltar a estágios anteriores de desenvolvimento (exigir mais atenção, falar como um bebê, etc); apresentar insônia, perda de apetite, diminuição do desempenho escolar e até vontade de estar com a pessoa que morreu. Faz parte do viver, de quem, pequeno ficou, para elaborar a morte.

Recomendações aos adultos:
1. Não use expressões como: "ele viajou para bem longe", "adormeceu", ou "virou estrelinha". As crianças costumam compreender o que é falado de forma literal e as expressões anteriores podem alimentar o medo de morrer e ser abandonado, trazendo mais ansiedade e confusão. Ainda, por verem personagens de desenhos animados que "morrem" e "renascem", tantas vezes os questionamentos vem e vão, compondo o processo de elaboração das situações do real, para além do pensamento mágico, característico da primeira infância.

2. Permita, se for a vontade da criança (desde que antecipe o que vai ver e ouvir, explicando que aquele ritual ajuda as pessoas a cuidar da saudade, pois terão um tempo para se despedir). Se a criança não quiser ver o corpo ou participar de qualquer ato, não force.

3. Incentive a participação nas tarefas de se despedir de objetos/guardar alguns, mas evite mudanças drásticas, com objetivo de esquecer rapidamente o acontecimento; incentive que a criança sinta-se bem, mesmo na ausência da pessoa que morreu, deixe-a brincar e envolver-se em novas atividades.

• Quando e como dar a notícia?
Após o primeiro tempo de maior intensidade e confusão, procure um local apropriado para explicar o que aconteceu de forma simples e sincera. Por exemplo: "Sabe o vovô, que estava no hospital? Ele morreu, então, não estará mais conosco. Estou muito triste, por isso você poderá me ver chorando em alguns momentos". Se for um acidente, podemos dizer que os médicos e os enfermeiros fizeram o seu melhor para "consertar" o corpo, mas, às vezes, o machucado é grave e os medicamentos não puderam curar. Qualquer explicação deve ser feita com poucas palavras. Mas, se ainda assim, houverem muitos questionado, escolha a verdade, sempre, pois os adultos também não entendemos tão bem tudo o que acontece. Ainda, peça ajuda de outro adulto menos envolvido com as emoções da criança para ajudar.

Dela - a morte - não podemos escapar. Mas podemos esculpir um caminho de consciência menos doloroso (ou pelo menos acreditar que pode ser assim, enquanto der).

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