1 de mai. de 2016

Sobre os vínculos no atendimento infantil

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Ele tem 8 anos e foi diagnosticado como autista. Ele igual a mim e a você: vulnerável. Mas tambem é diferente porque não engana, e não sabe se proteger como nós. Aviso que vou abraçá-lo e quando não quer me diz: "pode parar tia"; "não senhora". É um garoto inteligente e que entende de sensibilidades. Não descansa um minuto do Mickey e sua turma. E se cansa rapidamente de barulhos ou sons inesperados. Tocar em sua cabeça significa "você foi muito bem". Ficar com raiva significa afetar o corpo inteiro: mexe os braços, as mãos, as pernas... Já houve um tempo em que as sandálias voavam na sala, tamanha intensidade das suas emoções negativas. Hoje me olha nos olhos e me deixa aproximar-se a qualquer hora. Recebe cosquinhas por 3 segundos e, sorrindo, se contradiz: "não tem graça tia". Não gosta quando interrompo o ritmo das suas ações e por isso não tomo nada de suas mãos, sempre peço. Ele escuta alto e com o ouvido de dentro. Ganhamos, os dois, evoluções em nosso vínculo emocional.

Psicóloga Mayara Almeida 
CRP 13/5938
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27 de mar. de 2016

Pausas necessárias

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Dia desses assisti à uma palestra onde o moço no palco apresentava traços de cansaço físico e mental: ombros curvados, falas entrecortadas e um recado para os que esculpiram a interpretação: não sou exemplo. Não quero aqui dizer que não é permitido demonstrar cansaço ou indisposição, mas sim, reconhecer os limites pessoais e refletir que tempo de qualidade gera boas ideias, enquanto quantidade de horas não é receita de sucesso.

[...] "um estudo recente apontou que a produção média por pessoa em uma semana de 40 horas é de uma hora e meia por dia apenas! Quer dizer, somos estressados e ineficazes..."

As coisas começam a dar mais certo quando você se concentra na sua zona de habilidades. Não é egoísmo ou deixar tudo para trás, mas reservar tempo agradável para fazer aquilo que te mantém conectado consigo mesmo. Corremos tanto... Mas isto não faz o nosso dia maior, porém, cansativo. Há muito a ser vivido de maneira mais leve, mesmo dentro desse turbilhão de coisas a fazer.

O corpo pede calma e os dias pedem delicadezas. Lembre-se de relaxar e ter experiências leves de descanso. Mente e corpo agradecem.

Mayara Almeida
Psicóloga - CRP 13/5938
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23 de mar. de 2016

Coelhinho da páscoa que trazes pra mim?

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Esta semana me disseram: "O Coelho da Páscoa não põe ovos..." Sério?  

Bom, eu já sabia, claro, mas o fato de alguém ter pronunciado concretamente, ficou registrado na memória como uma recordação da magia inconsciente. Pois é: parece que sair para a caça de ovos tem sido brincadeira de gente grande, afinal existe uma busca, uma caça pelo ovo mais legal para a criança. Não é assim? 

É importante que saibamos marcar bem a história da fantasia até que possamos lidar com a verdade e nossa estrutura disponha de capacidade para crescer. Assim deveriam ser os adultos, pois muitos de nós, ainda dão trabalho no quesito mundo da imaginação e exigem que as crianças, mesmo sem querer, sigam com os rituais que já não têm significado simbólico. 

Portanto, se o coelhinho não fizer mais sentido por aí, para a sua criança, repense se não é você que ainda precisa acreditar. Se for, bom... Sério? 

E o coelho responde: "Não trago nada. Não ponho ovos e comprar está fora do orçamento. Boa Páscoa mesmo assim!"

Mayara Almeida
Psicóloga - CRP 13/5938

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