4 de fev. de 2026
Pensar rápido ou devagar: eis a questão
Baseado em: Evans, I. M. (2015). How and why thoughts change. New York: Oxford University Press.
Diversas pesquisas em Psicologia têm
demonstrado que alguns dos nossos pensamentos são extremamente rápidos,
impulsivos por assim dizer, e geralmente um carregados de emoção. Pense nas
vezes que você fez um julgamento precipitado, falou algo que se arrependeu
depois, enviou um e-mail desaforado, comprou alguma coisa que não precisava no
calor do momento ou então gritou com seus filhos ou outra pessoa que você ama.
Com certeza você já fez coisas desse tipo - todos nós fazemos.
Por outro lado, também temos outro tipo de pensamentos, que são mais frios, lentos e deliberados. Às vezes, pensamos sobre nossos próprios pensamentos de forma reflexiva e construtiva, sem nos preocuparmos com o conteúdo eles.
Nós realmente precisamos de ambas formas de pensar.
- Pensamentos rápidos são absolutamente necessários para automatizar a realização de tarefas rotineiras, de modo que possamos investir nossa capacidade mental em outras atividades mais demandantes.
- Pensamentos lentos, por seu turno, são imprescindíveis para fazermos julgamentos mais acurados e agirmos de forma adaptativa nas situações complexas da vida (aquelas em que muitos fatores importantes estão em jogo).
O problema é que os pensamentos rápidos, por geralmente serem mais baseados na emoção do que na razão, às vezes podem colocar você em apuros. Isso, provavelmente, é o que acontece com você nas situações que lhe incomodam: você é muito rápida em tecer comentários auto-críticos para si mesma, ou ligeira demais em julgar uma situação como uma ameaça ao seu bem estar físico ou psicológico. Devido ao fato do pensamento rápido ser baseado em suas experiências do passado e dirigido por emoções escondidas, nem sempre você terá consciência da origem desses pensamentos.
Suponha que você diga para si mesma: “ser feio é ruim” - esse é o seu pensamento automático ao olhar-se no espelho. De onde veio tal pensamento? Não há como saber com certeza, mas provavelmente sua origem está relacionada ao bulliyng, ou do consumo de informações manipuladas em redes sociais e tv. Todas as emoções agradáveis ou negativas, são armazenadas em nossa memória - não de maneira precisa e associada a uma lembrança específica, mas como registros negativos genéricos. Estes registros, por sua vez, passam a funcionar como uma espécie lente através da qual vemos o mundo, dando o "colorido" (ou falta dele) às experiências atuais.
Assim, não faz sentido dar a você orientações do tipo “pare de ter esses pensamentos negativos!”, pois eles são automáticos, involuntários e constituem parte integral do funcionamento psicológico normal. Por outro lado, o que faz sentido é, tentar equilibrar esses pensamentos rápidos e intensos com outros pensamentos mais lentos, mais reflexivos e mais baseados na realidade e contexto do momento.
Quando você está de mau humor, pessimista, se sentido deprimido ou algo que o valha... adivinhe! O esquema negativo que você tem sobre si, fica mais forte e seus pensamentos automáticos autocríticos tornam-se mais frequentes. Pensamentos ruins, fazem com que outros pensamentos ruins, sejam mais prováveis de ocorrer. Pesquisadores do estresse afirmam: "zebras não têm úlceras"! Por quê? Porque entre um e outro episódio de perigo real - como ser perseguida por um leão - elas não estão ruminando negativamente sobre suas experiências, lamentando por não terem comido mais daquele pasto nutritivo ou culpando suas mães por não tê-las treinado para correr mais rápido. Consegue perceber a diferença em relação a sua forma de encarar a vida?
A boa notícia a respeito do funcionamento da mente humana é que, da mesma forma que pensamentos negativos atuais facilitam a ocorrência de novos pensamentos negativos, a presença de pensamentos positivos favorece o surgimento de mais pensamentos positivos. Em outras palavras, é possível transformar o círculo vicioso em um círculo virtuoso.
M.
28 de jan. de 2026
Não isole seu filho.
9 de jan. de 2026
Pó quebrado e uma reflexão sobre hábitos
A questão é que, mesmo já usando um pó facial novo há mais de duas semanas, meu cérebro insistiu em me levar para o lugar antigo, onde o pó quebrado costumava ficar. Puro hábito, uma espécie de piloto automático que me empurrava para o "inferno conhecido" (o local do pó quebrado) em vez de me direcionar para o "paraíso desconhecido" (local mais prático, junto dos outros produtos de maquiagem).
Esta situação é um exemplo de que hábitos novos podem levar um tempo para se enraizar. Por mais que a gente queira mudar, nosso cérebro busca a segurança do que já conhece, mesmo que não seja o mais adequado, buscando nos proteger do novo pois, não sabendo como será, repete a ação anterior.
Precisa nos ser constantes e insistentes, para que o novo hábito se estabeleça. É como plantar uma semente: não vemos a flor desabrochar no dia seguinte, mas sabemos que, com paciência e cuidados necessários, ela vai se desenvolver.
Um pó facial num lugar diferente, uma nova rotina ou outro objetivo que envolve o seu comportamento, convida a reconhecer que o novo pode ser desconfortável no início, mas é ali que o crescimento acontece.
Qual é o "pó quebrado" que você insiste em buscar, mesmo quando há um "pó novo" te esperando noutro lugar?

