17 de fev. de 2018

O que é Psicanálise?

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A Psicanálise não é uma ciência ou não só, é uma prática e teoria associadas à experiência do psicanalista e do seu próprio inconsciente – em sua análise pessoal. Na análise do outro, o psicanalista coloca o sujeito para falar sobre o seu incômodo, da maneira que lhe for possível naquele momento.

• É um trabalho de investigação, onde pouco à pouco vamos buscando em cada história de vida a (in)compreensão de nossa ambivalência e incompletude (o que não quer dizer que haverá total sucesso nesta busca). O trabalho é no um a um, no caso a caso, portanto, o que serve para um, pode não servir para o outro.

• É um trabalho de implicação pessoal, onde é preciso se perguntar: qual a minha responsabilidade diante daquilo que incomoda? Aí sim, teremos uma demanda de análise. Isto imprime responsabilidade do sujeito sobre as próprias questões. Talvez, em alguns momentos você pense: "não tenho nada pra dizer", ou sinta vontade de faltar à sessão; e isto pode ser um sinal de que estamos chegando perto do sintoma, de entender algo do que lhe acontece, de mexer no desconforto, pois trabalhar com a psicanálise é ir para bem longe de casa.

• É preciso possuir um gosto significativo pela palavra como também apreço pelas pessoas, com o mínimo possível de preconceito. Possuir crenças e convicções são importantes, contudo, essas não podem afetar num julgamento pré-concebido das condutas humanas. Requer um interesse pela escuta do inusitado, do intuitivo, com o menos de surpresa e deslumbramento possível.

A psicanálise não é oráculo. Exige Tempo. E aposta: no analista e, especialmente, em si mesmo.
A psicanálise é uma travessia individual sobre o valor da palavra e que fracassa, pois a palavra é, mão não toda, jamais tudo.

Mayara Almeida
www.mayaralmeida.com.br
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11 de fev. de 2018

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Ela trouxe a "bola mágica" (uma bolinha que brilha quando pressionada) e eu trouxe a figura do unicórnio (mágico por inteiro) representado num copo com canudo sanfonado. Aquele, foi o único copo que encontrei, mas talvez tenha sido o ideal para o momento, pois comunicou, a mim e a ela, que haverá que ser devagar, assim como é, quando usamos um canudo para beber algo. Haverá, também, da parte dela, que fazer um esforço para sugar o líquido que colocar no copo e ultrapassar o concreto na vida real... Precisamos deixá-la repetir as histórias. Mas não deixar as histórias se repetirem. Podemos ser este outro que a escuta e também diz sobre maneiras de lidar com aquilo que ela repete. Fazer combinados previamente: isso primeiro, aquilo depois; fazer a atividade e depois um momento para ouvi-la, ou vice-versa. E ao mesmo tempo em que ela internaliza este amadurecimento sobre sentir, continuará recordando aquilo que incomoda e precisa ser organizado: recordar, repetir e elaborar. 

Se nós a ouvimos enquanto ensinamos e estimulamos, ela ganha a escuta e a valorização de si mesma, o reconhecimento dos próprios limites e a possibilidade de enfrentar aquilo que não saiu conforme o desejado - mas há que se fazer algo com isto - claro, com a nossa "mágica" intervenção, na escuta e na palavra - falada e escrita - autorizar as suas tentativas até que ela autorize a si mesma.
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4 de fev. de 2018

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Acordo, alguns dias bem mais cedo e me preparo. Escrevendo tomo consciência do que faço, mas na prática, já virou hábito e eu nem sempre percebo. Confiro as horas, a roupa, a mente; agenda, caneta, carimbo, algum livro necessário. Talvez umas orelhas bemmm grandes fossem úteis - pra ouvir melhor, sabe... Sigo para o consultório. Vez por outra vou caminhando, observando a rotina ao meu redor e vendo, ouvindo, sentindo, que todos nós estamos buscando algo que nos preencha significativamente. Talvez por estarmos sempre apressados e pouco observarmos sem julgar, estejamos ser humaninhos tão complicados... 

Chego. Entro. Ponho a chave para abrir o armário e por dentro também vira um chave em mim, que abre espaços para as histórias que vou ouvir. Os medos, anseios, possibilidades, incertezas, novas informações, insistências, desistências, corda bamba, superação, vidas reais. No meio de tudo, há, por vezes, alguém que não queria estar ali. Mas eu preciso estar para este alguém. E estar consciente de que o meu fazer refaz o outro ou, o contrário, se não houver cuidado. 

Essa história de que "a psicologia me escolheu", não encaixa nas minhas questões. Fui eu mesma que escolhi, sério. E escolhi porque ainda quero traduzir pessoas. Escolhi porque queria desatar nós, organizar coisas - e pessoas - apesar de ser necessário estranhamento antes de pôr em ordem. Por vezes, há também que se perceber - e aceitar - umas desordens necessárias. Talvez eu tenha sido bruxa, cigana, leitora de mãos, de bola de cristal, encantadora de cobras, em outros tempos por aí. Vai ver que sim.

Então, perdoa a bagunça que há por dentro e permita-se atravessá-la. Aqui, há espaço e ouvidos para histórias (e bagunças) de qualquer comprimento.

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