27 de mar. de 2016
Pausas necessárias
Dia desses assisti à uma palestra onde o moço no palco apresentava traços de cansaço físico e mental: ombros curvados, falas entrecortadas e um recado para os que esculpiram a interpretação: não sou exemplo. Não quero aqui dizer que não é permitido demonstrar cansaço ou indisposição, mas sim, reconhecer os limites pessoais e refletir que tempo de qualidade gera boas ideias, enquanto quantidade de horas não é receita de sucesso.
[...] "um estudo recente apontou que a produção média por pessoa em uma semana de 40 horas é de uma hora e meia por dia apenas! Quer dizer, somos estressados e ineficazes..."
As coisas começam a dar mais certo quando você se concentra na sua zona de habilidades. Não é egoísmo ou deixar tudo para trás, mas reservar tempo agradável para fazer aquilo que te mantém conectado consigo mesmo. Corremos tanto... Mas isto não faz o nosso dia maior, porém, cansativo. Há muito a ser vivido de maneira mais leve, mesmo dentro desse turbilhão de coisas a fazer.
O corpo pede calma e os dias pedem delicadezas. Lembre-se de relaxar e ter experiências leves de descanso. Mente e corpo agradecem.
Mayara Almeida
Psicóloga - CRP 13/5938
23 de mar. de 2016
Coelhinho da páscoa que trazes pra mim?
Bom, eu já sabia, claro, mas o fato de alguém ter pronunciado concretamente, ficou registrado na memória como uma recordação da magia inconsciente. Pois é: parece que sair para a caça de ovos tem sido brincadeira de gente grande, afinal existe uma busca, uma caça pelo ovo mais legal para a criança. Não é assim?
É importante que saibamos marcar bem a história da fantasia até que possamos lidar com a verdade e nossa estrutura disponha de capacidade para crescer. Assim deveriam ser os adultos, pois muitos de nós, ainda dão trabalho no quesito mundo da imaginação e exigem que as crianças, mesmo sem querer, sigam com os rituais que já não têm significado simbólico.
Portanto, se o coelhinho não fizer mais sentido por aí, para a sua criança, repense se não é você que ainda precisa acreditar. Se for, bom... Sério?
E o coelho responde: "Não trago nada. Não ponho ovos e comprar está fora do orçamento. Boa Páscoa mesmo assim!"
Mayara Almeida
Psicóloga - CRP 13/5938
18 de fev. de 2016
Sobre insistir...
Ele fazia seus desenhos detalhados e discorria em sua conversa singular comigo e com os próprios pensamentos:
- Ei tia, vamos!
- Pra onde?
- Desenhar outro.
- Sim, vamos. O que vai fazer?
- Nabos
- Nabos? E onde encontrou estes nabos?
- No buraco.
- No buraco.
- Que buraco?
- O pluto estava no acampamento também...
- Sim, o pluto estava no acampamento.
- Ei tia, agora é a sua vez.
- Minha vez de que?
- Pintar a coleira de verde.
- Ah, agora eu vou pintar também! Certo... Estou indo bem?
- Agora aqui, tia. Pinta direitinho.
- Ok, vou fazer com cuidado. É assim? Estou indo bem?
Eu acompanhava com olhar atento e perguntando vez ou outra sobre o meu desempenho na pintura. Finalizei a minha parte e enquanto ele continuava a pintar, informei que pegaria o celular para registrar o desenho, como faço vez em quando, o que contribui para ativar as memórias das sessões anteriores, pois sempre revemos juntos, as imagens ou vídeos.
Enquanto eu abria a câmera do celular que estava em registro frontal, ele levantou sobre a cadeira, pôs a mão na minha cabeça e com leves toques, pronunciou:
- Muito bem tia, você foi bem!
Ah gente! Achei o máximo a reação. Um espelho que reflete nossas sessões, estímulos e afeto. A foto registra bem o momento de boa surpresa e alegria.
No papel, o diagnóstico é de autismo. Em nossos encontros o acolhimento é além-diagnósticos... E o resultado são surpresas como esta, por isso, acreditem no poder do exemplo e do afeto!
Mayara Almeida
Psicóloga - CRP 13/5938
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