4 de fev. de 2026

É só ir "num" cartório, eles disseram...

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Este texto, não é sobre cartórios. É muito mais sobre conexões de qualidade, passe o tempo que passar, sobre a importância da tomada de decisões e, principalmente, sobre a necessidade da autorregulação emocional, diante da rotina que se impõe.

Dezembro/24
Recebo um comunicado por email, sobre a necessidade de realizar um procedimento, chamado Apostilamento de Haia (um selo que certifica a autenticidade de documentos públicos estrangeiros, facilitando a utilização em países signatários da Convenção). Como eu estou finalizando um mestrado numa universidade em Buenos Aires, faz-se necessário. É final de ano, então, me dou um tempo de descanso e acordo comigo mesma, que no mês seguinte, eu irei (havia uma suposição de que não seria tão simples, quanto disseram). 

Janeiro/25
Vou ao cartório 1 para realizar o apostilamento do diploma e descubro que:
- Preciso atualizar o registro de nascimento, pois o antigo não seria aceito para tal procedimento. Já solicito e pago para atualização da certidão de nascimento.
- E preciso procurar outro cartório para este fim, pois onde eu estava, é para serviços específicos.

* Vou ao cartório 2, para reconhecimento de assinatura, mas a mesma está ilegível, logo:
- Preciso descobrir o nome completo do principal responsável pelo diploma e o endereço do cartório onde tem assinatura reconhecida.

* Enquanto isto... Envio mensagem, pelo Instagram, para uma professora, que na época, foi a coordenadora do curso, na Universidade onde estudei e aguardo. Aqui, iniciam as conexões. Nos conhecemos, eu sei que ela lembra de mim, porque eu era presente e ativa mesmo mais de dez anos depois. Há conexões que marcam. 

Fevereiro/25
Infelizmente, não tive retorno pelo instagram (frustrada e seguindo). Entro em contato com a universidade onde estudei para verificar como posso conseguir a informação sobre o reitor (endereço do cartório, onde tem assinatura reconhecida). Algumas tentativas, esperas, musiquinhas e ligações depois... Não consigo. Era preciso ir pessoalmente na secretaria do local para verificar as informações sobre documentos de alunos antigos, pois a universidade já não possui o mesmo nome, muito menos, o mesmo reitor.

* Retorno ao cartório 1 para pegar o registro de nascimento atualizado. Confiro e encontro a ausência de uma informação:
- Devolvo o documento e preciso entrar em contato com o cartório de origem, noutra cidade, para informar o erro, pedir que autorize a devolução e que o cartório atual refaça o documento.
- Muitas ligações e mensagens no WhatsApp depois, a pessoa responsável, no cartório de origem, demora a responder e só uma semana depois, consigo o ajuste.
- Entro em contato com o cartório 1 para buscar o documento corrigido.

Março e Abril/25
Estou exausta do assunto. Sem retorno da mensagem no Instagram, sem tempo para ir pessoalmente à universidade e com demandas no trabalho que exigent minha concentração. Decido me dar um prazo de descanso, enquanto planejo outras possibilidades de resolução.

Maio/25
Com a mente mais descansada, lembro de outra professora que pode ajudar, pois ela era próxima da coordenação (um exemplo do poder da observação e das conexões). Envio mensagem, explicando a situação e peço o contato da coordenadora, na época (aquela que falei pelo Instagram). 

- Sabemos que ter o cellular pessoal de alguém, hoje em dia, é ouro e, portanto,nem sempre fácil. Consigo no mesmo dia.
- Envio mensagem para ela, informo que tentei falar desde janeiro, pelo instagram e explico a situação. Ela explica que não chegou a ver a mensagem por lá, pois is a pouco (e eu suponho que a mensagem ficou oculta). Ela não tem a informação que preciso, mas prontamente, me passa o contato de alguém que com certeza, terá a informação: a reitora atual da universidade. 

-- Envio mensagem para a reitora, mas já É sexta, final da tarde e combinamos de lembrá-la durante a semana, pois já não estava no ambiente de trabalho.

- Após um fim de semana de, aproximadamente, trinta dias, chegar a segunda, e eu retorno com o lembrete. Recebo, gentilmente, o nome completo e dois endereços de cartórios da representação principal que eu precisava.
- Vou ao cartório 3, felicíssima (um dos indicados). No caminho, dou uma olhada no diploma, toda leve e com a mente calma... Percebo que a assinatura principal que está no diploma foi por procuração (um "p/" e uma gigante desatenção). Sendo assim, o nome que está no diploma é de outra pessoa e não do reitor. Repiro profundamente e, Como já estou no caminho, decido seguir e perguntar no cartório sobre a minha dúvida. - De fato, agora eu preciso de um novo no me legível e todas as informações do mesmo. Já me comunico com a reitora, explicando, atualizando o meu pedido, enviando foto do diploma para identificação no nome necessário. Recebo as informações atualizadas no mesmo dia.

Junho/25
Agora vai. 
Vou ao cartório 3, novamente. Enquanto espero, escrevo, reflito e tomo um cafezinho. Descubro que a pessoa não tem assinatura reconhecida naquele endereço, mas sim, o seu filho. Ainda não foi dessa vez. Indicam outra possibilidade. 

- Vou ao cartório 4. Novamente aguardo e, enfim, pago e tenho a assinatura necessária reconhecida.

- Retorno ao cartório 1 para realizar o apostilamento. Descubro que antes, preciso reconhecer outra assinatura, no cartório indicado.

- Sigo para o cartório 2, indicado. Aguardo, pago e feito.

De volta ao cartório 1, para o apostilamento de haia. Aguardo novamente (umas duas vidas) pago... Mais espera e, fi-nal-men-te, documento recebido.

FiM.
Espero.
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Hoje eu encontrei Deus

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Hoje eu encontrei Deus.

Ele foi me buscar numa loja de material de construções, porque a maçaneta do portão quebrou. Era um motorista de aplicativo e dirigia calmamente, quando um motorista começou a buzinar, e fez uma ultrapassagem, xingando-o.

Eu comentei que foi uma ação tão ruim e desnecessária e ele completou, com o semblante calmo e um level sorriso: "Essse problema não é meu". E sugeriu que eu poderia começar a ler a Bíblia, por Genesis, aos poucos e diariamente. 

Também me lembrou que inteligência não sustenta se não houver sabedoria e, é na calma, que é possível reconhecer e cultivar. Me disse pra pedir sabedoria pra Ele e ouvir suas perguntas. Nelas, estão as respostas.

Quando a maçaneta quebra, é Deus quem concerta.

M./2025

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Pensar rápido ou devagar: eis a questão

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Baseado  em: Evans, I. M. (2015). How and why thoughts changeNew York: Oxford University Press. 

Diversas pesquisas em Psicologia têm demonstrado que alguns dos nossos pensamentos são extremamente rápidos, impulsivos por assim dizer, e geralmente um carregados de emoção. Pense nas vezes que você fez um julgamento precipitado, falou algo que se arrependeu depois, enviou um e-mail desaforado, comprou alguma coisa que não precisava no calor do momento ou então gritou com seus filhos ou outra pessoa que você ama. Com certeza você já fez coisas desse tipo - todos nós fazemos.

Por outro lado, também temos outro tipo de pensamentos, que são mais frios, lentos e deliberados. Às vezes, pensamos sobre nossos próprios pensamentos de forma reflexiva e construtiva, sem nos preocuparmos com o conteúdo eles.

Nós realmente precisamos de ambas formas de pensar.

- Pensamentos rápidos são absolutamente necessários para automatizar a realização de tarefas rotineiras, de modo que possamos investir nossa capacidade mental em outras atividades mais demandantes.

- Pensamentos lentos, por seu turno, são imprescindíveis para fazermos julgamentos mais acurados e agirmos de forma adaptativa nas situações complexas da vida (aquelas em que muitos fatores importantes estão em jogo).

O problema é que os pensamentos rápidos, por geralmente serem mais baseados na emoção do que na razão, às vezes podem colocar você em apuros. Isso, provavelmente, é o que acontece com você nas situações que lhe incomodam: você é muito rápida em tecer comentários auto-críticos para si mesma, ou ligeira demais em julgar uma situação como uma ameaça ao seu bem estar físico ou psicológico. Devido ao fato do pensamento rápido ser baseado em suas experiências do passado e dirigido por emoções escondidas, nem sempre você terá consciência da origem desses pensamentos.

Suponha que você diga para si mesma: “ser feio é ruim” - esse é o seu pensamento automático ao olhar-se no espelho. De onde veio tal pensamento? Não há como saber com certeza, mas provavelmente sua origem está relacionada ao bulliyng, ou do consumo de informações manipuladas em redes sociais e tv. Todas as emoções agradáveis ou negativas, são armazenadas em nossa memória - não de maneira precisa e associada a uma lembrança específica, mas como registros negativos genéricos. Estes registros, por sua vez, passam a funcionar como uma espécie lente através da qual vemos o mundo, dando o "colorido" (ou falta dele) às experiências atuais. 

Assim, não faz sentido dar a você orientações do tipo “pare de ter esses pensamentos negativos!”, pois eles são automáticos, involuntários e constituem parte integral do funcionamento psicológico normal. Por outro lado, o que faz sentido é, tentar equilibrar esses pensamentos rápidos e intensos com outros pensamentos mais lentos, mais reflexivos e mais baseados na realidade e contexto do momento.

Quando você está de mau humor, pessimista, se sentido deprimido ou algo que o valha... adivinhe! O esquema negativo que você tem sobre si, fica mais forte e seus pensamentos automáticos autocríticos tornam-se mais frequentes. Pensamentos ruins, fazem com que outros pensamentos ruins, sejam mais prováveis de ocorrer. Pesquisadores do estresse afirmam: "zebras não têm úlceras"! Por quê? Porque entre um e outro episódio de perigo real - como ser perseguida por um leão - elas não estão ruminando negativamente sobre suas experiências, lamentando por não terem comido mais daquele pasto nutritivo ou culpando suas mães por não tê-las treinado para correr mais rápido. Consegue perceber a diferença em relação a sua forma de encarar a vida?

A boa notícia a respeito do funcionamento da mente humana é que, da mesma forma que pensamentos negativos atuais facilitam a ocorrência de novos pensamentos negativos, a presença de pensamentos positivos favorece o surgimento de mais pensamentos positivos. Em outras palavras, é possível transformar o círculo vicioso em um círculo virtuoso.

M.

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