14 de jun. de 2020

A musicalização e os efeitos psíquicos na infância

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Hora da História
(Ritmo: música Terezinha de Jesus)

E agora minha gente / Uma história vou contar / Uma história bem bonita / Todo mundo vai gostar. Nos livros encantados / Tudo pode acontecer. / Vamos ficar em silêncio / Para a história aprender.

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E agora minha gente / Que a história terminou / Batam palmas bem contentes / Comemore quem gostou.


A música se faz presente na história da humanidade e antes mesmo de nascer, o bebê entra em contato com o universo sonoro que o cerca. Sua relação com a música pode ocorrer, por exemplo, pela voz das pessoas ao redor, por sons da natureza e outros sons produzidos por objetos em seu cotidiano .

Mas, de fato, de que forma a música pode influenciar e promover efeitos psíquicos na infância?

Desenvolvimento sócio afetivo: O contato com o som e a música provoca estímulos que possibilitam que a criança se expresse por meio do corpo: demonstrando o que ela sente ao ouvir uma música, cantando, realizando movimentos mais refinados, como bater palma e mexer o corpo.

Desenvolvimento cognitivo: Ao acompanhar com gestos ou danças a criança está trabalhando a atenção e concentração; ao cantar ou imitar sons está descobrindo suas capacidades e se integrando com o ambiente. E vai armazenando palavras para utilizar mais à frente, fazendo registros musicais na sua memória.

Desenvolvimento psicomotor: Cantar, gesticular, dançar, bater palmas e pés, são experiências importantes para a criança, porque permitem que se desenvolva o senso rítmico, a coordenação motora, fatores importantes para o processo da leitura e escrita. Desenvolver e exercitar a motricidade fina – capacidade que permite usar os pequenos músculos do corpo – e a motricidade grossa, que consiste na utilização de músculos grandes do corpo – como movimentos de braços e pernas.

Contato com outras culturas: A música é universal e pode ser expressa de diferentes formas, dependendo da cultura onde está inserida. Essa proximidade possibilita que as crianças tenham contato com hábitos de outros povos. Um verdadeiro intercâmbio cultural e uma forma de criar empatia diante da diversidade.

Entre outros: Música como um efeito sedativo, tranquiliza, faz adormecer; Criatividade; Memória e Foco.

E assim, a música pode nos ajudar a criar crianças, que serão adolescentes e adultos menos resistentes e que sintam-se mais à vontade para dar vazão aos seus sentimentos.
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7 de jun. de 2020

Reflexões sobre o Brincar

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Cada vez mais, necessitamos brincar! Em tempos do necessário distanciamento social, estamos todos buscando interação e toda a abertura de possibilidades para o brincar, é muito bem-vindo. Nesse cenário, não se deve pensar apenas em ocupar o tempo das crianças; existe sim um momento em que elas gostam e até precisem brincar sozinhas, assim como momentos de ócio, para que a criança possa aprender a criar e a descansar. Mas convidar um adulto à brincadeira, fala muito sobre a interação humana, e deve ser valorizado. Nas brincadeiras, os sentimentos, os aprendizados, a vida da criança se expressa. Não brincar com a criança é, de certa forma, não ouvir o que ela tem a dizer.

Mas há famílias que, de fato, não sentam no chão para brincar. Sugerem que brincadeira aconteça sozinha, enquanto cuidarão de suas coisas de adulto. Quando finalmente brincam juntos, tendem a dar ordens do que deve ser feito: encaixe a peça aqui, coloque a tampa ali, mexa assim ou assado. Isso não é brincar com liberdade. Passear pela selva e conversar com os bichos que se aproximam, deixar que os blocos formem uma torre que, certamente despencará. Isso é brincar. Fugir da lógica e da razão. Mesmo por que, brincar não deve ser entendido como mais uma tarefa delegada aos adultos, como numa rotina rigidamente estabelecida: trabalhar e depois brincar com as crianças. As atividades diárias devem ser compartilhadas e transformadas em algo lúdico: cozinhar, limpar, cuidar das plantas, por exemplo.

Porque ter uma criança em casa é permitir que a fantasia chegue, é convidá-la a entrar. Eu vejo muita gente escolhendo o brinquedo mais caro, e me pergunto: quem vai brincar com esta criança? E vocês que me ouvem, lembram de quando brincavam? Lembram sobre o brincar na infância? Será que vocês podiam brincar na infância? E quem, de verdade, imaginou que brincar também faria parte da sua função enquanto cuidador referência de uma criança? Ou seja, maquinar menos o cotidiano, resgatar a imaginação adormecida...

Parece que não sabemos mais brincar. Será que a gente esqueceu? Bom, as crianças sabem. E até querem nos ensinar. Nós só precisamos deixar. Então experimenta dizer pra criança que não sabe como usar tal brinquedo ou fazer tal brincadeira. E receba com respeito, a principal comunicação da criança, que é o brincar.

Ah, quero complementar e dizer que contar, ouvir e recontar histórias também é brincar. Desperta a imaginação, as emoções, a curiosidade e também é uma maneira de preservar a cultura, os valores, compartilhar conhecimentos e aproximar diferentes gerações. Então, soltem a imaginação, as vozes, os gestos e vivam a história, vivam a brincadeira! Porque brincar é transmissão do coletivo, em todas as idades.
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18 de abr. de 2020

O que Freud diria? (Em meio à Pandemia do Covid-19)

Um comentário :


Primeiro ele contaria uma história: a dele. Diria que viveu a experiência do sofrimento da gripe espanhola. Diria que perdeu ali, sua filha Sophie. Ah, perdão. Diria antes que, foram anos muito difíceis com a Primeira Guerra que deixava rastros de dor e parcos escritos. Talvez porque, com a dor não seja ou não fosse tão possível escrever, para ele. Diria que houve inflação, falta de suprimentos de infraestrutura nos transportes e nas comunicações. Diria que sua família recebeu ajuda financeira da Max Eitington, médico e psicanalista da Bielorussia - Alemanha - e seu amigo. Freud diria que não se deixou paralisar, pois cuidar da sua família e atender pacientes que o procuravam e conseguiam pagá-lo, era uma forma de lidar com a impotência diante da situação. Diria que dias antes, num cordial almoço de domingo, recebeu o filho de Pfister, seu amigo discreto, psicanalista, teólogo e pastor. E diria também que era ateu, Freud. Diria em seguida que logo passaram pela tragédia que os marcaria para sempre. “A descarada brutalidade dos tempos nos aperta”. Continuaria a dizer sobre começo: não pôde se despedir da filha e isto parece ter lhe causado uma ferida narcísica. E então: “trabalho tanto quanto posso...”, em gratidão pela possibilidade de não ser paralisado pela morte. Que a esperança também compareça entre nós, em 2020. Freud diria que a Todestrieb (pulsão de morte) é difícil de sustentar e, talvez, escrever tenha o ajudado a atravessar.
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