11 de fev. de 2018

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Ela trouxe a "bola mágica" (uma bolinha que brilha quando pressionada) e eu trouxe a figura do unicórnio (mágico por inteiro) representado num copo com canudo sanfonado. Aquele, foi o único copo que encontrei, mas talvez tenha sido o ideal para o momento, pois comunicou, a mim e a ela, que haverá que ser devagar, assim como é, quando usamos um canudo para beber algo. Haverá, também, da parte dela, que fazer um esforço para sugar o líquido que colocar no copo e ultrapassar o concreto na vida real... Precisamos deixá-la repetir as histórias. Mas não deixar as histórias se repetirem. Podemos ser este outro que a escuta e também diz sobre maneiras de lidar com aquilo que ela repete. Fazer combinados previamente: isso primeiro, aquilo depois; fazer a atividade e depois um momento para ouvi-la, ou vice-versa. E ao mesmo tempo em que ela internaliza este amadurecimento sobre sentir, continuará recordando aquilo que incomoda e precisa ser organizado: recordar, repetir e elaborar. 

Se nós a ouvimos enquanto ensinamos e estimulamos, ela ganha a escuta e a valorização de si mesma, o reconhecimento dos próprios limites e a possibilidade de enfrentar aquilo que não saiu conforme o desejado - mas há que se fazer algo com isto - claro, com a nossa "mágica" intervenção, na escuta e na palavra - falada e escrita - autorizar as suas tentativas até que ela autorize a si mesma.
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4 de fev. de 2018

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Acordo, alguns dias bem mais cedo e me preparo. Escrevendo tomo consciência do que faço, mas na prática, já virou hábito e eu nem sempre percebo. Confiro as horas, a roupa, a mente; agenda, caneta, carimbo, algum livro necessário. Talvez umas orelhas bemmm grandes fossem úteis - pra ouvir melhor, sabe... Sigo para o consultório. Vez por outra vou caminhando, observando a rotina ao meu redor e vendo, ouvindo, sentindo, que todos nós estamos buscando algo que nos preencha significativamente. Talvez por estarmos sempre apressados e pouco observarmos sem julgar, estejamos ser humaninhos tão complicados... 

Chego. Entro. Ponho a chave para abrir o armário e por dentro também vira um chave em mim, que abre espaços para as histórias que vou ouvir. Os medos, anseios, possibilidades, incertezas, novas informações, insistências, desistências, corda bamba, superação, vidas reais. No meio de tudo, há, por vezes, alguém que não queria estar ali. Mas eu preciso estar para este alguém. E estar consciente de que o meu fazer refaz o outro ou, o contrário, se não houver cuidado. 

Essa história de que "a psicologia me escolheu", não encaixa nas minhas questões. Fui eu mesma que escolhi, sério. E escolhi porque ainda quero traduzir pessoas. Escolhi porque queria desatar nós, organizar coisas - e pessoas - apesar de ser necessário estranhamento antes de pôr em ordem. Por vezes, há também que se perceber - e aceitar - umas desordens necessárias. Talvez eu tenha sido bruxa, cigana, leitora de mãos, de bola de cristal, encantadora de cobras, em outros tempos por aí. Vai ver que sim.

Então, perdoa a bagunça que há por dentro e permita-se atravessá-la. Aqui, há espaço e ouvidos para histórias (e bagunças) de qualquer comprimento.

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31 de jan. de 2018

Crescer faz parte, ok!

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Quando um paciente cria uma história onde ele veio de outro mundo e quer muito voltar pra lá - um mundo onde só existem pessoas iguais a ele e que são crianças para sempre, "porque crescer é chato; adulto só trabalha" - você é tomado pela consciência de que a relação do adulto com o trabalho precisa mesmo melhorar, para que seja possível uma transmissão de que crescer tem lá suas intensas questões, mas não é algo que deve ser consumido de estranhamentos. É o natural da vida e não aceitar isto, pode vir a ser doloroso demais. 

| Aqui, eu tento. Trabalho e brinco. Trabalho e escrevo. Trabalho e descanso. Trabalho e canso. Trabalho e brinco de novo. Sigo me estranhando mas buscando o que eu posso fazer com todo esse tanto e continuar: sendo, brincando, trabalhando, crescendo. | 

E por aí, como está a percepção do "ser adulto"?


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