17 de set. de 2026

Quero uma vida simples e tranquila...

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Eu já quis ter mil vidas em uma só, como os filmes e séries mostram: a garota que trabalha, treina, viaja, cozinha e descansa dez horas. Num mesmo dia. Mas a pouco mais de um ano, venho admitindo pra mim mesma, que quero uma vida simples e tranquila.

Uma pesquisadora de Stanford, Jeanne Tsai, trabalha com "ideal affect", o estado emocional que a gente quer sentir, e não o que de fato sente. Ela identificou que no ocidente aprendemos a buscar os estados de alta ativação (empolgação, animação) enquanto em culturas do leste asiático, desejam baixa ativação (calma, tranquila, paz). É cultura programada, que já aparece em crianças de 3 a 5 anos: as americanas escolhem o sorriso empolgado muito mais do que as taiwanesas. Aparece também nos livros infantis, onde personagens americanos sorriem mais aberto e vivem fazendo coisas. Fomos criados dentro de um material didático que ensina, o tempo todo, que vida boa, é vida agitada, sempre produzindo algo.

Dizer em voz alta que você quer menos, mexe com as pessoas, principalmente se elas tem muito. E deixa eu ser bem clara sobre o que eu não estou dizendo, porque essa conversa desanda fácil. Não estou dizendo que você deve ter uma vida simples a ponto de penalizar tudo que te trás conforto e fazer tudo na base do esforço. Você ainda pode ter uma Lava-louças, uma máquina lava e seca, uma tv, wifi. O que acredito é que devemos normalizar querer uma vida menos agitada, com menos empolgação rasa, menos estímulos frequentes. 

E praticar, pois ver beleza no comum e simples, é habilidade, não prêmio. 

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