É preciso uma aldeia inteira...
O nascimento de um filho é potencialmente um momento de crise, independente da forma com que chegou, porque, necessariamente, a mãe terá que dar conta de muitas questões identitárias: deixa de ser somente filha para tornar-se mãe, vem à tona as experiências do relacionamento com sua própria mãe, questiona-se a respeito de que tipo mãe quer ser, entre outras reflexões.
A partir da escuta de mulheres grávidas do segundo filho, observo que os aspectos mais ressaltados, não se referem à plenitude vivida nesse momento – como comumente se imaginou durante tanto tempo – mas sim, às dificuldades enfrentadas a partir da chegada de mais uma nova etapa. Os principais temas relatados são: falta de apoio do companheiro, seja nos cuidados com a casa, com a outra criança e ainda, sobre a valorização enquanto mãe, crise profissional e dúvidas sobre precisar ou não de uma babá para ajudar nos cuidados com duas crianças, numa culpabilização sobre não dar conta. Ainda, a surpresa de ser ouvida sobre suas angústias e dúvidas: "estou até me sentindo valorizada". Daí, um pequeno recorte da importância de programas e projetos pré-natais, que acolham a realidade da gravidez.
Sem fazer juízo de valor, acredito que precisamos compreender os limites colocados em nosso dia-a-dia diante da maternidade e paternidade. Diminuir a carga social e pessoal que é colocada diante de cada mulher-mãe que vivencia a realidade de maternar. Como diz o provérbio indígena que valorizo: "é preciso da aldeia inteira para criar uma criança". Este é um provérbio africano e esta "aldeia" contém família principal, vizinhos, escola e comunidade, oferecendo suporte afetivo, valores e segurança, para uma educação integral e para apoiar os cuidadores principais.
Educar implica em preparar as crianças e continuar na adolescência, A PARTIR da vida e PARA A vida e a rede de apoio tem o papel e a dimensão de contribuir para o desenvolvimento de competências como resiliência, cooperação, empatia, criticidade, ser capaz de lidar com as emoções, tomadas de decisão, resolução de problemas, criatividade, para serem capazes de transformar as situações adversas em oportunidades para o bem estar individual e social, e acrescento aqui, algo essencial que é a formação da delicadeza, a manitenção da esperança e do encantamento (entre outras competências), para melhorar e explorar as oportunidades que o mundo oferece, come segurança física e psicológica.
A aprendizagem só ocorre, de fato, a partir de um conhecimento conectado com a realidade contemporânea, principalmente daqueles que são diferentes de nós, proporcionando o deslocamento do olhar individual para a uma dimensão social.
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