18 de abr. de 2026
Lembranças (para a minha avó)
Hoje lembrei da senhora. Na verdade, lembrei e decidi escrever, porque lembrar, eu sempre lembro...
Então, eu estava no shopping, nenhum motivo específico para me sensibilizar, até que sentei para um café: eu, meus pensamentos e algumas compras, recém feitas.
Hoje em dia, muita coisa mudou, mas a saudade se mantém, intacta, mais de vinte anos depois da sua partida, precoce pra mim, que era uma adolescente com sonhos e esperançosa de realizar muitos deles em sua companhia.
Vó, eu nem queria terminar o café, só pra ficar imaginando, como seria se tivesse sido... A senhora não me viu concluir os estudos do famoso ensino médio, não acompanhou a minha despedida do interior para a capital, não Estacada mais aqui, quando fiz as oito mudanças até o apartanento próprio, não participou da minha formatura do ensino superior, não esteve nos lançamentos dos meus livros, nas viagens dentro e fora do Brasil... Mas a senhora deixou, entre muitos ensinamentos, um que recordei hoje: "Enquanto depender de mim, minha filha..." E dentro do possível para a época, a senhora cumpriu e eu aprendi que dependo de mim, o que tantas vezes, me cansa, mas também me sustenta e impulsiona.
Hoje choveu, enquanto também havia sol. Acho que isto me lembrou da senhora. Ativou minha memória e me levou a recordar que nessas condições climáticas, provavelmente, em algum lugar, há uma raposa se casand... E é isso. Não sei se a raposa casou, mas lembro. Não sei se a senhora me lê, mas continuarei escrevendo e, às vezes, me dando conta só depois, que situações simples, me lembram a senhora e nosso vínculo. Porque enquanto depender de mim... Lembro e te escrevo, vozinha! E a cada vez, talvez, transformo um pouco, esse luto, essa ausência, em algo que pode ser integrado, sem precisar lutar.
M. ᥫ᭡
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