19 de ago de 2014

A minha abordagem é flexível.

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Tem se tornado muito recorrente, em minha clinica, os seguintes questionamentos, feitos pelas pessoas que acompanho: Qual a sua abordagem? Ou qual o seu estilo profissional? E então eu sempre me questiono: será a forma que falo, que acolho ou a minha postura, que tornam a análise diferente?

Sou defensora da prática que se reinventa diante de cada pessoa que chega à clínica; e somado a personalidade de cada profissional e à demanda de intervenção, a teoria funciona como uma base para a interpretação, mas as ferramentas de escuta serão construídas a cada situação e para cada caso, o que ao meu ver, independe da orientação teórica. Entretanto, concordo com Calligaris, quando pontua (no livro Cartas ao jovem terapeuta) algumas características básicas para ser um bom profissional, entre as quais, destaco as seguintes:

- Possuir um gosto significativo pela palavra como também apreço pelas pessoas, independente do quanto elas podem ser diferentes.
- Ser curioso a respeito da experiência humana, com o mínimo possível de preconceito. Possuir crenças e convicções são importantes. Contudo, essas não podem afetar num julgamento pré-concebido das condutas humanas. Isso tornaria nulas as chances de ser um bom psicanalista.
- Requer um gosto pela escuta do inusitado, com o menos de surpresa e deslumbramento possível.

Assim, escutar é um dom que escolhi, acolhi e desenvolvo no exercício do cotidiano, em meio aos avessos da multidão, e dos meus próprios pensamentos. Escutar alguém é, antes de tudo, escutar a si mesmo. E isso é além de orientação teórica. 


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