29 de nov de 2013

Novos modelos familiares

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Por: Psicóloga Mayara Almeida - CRP 13/5938

Um dos grandes debates atuais, aborda a constituição do que chamamos de novas organizações familiares, discutido sobre a forma de ligação afetiva entre sujeitos: famílias adotivas, casais com e sem filhos, casais homoafetivos, produções independentes, barriga de aluguel, embriões congelados e, ainda, sabe-se lá, a clonagem.
Na verdade, muitas destas organizações familiares sempre existiram. Porém, os protagonistas dessas vivências passaram a provocar visibilidade, e a partir daí, surgiram  questões que movimentaram as relações sociais.
Dessa forma, considero que a definição de família depende das mudanças que ocorrem na sociedade, ou seja, sem rigor, poderá ser moldada de acordo com os movimentos que forem fixados e nosso dia-a-dia.
Podemos pensar sim, em “famílias da contemporaneidade”: cada criança, hoje em dia, traz uma experiência familiar própria e é preciso saber lidar com as especificidades destes novos modelos.
Para alguns, ainda é insuportável aceitar o novo real, pois os obriga a repensar, ou mesmo abandonar, tudo aquilo que até então foi por muito tempo enraizado como imutável.
Muitas vezes, nos é muito caro mudar, pois exige novas posturas e valores para apreender a realidade. Passa-se por um luto, até que se reconheça o novo e, a sociedade atual, vem abandonando antigas certezas e encarando novas verdades, situação esta que pode ser geradora de crises pessoais e sociais, pois quando algo direta ou indiretamente nos ameaça, defendemo-nos muitas vezes com o mais simples recurso, o passado, na esperança de reencontrar a vida real idealizada.
A prática clínica, especialmente a infantil, traz ricos exemplos: famílias onde um dos pais não participa, ou mesmo os dois são ausentes da vida da criança, e esta não apresenta um desenvolvimento problemático ao extremo; muitas vezes o sintoma da criança é uma projeção do pais.
Este fato apresenta a ideia de que não existe uma forma de organização familiar que garanta seguramente um desenvolvimento mais saudável, ou mais patológico aos sujeitos.
Há diversas opiniões sobre o assunto. Alguns compreendem, mas não aceitam, outros não tomam partido e, ainda, há aqueles que “defendem a causa”.
Assim, a falta de um dos genitores – monopaternidade, ou a presença de duas pessoas do mesmo sexo – homopaternidade e, ainda, outras configurações, traduzindo os novos modelos de família, sugerem que outras formas de produção de subjetividade sadias são possíveis, ou seja, a organização psíquica dos indivíduos pode ser reorganizada.
Além disso, podemos refletir: o gênero de quem cuida da criança não determina benefícios e foi a partir de modelos de famílias tradicionais, que surgiram na sociedade comportamentos anti-sociais, desvios de conduta, marginalidade, perversões, drogas, enfim, as mais diversas formas de sofrimento psíquico.
Assim, se a dúvida existe, cabe a cada um perguntar a si mesmo: que lugar ocupa no seu imaginário, ou desejo, o novo real? A resposta será a sua posição atual.

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