7 de out de 2011

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Minha avó tinha jeito de anjo. Um jeitinho de cuidar silenciosamente de todos, mas sem incomodar. Tem olhos um pouco cansados, mas brilhantes, um contraste para combinar com suas mãos fortes e delicadas. Em cada canto da memória uma lembrança boa de quando eu tinha a sua presença constante. E as minhas memórias sobrevivem sozinhas. O café da manhã. O picolé escondidinho. A oração das três da tarde. A hora certa de sentar na calçada. Os primos chegando pra brincar. O grito de ordem pra parar de correr, pra não cair, voltar pra casa e ir dormir. Minha avó sabia cuidar. E sabia perdoar também. Ela me defendia quando alguém brigava comigo e me dava o picolé que eu quisesse depois. Eu era uma menina mimada na casa da avó. Ela fazia dos menores gestos bons, as coisas mais importantes do mundo. Gostava dos meus cartões enfeitados que eu sempre fazia, à mão, em todas as datas possíveis. Eu me sentia bem ao demonstrar, e ela muito bem esse afeto recebia. De várias formas, Ela, o tempo todo me falou de amor. E eu, o tempo inteiro acreditei. E até hoje ainda acredito!

[Mayara Almeida]

Ela acreditava em anjos, e  porque acreditava, eles existiam.
[Clarisse Lispector]

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